sábado, 16 de maio de 2009

Nova aquisição - O Beijo , a Paixão de Gustav Klimt

"Na glamorosa Viena de fin de siécle, a jovem filha de uma família burguesa, Emilie Flöge, conhece aquele que viria a ser o pintor austríaco mais famoso de todo o século XX - Gustav Klimt. A pedido do pai de Emilie, esta torna-se sua protégée, iniciando-se na arte do desenho e no meio criativo e libertino dos estúdios dos artistas. Intensa e tempestuosa, a relação da jovem Emilie com o pintor boémio vai assumindo, com o tempo, as tonalidades de uma paixão inconfessada, mas a que nenhum dos dois consegue opor resistência. Emilie torna-se sua amante, musa inspiradora da sua obra-prima, O Beijo, e seu grande amor. Com uma sensualidade vibrante, a prosa de Hickey transporta-nos para a atmosfera de elegância cosmopolita dos cafés vienenses, da ópera, das tertúlias, de uma comunidade de artistas extraordinária que agita a sociedade de Viena criando novos movimentos na arte. Um romance de estreia admiravelmente bem escrito, fascinante e encantatório como a própria pintura de Klimt."

Adoro este quadro deste famoso pintor.

Quando vi o livro O Beijo, a Paixão de Gustav Klimt de Elizabeth Hickey, não consegui resistir...
É a minha última aquisição.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Feira do livro em Lamego

A Câmara Municipal de Lamego vai realizar, no Parque da Cidade (Largo da Feira), a Feira do Livro de Lamego, de 17 a 24 de Maio.
Através do lema “Viver com livros”, a feira pretende oferecer aos seus visitantes um vasto programa de actividades artísticas e educativas.

"A Feira do Livro de Lamego, organizada pela Câmara Municipal de Lamego, pretende ser um evento fundamental para a divulgação do livro e fomento de hábitos de leitura, de modo a contribuir decisivamente para o aumento do nível de literacia e a promoção de Lamego como cidade de cultura.
A organização do espaço pretende ser dinâmica e atractiva onde o livro é o centro das actividades culturais. Contando com a presença, já confirmada, das livrarias existentes no concelho que vão assegurar a exposição de uma ampla montra de novidades editoriais, os visitantes ao deslocarem-se a este novo certame vão poder assistir a um programa complementar de animação cultural, marcado pela excelência e ecletismo. Neste contexto, merece especial destaque a realização de apresentações literárias, tertúlias, actuações musicais e exposições diversas.
Além dos espaços para as editoras existe mais um espaço de apoio à realização de eventos: o auditório, bem como um ateliê criativo que funcionará durante toda a feira.
A cerimónia de inauguração da primeira Feira do Livro contará com a presença do escritor Fernando Dacosta e a sessão de encerramento com a participação do jornalista Camilo Lourenço. A realização de um encontro de escritores locais, agendado para 22 de Maio, é outro momento alto do programa oficial da animação cultural."

Mais informações em: http://www.cm-lamego.pt/

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A leitura

“Leia vagarosamente, bovinamente, ruminando, brincando com as palavras, sem querer chegar ao fim, como se estivesse fazendo amor com a pessoa amada. A leitura leva-nos por mundos que nunca existiram e nem existirão, por espaços longínquos que nunca visitaremos. É desse mundo diferente, estranho ao nosso, que passamos a ver o mundo em que vivemos de uma outra forma.”
Rubem Alves, via Isilda Afonso.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Salta Folhinhas...

