Mostrar mensagens com a etiqueta valores humanos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta valores humanos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Para mulheres fenomenais... e não só!


Tem sempre presente que a pele se enruga,
O cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos...
Mas o que é mais importante não muda;
A tua força e convicção não têm idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha.

Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.

Enquanto estiveres viva, sente-te viva.
Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não conseguires correr através dos anos,
Trota
Quando não consigas trotar, caminha.
Quando não consigas caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas!!!.

Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 30 de junho de 2009

O avô Augusto

Numa aldeia ribatejana, havia uma casa, situada perto da então designada escola primária, era a do avô Augusto, também conhecido pel’ O Pião. O avô Augusto era um homem alto, magro, com umas mãos enormes, muito dedicado ao trabalho e à família.
O avô Augusto era o sapateiro da aldeia, pelo que conhecia todas as pessoas e passava parte do seu tempo à conversa com elas. Pelas manhãs, vagueava pela aldeia para fazer a distribuição dos sapatos em busca do seu ganha-pão. Um dia convidou-me para o acompanhar. Agarrei a enorme mão do avô e parti com ele para mais um dia.
Chegámos perto de uma casa muito velhinha e o avô bateu à porta. Esperámos algum tempo e, de repente, a velha porta abriu-se:
-Bom dia Senhora Emília! Como tem passado? -disse o avô.
-Bom dia Senhor Augusto! O que o traz por cá hoje!
-Os sapatos, venho-lhe trazer os seus sapatos.
-Ah! Senhor Augusto a vida está tão má, eu não lhe posso pagar. Espero que compreenda, o meu marido está doente e…
Do interior da casa, ouviam-se gritos:
- Emília quem está aí? Oh mulher! quem é?
A Senhora Emília envergonhada respondeu:
-É o Senhor Augusto e a sua netinha.
-Quem?
-O Pião.
-Não… Nós não temos dinheiro. Guarda os tostões para o pão!
O avô Augusto percebeu que não havia dinheiro para pagar o conserto dos sapatos. Ficou sério, olhou para a senhora Emília e disse:
-Não se incomode, fique com os sapatos e pagará quando puder.
O Avô agarrou a minha mão e seguimos rumo a casa. Já estávamos longe, no entanto ainda se ouvia a senhora Emília a gritar “Bem-haja, Bem-haja Senhor Augusto”. Como não tinha percebido as palavras da senhora Emília, perguntei ao avô:
- O quer dizer Bem-haja?
- Obrigado. Explicou o avô.
- Avô…
- Diz Ana, o que é?
- Como é que vai comprar o nosso pão?
- Ana, ouve bem as palavras deste homem velho e cansado. Se ajudares os outros, serás sempre recompensada.
Após um momento de silêncio, o avô abraçou-me e retrucou:
- Não te preocupes, cá nos havemos de arranjar.
O avô Augusto era assim, sempre compreensível e amigo daqueles a quem a vida pouco deu.
Fiquei comovida, com uma lágrima no canto do olho, e disse:
-Avô, tu és amigo das pessoas…Gosto tanto de ti.
O avô apertou fortemente a minha mão e continuámos a árdua tarefa de entregar o calçado às pessoas de aldeia.
O dia chegava ao fim e eu já apresentava alguns sinais de cansaço. A noite estava a ficar escura e amedrontadora. Segurava-me cada vez mais àquela mão forte para me proteger dos meus fantasmas de criança…
Quando, de repente, balbuciei timidamente:
-Avô está…a… a escurecer.
-Não tenhas medo, Ana. À noite as estrelas brilham e indicam-nos o caminho a seguir. A estrelinha cintilante é o teu Anjo da Guarda.
Olhei para o Céu à procura da Estrela, do meu Anjo da Guarda… Porém, como não a encontrei, perguntei com alguma tristeza:
-Avô! não consigo ver o meu Anjo da Guarda?
-Olha para as estrelas e ouve o teu coração!
Cresci na esperança de encontrar aquela estrela… Esperei muitos anos. Só a encontrei mais tarde, no dia em que tive de explicar aos meus filhos, Rafael e Beatriz, que o avô Augusto vivia agora naquela estrelinha cintilante…
Ainda hoje me lembro das palavras do avô, apesar de não saber ler nem escrever, era um velho sábio porque a vida ensinara-lhe muito. Aquelas rugas personificavam as tristezas e as alegrias de uma longa caminhada.
Também escrevo... espero que gostem...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Histórias escritas na cara - Cada avó é um livro de contos

