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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pobby e Dingan

Sinopse:

"Livro recomendado no programa de português do 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade III
É a primeira obra de Ben Rice (n. 1972, Inglaterra), publicada inicialmente numa revista australiana, e que tem recebido as críticas mais elogiosas. A história passa-se numa pequena povoação mineira da Nova Gales do Sul, Austrália, e é contada por Ashmol, filho de um mineiro em busca de opalas, irmão de Kellyanne, que tem dois amigos imaginários, Pobby e Dingan, que dão o título ao livro. Kellyanne é, claro, a única que "vê" estes seus amigos imaginários, mas a família, e mais tarde toda a população, alimenta esta sua fantasia; a mãe chega a colocar mais dois pratos na mesa, para aqueles amigos "mais calmos e mais bem comportados que os filhos". Mas os problemas chegam quando os amigos imaginários se perdem e o pai é acusado de roubar. Então Ashmol coloca toda a sua força e inteligência para trazer Pobby e Dingan de volta e convence a população a ajudá-los."

"... um livro surpreendente, uma pequena jóia. Um daqueles livros que oferecemos às pessoas de quem gostamos, porque depois de lê-lo apetece partilhá-lo."
José Luís Peixoto, DNA
Apetece partilhá-lo (retomando as palavras de José luís Peixoto) ... pois foi o que fizeram as nossas queridas amigas do blogue Sombra dos Livros, a Alice e a Bailarina; às quais agradeço do fundo do coração, esta linda e maravilhosa oferta.
Sou sincera, não conhecia de todo o livro ou o autor, mas vindo de duas leitoras assíduas, só podia ser realmente bom.
Li o livro de uma só vez, é pequeno mas com uma escrita rica e envolvente, que nos leva para um mundo diferente que os adultos já há muito esqueceram ... o mundo da imaginação e da fantasia. Achei simplesmente divinal o facto do autor colocar uma aldeia inteira (e aqui falamos de adultos) a viver o sonho e a fantasia de uma pequena criança, Kellyanne, com o objectivo de a salvar.
Comovente, com um final fabuloso mas também bastante doloroso, é uma pequena GRANDE obra que nos relembra que um dia também já fomos crianças.
"Depois de muito pensar escolhemos este pequeno grande livro pois poderás lê-lo com as tuas pequenitas, coisa que sabemos que te dá muito prazer. Espero que gostes (e que seja uma novidade) e que te marque tanto como nos marcou a nós."
Dedicatória de Alice e de Bailarina
Muito obrigado às duas :O)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Menina que sorria a dormir

Vou falar-vos de um livro que me deixou fascinada: A menina que sorria a dormir, de Isabel Zambujal.

Comecei por ficar curiosa com o título. Sorria a dormir?! Porquê? Usei um dos direitos do leitor, prescritos por Daniel Pennac no seu livro “Como um romance”, e comecei a “debicar” o livro aqui e ali, encontrando passagens que me agradaram imenso e me impeliram à sua leitura completa. Conta-nos a história de uma menina, a Glória, que vivia numa aldeia pequena e com poucos habitantes. Era uma menina igual a tantas outras, mas tinha uma dificuldade: não conseguia dormir sem ser embalada por histórias. Quando alguém parava de contar a história, fosse a que horas fosse, a menina abria imediatamente os olhos e dizia, sorridente: “- E depois, e depois?”. Ora, apesar de amor de mãe ser infinito, não há mãe que aguente noites inteiras e seguidas a contar histórias. Então, todos os habitantes da aldeia, num verdadeiro espírito solidário, cooperativo e comunitário, contribuíram para que a Glória tivesse um sono feliz e descansado, ou seja, seguindo uma escala elaborada pela professora daquele local, cada habitante, várias vezes por mês, passava a noite acordado a contar histórias à menina.

     O pai, que vivia muito longe, também lhe contava histórias, através de cartas, que a faziam viajar por terras distantes. Era o único que lhe contava histórias de viagens. Cada habitante tinha experiências de vida e gostos de leitura diferentes, portanto cada um tinha o seu tipo de histórias preferidas. Uns contavam fábulas, alguns, adivinhas, outros, histórias de reis e de princesas ou histórias doces…

     Só que esta situação estava a tornar-se insustentável para os habitantes da aldeia que, apesar de gostarem muito da menina, começavam a sentir o peso do cansaço acumulado de muitas noites em branco. Até que, um dia, Glória recebeu do pai um presente especial: uma caixinha e, no seu interior, uma menina que parecia uma princesa, deitada sobre um montinho de algodão branco e fofo como as nuvens. O bilhete que a acompanhava explicava que era uma “Fadinha de Olhos Fechados” e que a tinha descoberto num lugar onde as pessoas dormem a ouvir histórias, só que ninguém precisa de ficar acordado, pois todos os habitantes têm uma “Fadinha de Olhos Fechados a viver dentro da sua almofada. A Fadinha gosta de passar as noites a sussurrar histórias ao ouvido de quem dorme. A essas histórias chamam-lhes sonhos.” (p. 34).

     O que aconteceu em seguida? Ah, isso eu não conto! Leiam o livro e deliciem-se.

     Este livro fez-me lembrar um provérbio africano que diz o seguinte: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” Quanta verdade e sabedoria ele encerra! Não tenhamos dúvidas de que é preciso uma “aldeia inteira”, ou seja, toda a Comunidade, para educar uma criança: Família, Escola, Sociedade, devem congregar esforços e articular estratégias, em prol da educação dos seus jovens. O resultado será compensador, altamente gratificante, como espelha esta história.

     E, para finalizar, só queria expressar um desejo: Que nunca deixemos de ouvir o sussurrar da nossa “Fadinha de Olhos Fechados” e nunca percamos a capacidade de sonhar e, até, de envolver os outros nos nossos sonhos, pois se alguns são pessoais, muitos outros poderão ser colectivos e abranger a nossa “ALDEIA”.

     É evidente que este livro, lido por uma criança ou um jovem, pode ter outras leituras, cada leitor faz a sua, pois “Se o texto é obra do autor, a leitura é uma actividade de reconstrução da significação por um leitor que lê o texto à luz do seu universo de referências” (Fernando Azevedo, Formar Leitores). Contudo, apesar de diferentes, as suas leituras não serão menos válidas, nem menos interessantes.

Lídia Valadares