A nossa Kris vai lá estar... a contar histórias...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

marés de inverno

Sinopse: " «– A minha memória tem buracos que não consigo preencher – disse-me em tom triste. – Quero recordar a nossa juventude, mas tudo parece desligado. Tu podias escrever acerca de nós, vasco, sempre tiveste jeito para essas coisas.» Deitado numa cama de hospital para morrer, Michael vai perdendo a clareza das memórias de rapaz, quando o seu mundo era apenas um grupo de amigos surfistas e a enorme paixão pelo mar que os mantinha unidos.Vasco assiste ao crescente sofrimento do amigo, ao afastamento da mulher que ama, ao despontar de uma paixão, à morte dos que mais estima, e aperta as rédeas do tempo para cumprir a sua promessa: escrever a história da sua juventude."
Tenho andado a roubar muitas horas do meu sono para ler, enquanto o corpo não reclamar , vou continuando a ler, a ler e a ler. Por mero acaso, foi-me dado a conhecer o romance "marés de inverno" através do blogue Marés de inverno.
Quando iniciei a leitura deste livro, ontem à tarde, nada me fazia prever que o ia devorar avidamente e com tanto entusiasmo.
Fiquei agradavelmente surpreendida, sou sincera! Por um lado, não sendo fã de surf, não pensei que através da leitura deste romance pudesse aprender tanta coisa sobre este desporto; por outro lado sendo uma estreia deste autor, Luís Miguel Raposo, não sabia muito bem o que me esperava...
Pois bem, agradeço ao blogue Marés de inverno pela divulgação do romance. Amei, adorei desde a primeira linha até à última letra. A escrita deste autor é envolvente, rica e pormenorizada; o leitor é sugado para o interior do romance através da explosão de sentimentos e acontecimentos trágicos, que podem e acontecem a qualquer um de nós, nos nossos dias. Luís Miguel Raposo usa e abusa de uma linguagem acessível mas ao mesmo tempo cheia de vocabulário requintado. Achei curioso a marca línguística que deixa no romance: não utilisa maiúsculas excepto em algumas situações bem precisas. As descrições são fabulosas e intensas, em vários momentos cruciais do romance, somos transportados através de sentimentos de amor e de dor como se fosse o nosso "eu" a sentir...
Muito poderia ainda dizer sobre este livro que me fascinou, mas vou deixar-vos descobrir o resto.
Parabéns a este autor que como indica a capa é sem dúvida o "autor-revelação de língua portuguesa" e acredito que ainda vai dar muito que falar.
Nota: 9/10

domingo, 10 de maio de 2009

A Escriba

Sinopse: "Alemanha, ano 799. Carlos Magno, em vésperas de ser coroado imperador do Ocidente, encarrega Gorgias, um ilustre escriba bizantino, da tradução de um documento de vital importância para o futuro da Cristandade. O trabalho deverá ser executado no mais absoluto segredo. Entretanto, Theresa, filha de Gorgias e aprendiz de escriba, é falsamente acusada de um crime e procura refúgio na cidade alemã de Fulda, perdendo o contacto com o pai. Aí, conhecerá Alcuino de York, um frade britânico que investiga uma terrível epidemia que assola a população. Quando Theresa é informada do desaparecimento misterioso de Gorgias, ela e Alcuino embarcam numa aventura inquietante para o encontrar e infiltram-se numa teia conspirativa de ambição, poder e morte, em que nada nem ninguém é o que parece e da qual depende o futuro do mundo ocidental.Combinando o rigor histórico com uma prosa de ritmo trepidante, este romance de Antonio Garrido conduz o leitor por cidades, claustros e abadias medievais, num thriller apaixonante inspirado em factos reais."
Ler este romance histórico foi um autêntico prazer.
Confesso que não ia com grandes expectativas; ultimamente nem tudo o que se tem escrito neste género literário tem sido de referência.
Todavia a leitura deste romance foi deliciosa, um thiller deveras apaixonante. As personagens são autênticas, sinceras, com defeitos e qualidades. Facilmente entramos na história com paixão. O enredo é fascinante, surpreendente e de difícil previsão... Adorei as descrições sobre os pergaminhos e sobre a árdua tarefa de ser escriba!
Um enigma que temos que decifrar até ao final do romance...
"Um romance histórico deve ser, antes de ser história, um romance. A documentação não é senão a ornamentação, o verniz que dá brilho às personagens, o invólucro que as legitima e as torna verosímeis."
António Garrido - p.552
Nota: 8/10


