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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Três pequenas histórias

Umberto Eco é um autor genial, quer para adultos, quer para crianças. Foi ao folhear um livro dele numa livraria, destinado a crianças, que resolvi adquiri-lo, e não estou nada arrependida.

Chama-se a obra "Três Pequenas Histórias", publicada pela editora Caderno, reunidas para ilustrar que alguém tão atento à filosofia, à sociologia, ao mundo, consegue entrar no mundo das crianças.

São apenas três histórias, mas dizem muito e dizem tudo sobre a natureza do ser humano. Elas tocam em temas do quotidiano, partindo de desenhos e de segmentos das histórias que colocam as crianças motivadas até ao fim da sua leitura.

As temáticas são a guerra, em "A bomba e o general", a par do desejo desmesurado daqueles que, para terem protagonismo, decidem construir bombas para lançarem sobre as cidades. Mas o general acaba por aprender uma lição, quando as pessoas e as crianças fazem nascer flores a partir dessa bombas. É assim que o general deixa de ser importante. Uma lição para os poderosos e para aqueles que acham que o mundo é apenas deles.

Na segunda história, "Os três cosmonautas", aborda-se a temática da xenofobia, da interculturalidade. Apesar do encontro dos cosmonautas de nacionalidades diferentes com os marcianos no espaço e não conhecerem as línguas, tudo fica resolvido, mesmo quando os gostos são diferentes, os aspectos, os hábitos, etc... No final o narrador conclui: "Tinham compreendido que na Terra, como nos outros planetas, cada um tem o seu próprio gosto, é apenas uma questão de se aceitarem as diferenças"(p.74). Mas é uma história que pode ser uma motivação para as actividades do Ano Internacional da Astronomia. Ensina e nutre o gosto pelo espaço, pelo universo. Fascina!

Na terceira história, "Os GnOMos De gNU", surge o problema da poluição da Terra criticada pelos gnomos e uma crítica aos responsáveis dos países que não querem ver o que se passa à sua volta. Reparem: "E enquanto falava, o ministro escorregou numa pastilha elástica que um outro ministro tinha cuspido para o chão. Partiu as pernas, esmagou os lábios, o queixo, as duas narinas, o ombro, a testa e ficaram-lhe os dedos presos nas orelhas, de tal maneira que não conseguia endireitar-se. Na grande confusão que se seguiu, o ministro foi deitado no passeio no meio dos sacos de imundície que já ninguém recolhia há muito tempo, e ficou ali a encher-se de fumo, respirando as exalações que saíam dos escapes das máquinas" (p. 108). Vão ser os gnomos que irão resolver a situação e dar sugestões aos humanos para resolverem os problemas ambientais.

É uma obra que é essencialmente pedagógica, transmite ideias e conceitos bem actuais, a explorar em várias áreas e consegue provocar o diálogo, pois põe os alunos a reflectir, a trocar ideias e lança desafios. É assim que nasce a verdadeira cidadania.

Umberto Eco é apelidado de "fabricante de palavras" pela sua faceta de contista, acompanhado por desenhos de um pintor, Eugenio Carmi, um "fabricante de imagens". Quem ler o livro irá ser, com toda a certeza, um "fabricante de mentes sãs".

Isilda Lourenço Afonso

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Biblioteca

«... Um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós.

... A função ideal de uma biblioteca é de ser um pouco como a loja de um alfarrabista, algo onde se podem fazer verdadeiros achados e esta função só pode ser permitida por meio do livre acesso aos corredores das estantes.

... Se a biblioteca é, como pretende Borges, um modelo do Universo, tentemos transformá-la num universo à medida do homem e, volto a recordar, à medida do homem quer também dizer alegre, com a possibilidade de se tomar um café, com a possibilidade de dois estudantes numa tarde se sentarem numa maple e, não digo de se entregarem a um amplexo indecente, mas de consumarem parte do seu flirt na biblioteca, enquanto retiram ou voltam a pôr nas estantes alguns livros de interesse científico, isto é, uma biblioteca onde apeteça ir e que se vá transformando gradualmente numa grande máquina de tempos livres...».
na badana do livro Biblioteca de Umberto Eco.


Moderna biblioteca de Alexandria

A nossa biblioteca é o nosso santuário... não é? Protegemos os nossos livros como se fossem relíquias, tesouros magníficos que não queremos perder! Cada livro é fonte de sonhos, de olhares, de inteligência e até de cobiça!!! Queremos ler tudo o que nos aparece à frente para construir o nosso mundo intelectual. O instinto de proteger e o prazer da descoberta em cada página... em cada linha... em cada letra. A partilha na blogosfera é um pouco isso, descobrir o que outros andam a ler, colaborar com opiniões, descobrir o prazer talvez, de poder ler algo que não estava previsto.

Neste pequeno livro de Umberto Eco, temos umas pequenas reflexões sobre as bibliotecas: como organizar a nossa biblioteca pessoal... o que vamos ler daqui a uns anos, o futuro das fotocópias dos livros (não para mim). Com ironia mordaz, Umberto Eco, em poucas páginas partilha connosco a paixão do LIVRO e dos espaços BIBLIOTECA.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Porquê «O Nome da Rosa»?

Adoro viajar no mundo da literatura, gosto de pesquisar, procuro o saber e partilho o pouco que sei...

Numa das minhas visitas ao blogue o paraíso é uma espécie de livraria, a Sónia faz um comentário interessante ao livro de Umberto Eco: O Nome da Rosa; livro que tem transportado vários leitores para a Idade Média com uma história fascinante e empolgante.
De repente, lembrei-me que nos meus tempos de faculdade, tinha encontrado uma pérola rara, escrita pelo mesmo autor: Porquê «O Nome da Rosa»?... e digo rara porque não é qualquer escritor que se expõe da forma que ele o faz neste pequeníssimo livro.

Mais do que descobrir o porquê do título deste romance histórico, Umberto Eco envolve, novamente, o leitor na sua teia literária.
Estará ele realmente a abrir as portas da mente do autor para uma resposta?