Este é um livro que nos fala de histórias de vida que o tempo vai deixando gravadas nos rostos de cada um, das valiosas bibliotecas que são as avós, tantos são os livros que as páginas das suas vidas já escreveram e que estão prontos para ser lidos, contados, ouvidos…
Começa por nos contar que, duas vezes por ano, Clara e os pais iam para casa da avó materna, no Sul do país, num lugar com o nome curioso de Suspiros. “Clara mal conseguia controlar a emoção, sabia que quando regressasse de Suspiros ia sentir-se como se tivesse uma biblioteca dentro da cabeça, tantas eram as páginas da vida que a avó lhe contava”(p. 12).

Uma das histórias que Clara nunca se cansava de ouvir era a do nome da aldeia, para a qual havia duas versões. “Mas as histórias que Clara mais gostava de ouvir eram daquelas que estavam escritas no rosto da avó: por curtas ou compridas linhas junto aos olhos, perto da boca ou na testa…” (p.16) Gostava de ouvir a origem daquelas marcas que falavam de emoções, sentimentos, memórias agradáveis ou desagradáveis, alegres ou tristes…

Eu também gostei! São episódios breves, mas fascinantes. Daqueles que dizem mais pelas reflexões do que pelas palavras. Tocou-me, especialmente, o episódio associado à ruga na testa da avó. Porquê? Talvez porque, como disse Stendhal, “Um romance é como o arco de um violino, a caixa de ressonância é a alma do leitor.” E esta ruga fez vibrar intensamente a minha caixa de ressonância. Aquela ruga chamava-se Ernesto e falava de um terramoto que tinha havido no dia em que a avó fazia doze anos e a família, em vez da festa de “Parabéns”, começara a organizar meios para ajudar os mais afectados. A avó e as primas gémeas tinham ficado responsáveis por arranjar roupa, muitos tinham ficado, apenas, com a que traziam no corpo. “O frio estava a chegar e depois de o chão ter tremido iam tremer muitos dentes.” (p.23). O ajudante deste grupo era o Ernesto, um rapaz de nove anos, extremamente pobre. Incansável, sem nunca desistir, batia à porta das casas que ainda existiam e pedia mantas, casacos, calças, sapatos… (Quanta persistência, força, sensibilidade e solidariedade se descobre nos menos favorecidos!) Mas não havia roupa nem calçado suficiente para tanta gente, porém Ernesto não desanimava e dizia: “Menina, pé de pobre não tem número. E pobre não troca de roupa, a roupa é que troca de pobre. Vai primeiro para o irmão pobre, depois para o primo pobre, depois para o neto pobre, e assim por diante, até a roupa já não perceber se nasceu camisola ou cachecol”. E no meio daquela pobreza, o franzino Ernesto, sem nunca saber, ensinou-me uma lição valiosa: nós temos quase sempre mais do que aquilo de que precisamos.” E este excerto provocou em mim uma ressonância tão aguda que quase me magoava a alma, tal era a verdade que ecoava em vibrações prolongadas.

Mais à frente, uma expressão deixou-me deliciada pela criatividade e beleza estilística, fiquei a saboreá-la durante muito tempo e não resisto em partilhá-la convosco: “A Antonieta devia ter uns cinco anos, ainda não era cega e nunca mais me esqueço do seu comentário, um dia enquanto o Sol se punha: Já viste, mana, o Sol adormece no mar e as ondas são os cobertores.”

Outras rugas contaram as suas histórias e, no final, depois de fechar o livro, já sem palavras à frente dos olhos, continuei a ler histórias, aquelas cujo enredo brota das nossas meditações, das nossas vivências, das nossas conclusões, das nossas próprias rugas…

É um livro pequeno, escrito numa linguagem singela, mas bonita, que nos conta episódios curtos, de absorção fácil e rápida, contudo deixa-nos muito tempo a prolongar a leitura, a ouvir o eco, as vibrações das suas palavras…

Vou deixar-vos com um desses ecos.
“Cada avó é um livro de contos”.
Lídia Valadares