sábado, 9 de maio de 2009

A criança e a vida

Emprestaram-me este livro (que vou ter de adquirir para a minha biblioteca), resultado de um projecto realizado numa escola nos anos 60 em Portugal, esta obra já foi editada 43 vezes.
Maria Rosa Colaço foi inovadora, corajosa e conseguiu cativar o coração de crianças e jovens classificados pelo director da escola como "escória". Esta colectânia é o resultado fantástico de uma professora que empenhadamente conquistou o coração dos seus alunos através do amor e da amizade.
Fiquei ricamente comovida com os trabalhos destas crianças que falam sinceramente o que sentem, sem complexos, sem medos... mas que são sofridos no coração e na alma.
"Os meus passos são de flores.
Eu, uma vez, pisei o sol,
mas não o magoei porque
os meus pés são pequeninos."
____,,____
"A morte é o sossego das flores
Eu acho que ela é um homem amarelo.
Eu, se visse a morte ao pé de mim, atirava-me
duma janela abaixo: antes queria morrer sozinho."
Victor Pinho (8 anos)

Todos os textos estão exactamente como foram escritos originalmente pelas crianças de modo a serem completamente autênticos.
Recomendo muito a leitura deste livro: as crianças falam com o coração aberto... A leitura de alguns textos (prosa ou poesia) acaba mesmo por ser, em determinados momentos, dolorosa.
Nota: 10/10

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Os Dez Direitos do Leitor

Os "10 Direitos do Leitor", de Daniel Pennac no seu excelente livro Como um Romance aqui ilustrados, com grande sentido de humor, por Quentin Blake.

Estes são só dez... Não que se tenham esgotado os direitos de quem lê, mas para ficar uma continha redonda de associações bíblicas.


Direitos Inalienáveis do Leitor:

O direito de não ler.
O direito de saltar páginas.
O direito de não acabar um livro.
O direito de reler.
O direito de ler não importa o quê.
O direito de amar os “heroís” dos romances.
O direito de ler não importa onde.
O direito de saltar de livro em livro.
O direito de ler em voz alta.
O direito de não falar do que se leu
.
Daniel Pennac, Como um Romance, Ed. ASA, 1992, p. 155

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Rude (A)gosto no olhar

Ando a dedicar-me à poesia... Tenho tido boas recomendações e por isso vou lendo devagar cada livro que me indicam, abraçando cada poema e digerindo suavemente as suas mensagens.
Este pequeno livro (fabuloso) foi-me oferecido por um amigo escritor e contém poemas deveras bonitos cheios de sentimentos e mensagens.
Deixo-vos apreciar, esperando despertar também em vocês o prazer de ler Poesia.
Cumplicidade
Entreter o tempo
é a minha distracção
enquanto espero por ti,
em qualquer espaço,
esperanço numa troca
de olhos cheios
de cumplicidade.
O teu corpo baloiçante,
a tua pele
provocaram-me
e sinto que, lentamente,
nos queremos.
___,,___
Minha terra
Minha terra
que encerras
tantas fontes!
Oh, Serra de Bornes,
qual Marão meditador,
quando te vejo
és meu canto embalador.
Rumo em direcção
ao nosso mundo.
Vejo a gente a labutar,
arados, enxadas, jeiras,
romarias, enrugados montes...

