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terça-feira, 9 de março de 2010

Que extraordinária Nascente descobriu o Gonçalo!

Já há muito que não dava notícias, mas desta vez tive de deixar um pouco o trabalho relegado para segundo lugar para vos falar de um livro que li e que acho que devo dar-vos a conhecer. Esta obra parece infantil, mas é uma leitura que pode muito bem ser lida por todos, seja qual for a idade. O autor é desconhecido nesta nossa zona, mas já vai ocupando lugar de destaque no panorama literário do nosso país, principalmente na área da literatura infanto-juvenil. Será, com toda a certeza, alguém de quem vamos ouvir falar. Veio à minha escola e encantou quem o ouviu e quem o viu desenhar. Este autor, ainda jovem, é escritor e ilustrador, mas não sei qual das facetas é a melhor. Os alunos adoraram as suas ilustrações, mas aquilo que escreve é de um sabor poético e de tal modo misterioso e naïf que a todos toca.
“A Nascente de Tinta” tem o seu herói, o Gonçalo. Gonçalo mergulha no Oceano e conhece criaturas marinhas espectaculares. É nessa altura que ele fica a saber do problema dos chocos que ficaram sem tinta e podem morrer. A única forma de os salvar é ir até a Ilha do Garfo e encontrar a Nascente de Tinta.
O Gonçalo decide lançar-se numa viagem contra o tempo e vai explorar lugares como o Reino das Letras, o Reino das Mãos, a Colina dos Desejos e o Deserto das Ideias. Ao longo desta viagem, o Gonçalo vai fazer amizade com personagens muito estranhas como a Formiga-Torrão e a perigosa Cobra-Escorrega. Vai viver aventuras extraordinárias, que nos vão ensinar a acreditar sempre em nós.
Gonçalo cresce todos os dias, vive no deserto das ideias e é muito solitário. Mas convido-vos a verem e a observarem as ilustrações que nos deixam extasiados e nos convidam a … sonhar!

Ah, já me estava a esquecer! Os meus alunos de nono ano leram o livro de Manuel Alegre, “Barbi-Ruivo, o meu primeiro Camões” e ficaram a gostar tanto que até apresentaram excertos na biblioteca, durante a semana da leitura. Convido-vos a ler, mesmo a alunos do 2º ciclo, porque está escrito numa linguagem acessível e os temas líricos e épicos são retratados de forma coloquial, para seduzir qualquer um.

É bom ler, é bom partilhar.

Isilda Lourenço Afonso

terça-feira, 14 de julho de 2009

Reflexão...


"A terra é insultada e oferece as flores como resposta."
Tagore, Rabindranath

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A cobra e o pirilampo mágico


"Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo que só vivia para brilhar...!

Ele fugia rápido, com medo da feroz predadora e a cobra, nem pensava em desistir. Fugiu um dia e nada; ela não desistia. No terceiro dia e já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:

- Posso fazer-te três perguntas?

– Podes. Não costumo abrir esse precedente para ninguém mas já que te vou comer, podes perguntar.

- Pertenço à tua cadeia alimentar?

– Não!
Fiz-te alguma coisa?

– Não!

Então porque é que me queres comer?

– Porque brilhas mais do que eu!!!"

O trabalho, neste final de ano lectivo, tem sido imenso, não me deixando tempo para actualizar as minhas leituras.

Na semana passada, reflectimos no blogue
Fascínio das Palavras sobre esta pequena fábula... Acho interessante também partilhar com todos os nossos amigos da Floresta.