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Comer, Orar, Amar

Sinopse: "Elizabeth Gilbert estava com quase trinta anos e tinha tudo o que qualquer mulher poderia querer: um marido apaixonado, uma casa espaçosa que acabara de comprar, o projeto de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, sentia-se confusa, triste e em pânico.
Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado. Até que decidiu tomar uma decisão radical: livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo - sozinha. Comer, Rezar, Amar é a envolvente crônica desse ano. O objetivo de Gilbert era visitar três lugares onde pudesse examinar aspectos de sua própria natureza, tendo como cenário uma cultura que, tradicionalmente, fosse especialista em cada um deles. "Assim, quis explorar a arte do prazer na Itália, a arte da devoção na Índia, e, na Indonésia, a arte de equilibrar as duas coisas", explica.

Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano e engordou os onze quilos mais felizes de sua vida. Na Índia dedicou-se à exploração espiritual e, com a ajuda de uma guru indiana e de um caubói texano surpreendentemente sábio, viajou durante quatro meses. Já em Bali, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Tornou-se discípula de um velho xamã, e também se apaixonou da melhor maneira possível: inesperadamente.

Escrito com ironia, humor e inteligência, o best seller de Elizabeth Gilbert é um relato sobre a importância de assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento e parar de viver conforme os ideais da sociedade. É um livro para qualquer um que já tenha se sentido perdido, ou pensado que deveria existir um caminho diferente, e melhor."
Não foi o melhor livro que li este ano, aliás, comecei a ler... larguei-o, li outros entretanto, mas depois algo despertou a minha atenção e acabei-o num instante.
A verdade é que a primeira parte que se refere à acção que se desenrola em Itália - " comer" - foi para mim, demasiada morosa. A segunda parte, na Índia - "orar" - foi muito mais interessante e aliciante assim como a terceira parte da obra - "amar" - temos direito a um amante, falante da língua lusa.
Não é um romance com acções que nos prendem uma atrás das outras, todavia é de leitura agradável e simples. Acho que esta auto-biografia deve ser saboreada naqueles momentos em que a nossa "Alma" pede umas leituras mais leves, sem grandes intrigas e sem grandes enredos.
Nota: 7/10

sábado, 11 de abril de 2009

O Pássaro da Alma

Sinospe: "Desta obra pouco se poderá dizer pois é pura e simplesmente belíssima. Um livro para todas as idades que nos explica de forma poética e única o que é a alma. É um texto essencial num mundo que muitos criticam pela crescente falta de valores e de uma moral. Este livro apela a um conhecimento do nosso mais íntimo e profundo sentir, explicando por via desse pássaro, clara metáfora, aquilo que sentimos, como o sentimos e porque o sentimos. Pela singeleza do conteúdo e pela estética do arranjo dos desenhos de Naama Golomb, é uma obra que tem ganho, desde a sua publicação em 1993, uma reputação internacional que levou a que fosse traduzida em mais de vinte cinco línguas, e em todos os países recebeu prémios e veio a tornar-se best-seller. O livro recebeu o primeiro Prémio Internacional, da Fundação Espaço Crianças em Genebra."
Sobre a autora: "Michal Snunit, autora israelita, atingiu a fama com esta obra e, daí para cá produziu dezenas de livros dentro do mesmo estilo que receberam inúmeros prémios em todo o mundo. Tem sido considerada uma das melhores escritoras infantis contemporâneas e a sua obra originalmente destinada aos mais pequenos tem vindo a ser lida por adultos com o mesmo prazer."

