quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cartas Inéditas de Fradique Mendes - Eça de Queiroz

As Cartas Inéditas de Fradique Mendes e mais Páginas Esquecidas não é habitualmente uma obra de tão grande referência quanto outras, do nosso clássico Eça de Queiroz.

Todavia, não deixa de ser uma obra com todos os requintes habituais que reconhecemos neste autor da Literatura Portuguesa. Várias cartas inéditas... e mais algumas páginas que Eça de Queiroz terá supostamente esquecido...?
Nestes dias tão cinzentos devido à chuva, várias vezes me lembrei de um conto que se intitula: “Um Dia de Chuva”.

A narrativa deste pequeno texto inicia-se depois do protagonista, José Ernesto, se ter instalado no “casarão do século XVI, deshabitado”, na Quinta de Loures, após ter saído da cidade de Lisboa. A personagem chega a um "casarão" desmobilado e praticamente “inabitável”, todavia com o passar do tempo, José Ernesto começa a afeiçoar-se ao local, mesmo sem as comodidades da cidade, valorizando a antiguidade do casarão.

Após uma viagem até à respectiva quinta, o apetite desta personagem aumenta pela pureza do ambiente rural, e só é saciado por uma alimentação mais tradicional e saudável, que serve como primeiro elemento de adaptação às serras como podemos notar na citação seguinte:

“E aquella gostosa cozinha de província que encantaria os amigos de Lisboa quando elle os hospedasse, mais o impacientava contra a chuva teimosa que lhe permittia visitar a quinta, fazer logo uma idéa das suas vantagens e dos outros prazeres ruraes que alli o esperavam”.

A visão da cidade é uma visão negativa em que se critica tanto os tons cinzentos associados aos prédios e ruas das cidades de Lisboa parecidas com “pedreiras”, como a falta de espaço e de liberdade dos indivíduos conforme refere o padre Ribeiro: “a gente, (…) n’aquelles cubículos, morre suffocada”, e ainda a solidão inerente à cidade, “vazia e estéril”, associada à desumanização dos seres “entre a indiferença e a pressa da Cidade”.

Eça de Queiroz é, a meu ver, o Mestre na arte de descrever personagens e situações; a sua escrita é bastante actual tendo sido sem dúvida alguma, um visionário no século XIX, apercebeu-se das grandes problemáticas e modificações da sociedade que iriam influenciar os séculos vindouros...
Nota: 9/10

2 comentários:

Pedro disse...

Simplesmente adoro Eça de Queirós =)))

Cristina Bernardes disse...

Já somos dois, obrigado Pedro!