domingo, 17 de maio de 2009

A Arca de Noé

Nesta versão, Pedro Strecht (pedopsquiatra e um estudioso do desenvolvimento das crianças e da sua aprendizagem) não se limita a contar o Dilúvio descrito no Antigo Testamento. Como é alguém que lida diariamente com crianças, sabe que para que este episódio tenha algum significado para aqueles meninos e meninas que o possam vir a conhecer, seria necessário dar-lhe vida, realismo, interagir de uma forma quase actual (para não dizer totalmente actual).
De uma forma leve, familiar e de fácil compreensão devido ao discurso empregue, este escritor coloca os diálogos como se tudo estivesse a acontecer hoje. Até há excertos com piada, mas com um sentido e significado sérios.
Durante os dias do Dilúvio muitos ensinamentos são transmitidos aos leitores. Em todos os diálogos, o narrador não se coíbe de formular um conceito, uma atitude perante os momentos maus, as diferenças que existem entre os seres, põe-nos a fazer um baile para se distraírem das agruras da viagem, a brincar à gramática, etc.
Noé trabalhou dia e noite para construir uma embarcação sólida e resistente que aguentasse a fúria de Deus. Deus tinha-se zangado com os homens e agora iria castigá-los. Noé sabia disso e conduziu os animais e a sua família para a arca, mas assim que lá entraram começaram os desentendimentos. A girafa pôs-se a insultar a tartaruga, o hipopótamo meteu-se ao barulho e Noé acabou por pisar o porco-espinho. Os animais competiam uns com os outros pelo espaço e Noé teve que intervir para apaziguar os ânimos, explicando-lhes como um velho sábio que tudo o que é importante está dentro de nós.
Esta é uma obra que sem ninguém conhecer a Bíblia ou os episódios da religião cristã, a lêem, relêem com os seus alunos ou filhos, mas sempre numa perspectiva de indagação, da problematização, de não criticar os outros, realçar a amizade e a solidariedade…
Reparemos nos seguintes segmentos que Pedro Strecht escreveu e que dizem muito do conteúdo da obra:
“- Esta arca significa o amor que tenho pela vida!”(p. 14)
“- Respeitem-se, seja qual for o vosso tamanho, cor, forma ou feitio. Sejam todos amigos…”(p. 16)
“- Amigo, não temos de ser fortes em tudo. Olha à tua volta e traz-me aquele que nunca deu parte de fraco!” (p. 21)
“- Da fraqueza nasce a força…”(p. 22)
“- Quem não tem defeitos? Dêem valor às qualidades dos outros! Para gostarmos de nós, devemos ter respeito por quem nos rodeia.” (p. 27)
“- No que quer que façam, sobretudo em ocasiões difíceis, deixem o coração falar. Mostrem os vossos sentimentos, sem medo nem vergonha! E não sejam desagradáveis uns para os outros!” (p. 30)
“E se alguma coisa aprenderam ao longo daqueles meses, foi que ao conflito, à tristeza, ao desespero, se sobrepõe a amizade, o amor, o respeito pelos outros e o gosto de viver.”(p. 35)

Partilhem desta leitura e descobrirão o valor da amizade, do companheirismo e da união. E mais… apreciem as imagens bem sugestivas e dignas de descrição e de interpretação, quer pelos mais pequenos, quer pelos menos pequenos!

Isilda Lourenço Afonso

domingo, 19 de abril de 2009

"Esperando o Sucesso": um quadro bem actual


Fui fazer uma visita de estudo com alunos do 3º ciclo, ao Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, para lhes dar a conhecer as obras notáveis que aí existem e que tanto representam o que de bom Portugal produziu e vai produzindo.

Fiquei encantada com os quadros, os pintores, as esculturas, as faianças, a ourivesaria e tantos outros aspectos que não vêm agora ao caso.

Ora, numa das salas, pude observar os trabalhos de um pintor para mim totalmente desconhecido, mas que me chamou a atenção. Ninguém deu por isso, mas comentei com a colega de História que aquele quadro que representava um menino com um desenho na mão, bem ao estilo infantil, simples, esquelético e apenas com uns traços representativos de um ser humano deveria significar algo. Fiquei intrigada e tentei documentar-me, já em casa, sobre este pintor e o quadro.

O pintor, Henrique Pousão e o quadro tinha o título de "Esperando o Sucesso". Logo este título me espevitou o olhar e a observação mais aturada.

É assim que nasce a investigação: da curiosidade. Ainda bem. Fiquei a gostar ainda mais.

"Esperando o Sucesso", obra realizada em Roma, em 1882, representa o interior do ateliê do pintor onde o modelo, uma figura popular de rapazinho romano, num momento de pausa da função de posar, exibe um desenho infantil. Ao fundo, vê-se uma representação imediata, primitiva ou inocente de um corpo humano.

Esta pintura, de 1882, é bem actual. Na minha opinião, é do desejo de alcançar o sucesso que tudo progride (desde que não seja nada de exagero e de atropelos a ninguém). Nada melhor para os nossos alunos e jovens observarem e reflectirem. Não basta esperar, é preciso agir e deitar mãos à obra, ou seja, estudar, trabalhar, esforçar-se para ter um dia o almejado sucesso. Não foi por acaso que Henrique Pousão, nascido a 1 de Janeiro de 1858, pintou este menino. Era ele próprio; o semblante envergonhado e o desenho que exibe querem transmitir-nos essa ideia: "eu vou conseguir ser um talento, desejo-o e estou a trabalhar para isso".