Oh, Trás-os-Montes,
terra rude e franca
que me encantas
e embebedas
e enrijeces com nevadas
minhas fontes!...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Parabéns Isilda


Hoje é um dia muito especial para a Floresta das Leituras, a nossa querida colaboradora e Amiga incansável Isilda Afonso faz hoje anos...
Muitos Parabéns cheios de carinho, de amizade e de leituras.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Recados da Mãe - Conselhos do Céu

“Recados da mãe” relata-nos a vivência de duas irmãs que tiveram a desdita de ter perdido a mãe, quando tinham apenas dez e seis anos de idade.
Clara, a irmã mais velha, e Leonor, a mais nova, passaram a ter uma vida completamente diferente da vivida até ali.
Permaneceram algum tempo em casa do pai, pessoa com quem já não viviam à morte da mãe, mas pouco tempo depois, decidiu que as suas filhas passariam a residir nos arredores de Coimbra, com a avó materna, numa autêntica quinta de senhores abastados.
Durante a estada na quinta, Clara e Leonor iam à Igreja com a avó que lhes dava lições de catequese e as ensinava a rezar. Clara, embora rebelde e muito revoltada com a vida, mostrava-se muito interessada e sempre atenta às explicações da avó, sobre a vida dos santos.
Aproximava-se o início do novo ano lectivo. A avó decidiu que as suas netas deveriam frequentar um colégio como alunas internas, na cidade de Coimbra.
O silêncio que reinava naquele lugar perturbava Leonor, sentindo-se por vezes oprimida. O mesmo não acontecia com Clara que, quase desde os primeiros momentos a capela passou a ser o centro das suas atenções e o seu refúgio.

Nas conversas de ambas, era sempre lembrada a mãe. Era a Clara que “mentia” à irmã, dizendo-lhe que nos seus sonhos a mãe dava conselhos e indicava sempre o melhor caminho a seguir, para que a Leonor aceitasse muitas situações mais desagradáveis que iam surgindo no dia-a-dia. E tudo se resolvia… Aos vinte e um anos, depois de completar os estudos, numa tarde de Agosto, Clara comunicou à avó e à irmã que queria ser missionária, que brevemente viajaria para África e esperava aplicar os conhecimentos que tinha adquirido, junto de crianças órfãs, em Moçambique ou noutro país qualquer onde pudesse ser útil.
A avó nem queria acreditar! Mas foi exactamente o que aconteceu.
Leonor vive na quinta que era da avó Matilde, tendo remodelado parte da casa, e pintado o exterior de cor-de-rosa, para concretizar os sonhos de infância das duas irmãs.
Clara, após a ida para Moçambique, veio a Portugal apenas uma vez, para ser madrinha da primeira filha adoptiva da sua irmã. Regressou novamente passados vinte anos, para o casamento da afilhada.

Esta história dá-nos a conhecer o drama das crianças que ficam órfãs. No entanto, estas irmãs sempre se apoiaram e tudo venceram. O verdadeiro amor maternal foi, quem sabe, verdadeiramente transmitido pela sua mãe. E a comprová-lo, mais uma vez, está o facto de cada uma seguir rumos diferentes na sua missão de mãe: uma adoptou uma criança e a outra (freira) ajuda, educa e forma crianças abandonadas, vítimas da guerra e…. aquelas que perderam a sua mãe.

É uma história de AMOR, mas não de um amor vão. O amor de mãe nunca é esquecido, por muitas agruras e “tempestades” que nos atinjam. Leiam com os vossos filhos ou com os vossos alunos.

A propósito: recomendo-vos a leitura dos volumes I, II e III da obra "Histórias do Céu" desta escritora. São histórias e lendas que nos ensinam, nos valorizam o nosso saber e podem ser abordadas na escola, em casa, na catequese, em grupos de jovens... São histórias com sumo.