"No fundo, bem lá no fundo do corpo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
Mas todos sabem que existe.
E não só sabem que existe,
Como também sabem o que lá tem dentro.
Dentro da alma,
Lá bem no centro,
Pousado numa pata,
Está um pássaro.
E o nome desse pássaro é o pássaro da Alma.
E ele sente tudo o que nós sentimos:
Quando alguém nos magoa, o pássaro da alma agita-se para lá e para cá
Em todos os sentidos dentro do nosso corpo, sofre muito.
Quando alguém nos ama,
O pássaro da alma dá pulinhos
De contente,
Para trás e para a frente,
Vai e vem.
Quando alguém nos chama,
O pássaro da alma põe-se logo à escuta da voz,
A fim de reconhecer que tipo de apelo é.
Quando alguém se zanga connosco,
o pássaro da alma recolhe-se dentro de si,
Tristonho e silencioso.
E quando alguém nos abraça, o pássaro da alma
Que mora no fundo, bem lá no fundo do nosso corpo,
Começa a crescer, crescer,
Até encher quase todo o espaço dentro de nós,
Tão bom para ele é o abraço.
Dentro do corpo, no fundo, bem lá no fundo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
Mas todos sabem que ela existe.
E ainda nunca,
Nunca veio ao mundo alguém
Que não tivesse alma.
Porque a alma entra dentro de nós no momento em que nascemos
E não nos larga
- Nem uma só vez –
Até ao fim da vida.
Como o ar que o homem respira
Desde a hora em que nasce
Até à hora em que morre.
Decerto querem também saber de que é feito o pássaro da alma.
Ah, isso é mesmo muito fácil:
É feito de gavetas e mais gavetas.
Mas não podemos abrir as gavetas de qualquer maneira,
Pois cada uma delas tem uma chave para ela só!
E o pássaro da alma
É o único capaz de abrir as gavetas dele.
Como ?
Pois isso também é muito simples:
Com a segunda pata.
O pássaro da alma está pousado numa pata,
E com a outra – que em descanso está dobrada sob a barriga –
Roda a chave da gaveta que quer abrir,
Puxa pelo puxador, e tudo o que está dentro dela
Sai em liberdade para dentro do corpo.
E como tudo o que sentimos tem uma gaveta,
O pássaro da alma tem imensas gavetas.
A gaveta da alegria e a gaveta da tristeza.
A gaveta da inveja e a gaveta da esperança.
A gaveta da desilusão e a gaveta do desespero.
A gaveta da paciência e a gaveta do desassossego.
E mais a gaveta do ódio, a gaveta da cólera e a gaveta do mimo.
A gaveta da preguiça e a gaveta do vazio.
E a gaveta dos segredos mais escondidos,
Uma gaveta que quase nunca abrimos.
E há mais gavetas.
Vocês podem juntar todas as que quiserem.
Às vezes uma pessoa pode escolher e indicar ao pássaro
As chaves a rodar e as gavetas a abrir.
E outras vezes é o pássaro quem decide.
Por exemplo: a pessoa quer estar calada e diz ao pássaro para abrir
A gaveta do silêncio. Mas ele, por auto-recriação,
Abre-lhe a gaveta da fala,
E ela desata a falar, a falar sem querer.
Outro exemplo: a pessoa quer escutar pacientemente
- E em vez disso ele abre-lhe a gaveta do desassossego
Que faz com que ela se enerve.
E acontece que a pessoa tenha ciúmes sem qualquer motivo.
E que estrague justamente quando mais quer ajudar.
Porque o pássaro da alma nem sempre é disciplinado
E às vezes dá-lhe trabalhos...
Agora já compreendemos que cada homem é diferente do seu semelhante
Por causa do pássaro da alma que tem dentro de si.
O pássaro que em certas manhãs abre a gaveta da alegria,
E a alegria jorra para dentro do corpo
E o dono dele fica feliz.
E quando o pássaro lhe abre
A gaveta da raiva,
A raiva escorre de dentro dela e
Domina-o totalmente.
E até que o pássaro
Volte a fechar a gaveta
ele não pára
De se zangar.
E quando o pássaro está de mau humor
Abre gavetas que dão mal-estar.
E quando o pássaro está de bom humor
Escolhe gavetas que fazem bem.
E o mais importante – é escutar logo o pássaro.
Pois acontece o pássaro da alma chamar por nós, e nós não o ouvirmos.
É pena. Ele quer falar-nos de nós próprios.
Quer falar-nos dos sentimentos que estão encerrados nas gavetas
Dentro de nós.
Há quem o ouça muitas vezes.
Há quem o ouça raras vezes,
E há quem o ouça
Uma única vez na vida.
Por isso vale a pena
Talvez tarde pela noite, quando o silêncio nos rodeia,
Escutar o pássaro da alma que mora dentro de nós,
No fundo, lá bem no fundo do corpo."
Cópia na íntegra.
Fui convidada para uma sessão de leitura do livro O Pássaro da Alma. Foi algo memóravel...
Não foi fácil adquiri-lo mas já está comigo... só posso dizer que agradeço do fundo do coração a leitura que foi feita; obrigado Miguel...
Abriram-se novas gavetas na minha alma, recomendo para pequenos e grandes: uma verdadeira obra de arte.
Nota: 10/10