Este génio da nossa pintura, morreu muito jovem, apenas com 25 anos. Possui muitos outros e venho a descobrir que o meu gosto por este quadro tinha a sua razão de ser. Não sou só eu que o aprecio. Há muitos críticos e estudiosos de arte que o têm feito e este é o ano em que se estão a festejar os 150 anos do nascimento deste pintor, natural de Vila Viçosa.

Convido-vos a visitar a exposição deste pintor até ao dia 18 de Junho no Museu Soares dos Reis e, com toda a certeza, irão descobrir outros quadros bem expressivos e com aspectos interessantes da vida e das gentes portuguesas. Vale a pena apreciar e reflectir no porquê dos temas, das cores, das formas e dos pormenores. A arte ensina, educa e aproxima-nos. O sentido estético também se educa e não é efémero.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Urso Branco e Urso Castanho

Sinopse: "Alice recebeu dois ursinhos como prendas das suas duas avós. São iguaizinhos, só diferem na cor. Um é branco e o outro é castanho. Com ciúmes um do outro, os ursinhos começam a discutir e a brigar. Farta de tantas asneiras, Alice diz aos ursinhos: "Já não vos consigo aturar", e coloca-os de castigo. O Ursinho Castanho fica no alto de uma prateleira e o Ursinho Branco fica trancado no armário. Estão sozinhos e assustados. Será que esta história tem um final feliz?"

Li este livro com as minhas filhas ainda há dias... e como hoje é o Dia Internacional do Livro Infantil, achei por bem fazer referência este pequeno livro.

A história é deveras interessante, basea-se nos amigos imaginários das crianças; neste caso, Alice recebe um urso branco e um urso castanho: prendas das avós. No entanto, existem ciúmes entre as duas avós que são transmitidos aos dois ursinhos... E estes vão entrar em pequenos conflitos para serem O Melhor Amigo de Alice...

O que acontece?... Leiam para descobrir.
A relevância da Amizade, da Reconciliação, da Ajuda estão patentes neste pequeno livro, cheio de ensinamentos.
Nota: 9/10

quinta-feira, 26 de março de 2009

Histórias para meninos sem juízo

Perdi-me um pouco na leitura do romance que estou a ler... isto porque comprei outros livros aos quais não consegui resistir! Histórias para meninos sem juízo de Jacques Prévert foi comprado a pensar na minha Amiga Isilda...
Estamos as duas a ficar apaixonadas por este poeta/escritor: eu porque marcou a minha infância, a Isilda porque adora desafios, novas leituras e novas aprendizagens.
Este pequeno livro de bolso, da edições Teorema, lê-se em pouco mais de meia hora, é essencialmente um livro para crianças com letra tamanho XXL, com ilustrações divertidíssimas e histórias mirabolantes.

A avestruz, os antílopes, o dromedário, o elefante-do-mar, as girafas, o cavalo, o leão e os burros são as personagens principais deste pequeno livro dedicado a crianças "sem juízo"... e para adultos também "sem juízo"; será que temos algo a aprender com os animais?
Recomendo a história do dromedário descontente... ou será antes camelo!!!!

Para quem quiser ler os contos em francês: Contes pour enfants pas sages

Nota: 8/10

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Um

"Seríamos os mesmos se soubéssemos o que nos espera para lá do espaço e do tempo?"
Estava a trabalhar dolorosamente sobre um texto em inglês ... e não sei como nem porquê, lembrei-me do livro Um de Richard Bach.
Fui a correr as minhas estantes à procura do livro e lá estava ele. Abriu-o, encontrei um marcador datado de 09 de Maio de 1993: "Numa família que se ama, na fé, na paz sempre unida, surgirão de ramo em ramo, os filhos, flores da vida".
Nem me lembrava deste marcador!!:)
Comecei a folhear o livro e percebi então!
Se tivessemos a possibilidade de nos deslocar no tempo e no espaço, se pudessemos encontrar outros "eu" e outros "tu", o que faríamos? Sei que me deliciei com este livro e ao voltar a folhear as suas páginas, voltaram à minha memória, desejos que todos os seres humanos têm: "e se a minha vida fosse outra?". Esta obra está repleta de imaginação, de fantasia, de viagens, de mundos, de amor, de valores.
Curiosidade: sabiam que Richard Bach , tal como Antoine de Saint-Exupéry era escritor e piloto.
Nota: 8/10

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Livros com cheiro

Neste fim de semana prolongado, dei prioridade às leituras com as minhas filhas. Depois de ler e de adorarmos o livro de Alice Vieira com cheiro a morango, fomos à procura e à descoberta de novos "cheiros".
As ilustrações destes novos livros são apelativas e originais; as histórias são divertidas com mensagens que transmitem valores e ensinamentos.
Mas o que nós achamos mais original, é o facto de passar a mão pela capa interior do livro e esta ficar a cheirar a baunilha, a caramelo ou mesmo a chocolate.