Isilda Lourenço Afonso

Sangue de Dragão

Sinopse: "Nas veias de Aelanna corre o sangue de dragão, herança do pai há muito desaparecido, e que a faz sentir-se diferente de todos os outros Elfos. Empreende então uma longa viagem em busca de uma solução para o seu problema. Durante a viagem, Aelanna será obrigada a rever tudo o que sempre lhe foi ensinado sobre o mundo. Mas há uma ameaça que se vislumbra e contra a qual toda a resistencia parece inútil."
Quando comprei este livro, fiquei logo com imensa vontade de o ler. Adepta convicta de romances de high fantasy, não consegui resistir-lhe durante muito tempo. A verdade é que o li em pouco mais de 24 horas (benditos fins-de-semana prolongados)...
O que eu achei?
Está muito bem escrito, acompanha-se muito bem o enredo. Diferente e inovador, gostei das personagens (todas muito bem descritas e extravagantes) que se vão juntando a "peregrinação"; no entanto, sou sincera acho que lhe falta um pequeno ingrediente bastante relevante neste género de romances... um pouco mais de paixão.
Acredito que a autora vai evoluir nesse sentido e que o próximo romance será certamente ainda melhor do que este.
Acho que é de valorizar esta autora por se lançar num género literário "pouco tradicional" na literatura portuguesa.
Nota: 7/10

domingo, 3 de maio de 2009

Mãe

Finalmente lemos o livro que tínhamos guardado para o dia da mãe.
Como devem adivinhar foi um momento especial de leitura, de partilha, de risota, de mimos e carinhos.
Uma história muito ternurenta entre uma mamã ursa e o seu filhote... Recomendo a sua leitura, mas principalmente recomendo a todas as mães a dedicarem 5 minutos com os seus filhos todos os dias para breves momentos de leitura. Serão certamente momentos de grande ternura.

E como é dia da Mãe, não faltaram os beijinhos, os mimos, os abraços, os desenhos e os presentes da praxe... Adivinham o que foi?
Nem mais.
Dois livros para acrescentar à minha longa lista de leituras.
Obrigado Princesas :O)

sábado, 2 de maio de 2009

Obrigado ao blogue Estante de Livros

Agradecemos ao blogue Estante de Livros a divulgação da nossa Floresta de livros através do questionário seguinte. Muito Obrigado Canochinha, Cristina e Memphis!
:O)

Questionário (XVII)
Sábado, 2 de Maio de 2009 por Canochinha

1 - Como surgiu a ideia de criares um blog sobre livros?
A Floresta das Leituras é um projecto (muito recente) que envolve 5 membros, todos ligados ao ensino da Literatura e da Língua Portuguesa. Todas nós temos paixão e amor pela leitura, por livros, por letras, e afins...A ideia surgiu para darmos a conhecer as nossas leituras, sejam elas lúdicas ou mais teóricas. Como todos os membros estão ligados ao ensino, pareceu-nos ser um bom veículo de transmissão de conhecimentos literários e não só, para os nossos alunos e para a comunidade educativa que nos rodeia.Engraçado é verificarmos que temos gostos bastante diferentes umas das outras, o que com certeza, virá a enriquecer o nosso espaço.

2 - És uma leitora rápida?

Quantos livros lês, em média, por mês? Se sou uma leitora rápida? Considero que sim. Não consigo ter a noção da quantidade de livros que leio por mês, na medida em que alguns são para pesquisas, trabalhos e bastante teóricos. No que diz respeito a livros mais lúdicos... talvez uns três ou quatro por mês, isto se as minhas outras leituras me dão oportunidade para isso. Gosto também de ler com as minhas filhas, não só para lhes incutir o mesmo gosto pela leitura como também para conhecer o que se escreve para os mais pequenos e mais jovens.

3 - Qual é o teu livro preferido de sempre e porquê?

Difícil... gosto de tantos. No entanto, adoro todos os livros da Juliet Marillier e de Sandra Carvalho, sou fã incondicional de Eça de Queiroz, devoro todos os romances históricos... Referir só um é complicado mas talvez A Casa da Floresta de Marion Zimmer Bradley, mas parece injusto referir este e deixar outros na retaguarda.

4 - O que te leva a identificares-te com uma personagem/história?
Para me identificar com uma história ou com uma personagem, apenas é necessário a imaginação, no entanto sou exigente com a escrita, com o modo como são caracterizadas as personagens e os espaços... Depois é só entrar no livro e viajar.