terça-feira, 7 de abril de 2009

Manual do Guerreiro da Luz

Sinopse: "Os textos aqui reunidos, pensamentos tão breves quanto profundos, tão belos quanto envolventes, levam o leitor a mergulhar no mais íntimo de si mesmo, em busca de sonhos antigos e desejos esquecidos, indispensáveis à nossa felicidade. O Guerreiro da Luz, personagem central deste livro, é alguém que é capaz de ouvir o que lhe diz o silêncio do seu coração, de aceitar as derrotas sem se deixar abater por elas e de construir e cumprir a sua Lenda Pessoal. Na verdade, o Guerreiro da Luz é aquilo que cada um de nós pode ser se escolher aceitar o seu destino. Como resposta a insistentes pedidos dos leitores, a Editora Pergaminho apresenta agora uma edição compacta deste Manual do Guerreiro da Luz, que poderá acompanhar cada um de nós no percurso diário do seu caminho espiritual."
Paulo Coelho continua a ser um dos meus autores favoritos; sempre actual, as suas obras estão repletas de simbolismo, mensagens e ensinamentos através da experiência da Vida.
O Manual do Guerreiro da Luz - cerca de 150 páginas de reflexões sobre a Vida, sobre o Ser Humano, sobre a aprendizagem da sobrevivência na sociedade...
«"A primeira qualidade do caminho espiritual é a coragem", dizia Gandhi.
O mundo parece ameaçador e perigoso para os covardes. Estes procuram a segurança mentirosa de uma vida sem grandes desafios, e armam-se até aos dentes para defender aquilo que julgam possuir. Os covardes acabam construindo as grades da própria prisão.
O guerreiro da luz projecta o seu pensamento para além do horizonte. sabe que, se não fizer nada pelo mundo, ninguém o fará.»
p. 136
Nota: 7/10

domingo, 8 de março de 2009

Aceitar as mudanças e adaptar-se ao mundo!

Concluí a leitura de "O nosso iceberg está a derreter". Deixem-me dizer-vos que é uma autêntica parábola à mudança, ao espírito de observação, à união e ao espírito de comunidade.
Ao lermos e reflectirmos sobre os comportamentos destes pinguins aqui personificados, estamos a ver exactamente o que se está a passar à nossa volta. A crise social, com o desemprego, os efeitos da poluição, a pobreza, o tráfico de drogas e de pessoas... são os aspectos mais marcantes da nossa sociedade e que, ao ler o livro, me obrigaram a fazer a ponte. É urgente que nos unamos para a resolução destes espinhos. Eles estão ao nosso lado. Não os podemos ignorar.

O iceberg de que nos fala esta fábula, é o nosso planeta e os pinguins somos nós. Uns são os observadores, outros os críticos, outros os professores que se preocupam em abrir janelas nas mentes dos seus alunos para que também intervenham de forma construtiva. E outros são os "opinion maker" que só falam e pouco agem.

Se todos aprendessem a saber reflectir antes de agir, se todos se unissem quando há problemas a resolver numa comunidade, todos os problemas seriam resolvidos. E tudo vai da forma como se fala e se põe o ser humano a fazer uso das suas capacidades de adaptação e de mudança. Aconselho a leitura a todos os que neste momento têm de mudar de vida e, principalmente, a quem é educador. Foram dois aspectos marcantes, para além de outros, mas que sobressaem na tomada de decisões desta comunidade de pinguins.
No entanto, acabei a leitura de outro livro de Margarida Fonseca Santos e Maria Teresa Maia Gonzalez que vem na sequência do anterior e, por isso, decidi não apresentar os meus comentários independentes.
O título é "Um Pombo Chamado Colombo". Este livro é para crianças e jovens, mas toda a trama anda à volta de um pombo-correio que ficou desempregado por causa das novas tecnologias, lá num reino distante. Todo o cenário é composto de personagens da realeza, à mistura com vocabulário dos nossos dias e a perplexidade dos pombos daquele reino ao ouvirem as belas histórias do pombo-correio Colombo, quando o despediram do palácio. Foi o trabalho que conseguiu - contador de histórias. Maravilhava todos os outros e, com essas histórias, vários são os valores humanos presentes. Torna-se um discurso cómico, porque as narradoras utilizam um vocabulário muito próximo da linguagem dos jovens com os aspectos mais recentes da tecnologia e brincando com os nomes das pessoas. Ora reparem: a ilha era Malu-ka; a praça principal chamava-se Praça do Pombal do Marquês; o rei, Mandu-Ka Rex; a rainha, Ek-Manda; o primeiro-ministro, Manda-Lá; um dos conselheiros, era o Velho Sabe-Lá; os filhos do rei, Telex, Cibernex, Comilex, Spidex, Sem-Nex, Sabichex, Metalex, Calmex, Karatex e Belex (e todos bem adequados); os pombos - o Pombástico, o Ecopombo, a Pômbola, a Pombalina, o Pomposo, o Tombo...
Bem, convido-vos a ler e a divertirem-se com os vossos filhos, alunos, colegas, sobrinhos, etc. Mas há muitos aspectos culturais que os jovens aprendem de forma lúdica e que os pode levar à pesquisa. Tem todos os ingredientes para motivar para a leitura, mas também para reflectir.