Pais, filhos, irmãos, famílias, leiam em conjunto e desfrutem dos sentidos e do prazer de estarem juntos.

"Isabel estranhou. A mãe respondia sempre a tudo, e quase sempre por três vezes.
- Chama o pai... - disse então a mãe, que tinha ficado branca de repente. (Branca, muito branca, branquíssima, diria ela.)
E só murmurava:
- O bébé vai nascer!
E, ao telefone, era agora Isabel que repetia:
- Ó pai, venha rápido, muito rápido, rapidíssimo!"
Nota: 9/10

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Semear para Colher!


"Como todos sabem, a educação é, sobretudo, uma sementeira." (Agustina Bessa-Luís)


Folheando o jornal Douro Hoje, de 29/01/2009, fui directa à página onde se pode ler algo que todas as semanas é transmitido com todo o saber académico, ponderação e, acima de tudo, sabedoria e conhecimento no terreno de tudo o que se relaciona com escola, alunos, educação - o artigo do Senhor Professor José Esteves Rei, da UTAD (p. 19).

Desta vez, dá-nos a conhecer algo de pertinente sobre educação. A propósito da intervenção da escritora transmontana Agustina Bessa-Luís, dedicada à educação e à função do texto e da escrita no sucesso educativo, coloca a tónica nos textos; claro que todo o tipo de textos, mas para Agustina, o texto literário é, sem dúvida, a pedra basilar para o conhecimento de um povo e da sua identidade.

Concordo plenamente com ela. Todos os outros textos são essenciais e todos nós devemos preocupar-nos com a literacia funcional que os alunos devem possuir (também se pode designar de multiliteracia) para sobreviverem no mudo competitivo em que vivemos. Contudo, nunca poderemos esquecer a literatura, que tem andado arredada da escola. Por isso, e para quem já leu a proposta dos novos programas de Português para o Ensino Básico, deu conta que o texto literário vai regressar em força, desde os primeiros anos, com as devidas adaptações, segundo as faixas etárias. Nem queria acreditar! O Professor Carlos Reis tem ali o seu dedo de homem de literatura e teço-lhe rasgado elogio e coragem na elaboração deste documento agora em estudo. Felizmente alguém nos ouviu!

Ao ler este artigo de Esteves Rei, que aborda a temática da importância dos textos no ensino, apoiando-se em Agustina, fiz uma ponte com o que agora se deseja para o Português e textos a inserir nas aulas. E mais uma vez não posso deixar de afirmar que não se pode ler (ou fazer) nas aulas apenas aquilo que os alunos gostam. Assim, não há progresso, não há cultura. Diz Esteves Rei, citando Agustina, que para que a educação seja uma sementeira tem de "se incutir o gosto que muitas vezes não vai a par do gosto pessoal de cada um". Mas há que adequar o gosto e os desejos de cada um ao "estilo de uma educação" e ao "estilo de uma cultura". Diversificar é preciso; usar e abusar de uma diversidade de textos, mas para se poder diversificar a oferta de valores e atitudes, não podemos, jamais, descurar a nossa boa LITERATURA.

Eu disse boa literatura! Há que saber seleccionar, adequando-a à escolha e ao background de cada aluno/educando. Daí que o Professor Catedrático, José Esteves Rei, conclui o seu artigo dizendo:"...urge alargar formas, modelos, textos e métodos de educação" para que a unidade se faça a partir da diversidade e se construa a nossa verdadeira identidade. Jorge Luís Borges dizia, e não posso deixar de o citar, a propósito dos valores, que tão esquecidos andam, que "o maior luxo de uma sociedade são as relações humanas". Professores, pais e alunos, vamos à descoberta da verdadeira literatura, do verdadeiro texto! Vamos à procura da boa literatura, da boa escrita! Pouco mais necessitaremos...