5 - Género literário preferido e que livro recomendarias dentro do mesmo?
Sem dúvida High Fantasy e os romances históricos. Recomendo ... A Saga das Pedras Mágicas ou então A Conspiração do Graal.

6 - O que achas das adaptações cinematográficas de livros?
Na grande maioria dos casos não fazem justiça ao livro... Prefiro ler o livro depois de ver as adaptações no cinema, caso contrário fico bastante desiludida com o vejo a seguir à leitura do livro.
7 - Qual é a tua opinião sobre os e-books?
Mandaram-me há pouco tempo o livro Equador, não consigo pegar-lhe... Gosto de sentir os meus livros na mão, de os cheirar e de olhar para eles nas prateleiras. Paciência para as novas tecnologias, mas neste ponto não dispenso o bom papel e o virar das páginas. Existem também já disponíveis alguns livros em CD para ouvir nas longas viagens de carro, aproveita-se assim esse tempo para ouvir os livros... Definitivamente, não é para mim!!!!

8 - Tens alguma ideia sobre o que deveria ser feito para aumentar os índices de leitura em Portugal?

Como educadora/professora deparo-me com esse problema todos os dias, como já referi anteriormente, o nosso blogue é mais uma das estratégias para a motivação para a leitura.Para aumentar os índices de leitura em Portugal, é necessário uma consciencialização por parte dos professores, pais, amigos e familiares para incentivar e ler com os mais pequenos e jovens. Na minha opinião o gosto da leitura nasce e cresce quando vemos os outros a ler: quando lêem connosco e debatem os temas dos livros em conjunto.

9 - A leitura é uma paixão que nasce connosco ou está mais dependente de factores externos (muitos livros em casa desde a infância, etc.)?

Penso que a resposta já foi dada na pergunta anterior, no entanto acredito que os factores externos, como ter vários livros em casa, ver familiares a lerem, é muito importante, aliada à dita pré-disposição para a leitura.

O Velho que lia romances de amor

Sinopse: "Antonio José Bolívar Proaño vive em El Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamín, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses gringos e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias. Descrito numa linguagem cristalina e enxuta, as aventuras e emoções do velho Bolívar Proaño há muito conquistaram o coração de milhões de leitores em todo o mundo, transformando o romance de Luis Sepúlveda num "clássico" da literatura latino-americana."

Comecei a ler este romance ontem à noite e acabei-o... durante a noite, a verdade é que se lê muito facilmente. A história que Luis Sepúlveda nos relata, prende-nos do início ao fim.
Logo na terceira página, fiquei fascinada e pensei para mim "vou de certeza gostar deste livro" e querem saber porquê...
"Na minha mochila, na aldeia shuar, tinha As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, de Pablo Neruda, e La Linares, do escritor equatoriano Ivàn Egüez, mas não olhara para eles durante todo este tempo, ocupado como estava em aprender a ler a selva." p.9

Primeiro porque fala de Pablo Neruda e deste livro fantástico de poemas, do qual já fiz um post e que continua na minha mesa de cabeceira... ainda ando a digerir cada poema, cada verso, cada palavra. Depois porque adorei a expressão "aprender a ler a selva".

Uma história diferente de um velho que lia romances de amor; género literário que "verdadeiramente desejava" como diz na página 64 após ter experimentado outros géneros...

A nossa querida amiga Lídia dizia há dias, numa formação sobre o prazer da leitura, que temos de deixar as nossas crianças ler tudo, experimentar vários tipos de textos até elas descobrirem realmente aquele que mais lhes convém.

Pois bem Lídia, aqui tem mais um exemplo dessa verdade: aconteceu o mesmo com António José... Leu, leu e leu tudo o que podia ler no meio da selva, até escolher os romances de amor, mas nem todos... mas isso não vou contar... Vão ter de ler o romance e descobrir qual os ingredientes secretos dos romances de amor que ele realmente ansiava por ler.

Nota: 8/10
:O)