Viajem com o Colombo, divirtam-se e ponham os outros a divertir-se.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Lullaby, um hino ao mar, à compreensão

Jean-Marie Le Clézio, prémio Nobel da Literatura 2008, surpreendeu-me há poucos meses a propósito de uma pequena crónica, num dos nossos semanários.
Descobri alguém que é merecedor de um prémio de tal gabarito. E digo-o porque li Lullaby. O título é este, simplesmente. Lê-se de um fôlego, mas de quando em vez faz-nos pensar, faz-nos retroceder na leitura para apreciarmos a beleza do discurso, a sonoridade das palavras e o íntimo das personagens, que nos é apresentado sem darmos conta, subtilmente e de forma bem realista.

Esta menina, Lullaby, decidiu, um dia, não ir à escola, mas sim ir ver o mar. Ela sabia que isso lhe iria trazer muitos dissabores na escola e na família, claro. Mesmo assim a ânsia, a necessidade de estar perante o mar era mais forte. Durante alguns dias assim aconteceu. As delícias da contemplação, da descoberta, das recordações, da presença de um menino que a despertou para certos aspectos do mar e de uma casa abandonada, foram sequências descritivas que nos obrigam, nós leitores, a criar uma imagem idílica e de filme nostálgico, que nos envolve e nos fascina.

Reflectindo sobre toda a obra, Lullaby era alguém que necessitava de um amigo, de uma família e a escola nada lhe dizia. É no mar que ela descobre a luz, a evasão, o seu verdadeiro eu, o encontro consigo mesma. Aquela liberdade de pisar, molhar, olhar, saborear a maresia, escorregar pelas rochas e ... sonhar, era tudo o que ela desejava.
Mas era necessário regressar à escola. Quando aí chegou, a Directora não a compreendeu. Ameaçou-a, acusou-a de abandono dos estudos por causa de um namoradinho, sem dialogar, sem saber ouvir Lullaby. No entanto, é o seu professor Filippi, de Física, com quem ela tanto desejava falar, que a vai compreender, aceitar. Ao perguntar-lhe se tinha feito uma viagem, durante aqueles dias, ela diz-lhe que tinha ido ver o mar e tinha muitas questões a colocar-lhe. Ele concorda e conclui dizendo-lhe que também ele adorava o mar. Lullaby ficou na aula.
Este professor teve a resposta que ela esperava. O único que a compreendeu, que a ouviu e não a censurou. O mar foi o elemento de união, de compreensão.

Esta narrativa é um hino ao mar e à compreensão de que o mundo anda tão esquecido. Nos dias de hoje impera a incomunicação. Às vezes, basta uma palavra ou pequena expressão (um clic) para que todo o diálogo aconteça e tudo se solucione.

"Le plus important c'est la mer: elle recouvre, efface toute chose" (O mais importante é o mar: ele esconde, faz esquecer tudo) - é a frase com que termino e que consta da contracapa. A metáfora serve para todos nós.

Nota: Lullaby, em inglês signifiva canção de ninar. Não foi por acaso que Le Clézio escolheu este título. Lullaby, uma jovem que mais não desejava do que ouvir a bela canção do mar e deixar-se embalar, esquecer, deambular, tal como as mães fazem aos seus filhos para os adormecer. É lindo...