domingo, 22 de fevereiro de 2009

A maior flor do Mundo

É Preciso Inovar
A Comissão Europeia propõe que 2009 seja o “Ano Europeu da Criatividade e Inovação”.
John MacDonald, porta-voz da Comissão Europeia, responsável pela Educação, Formação, Cultura e Juventude, considera ser de extrema importância a promoção da criatividade e inovação para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais pela vida fora, para a globalização e para a própria economia, e encoraja os Estados-membros a trabalharem juntos neste projecto.
Perfilho e aplaudo esta proposta. Sim, creio que, muitas vezes, a solução para graves problemas reside numa combinação talentosa de criatividade e inovação. Mas eu penso que é preciso, sobretudo, inovar mentalidades, percepções, posturas, atitudes… É urgente criarmos novos hábitos, novas práticas de pôr em acção o que julgamos indispensável.
De facto, consideramos que é absolutamente imprescindível cuidar do nosso planeta (da nossa casa, afinal!) e que isso é responsabilidade de TODOS NÓS. Aprovado por unanimidade. Disto ninguém tem dúvidas! Mas, na verdade, esta convicção inabalável é desgastada pela correria do dia-a-dia e, quando damos conta, “TODOS” passam a ser OS OUTROS e tranquilizamo-nos, pensando: “Afinal, mais um, menos um, não faz diferença nenhuma!”, esquecendo uma regra elementar: o todo é a soma de todas as partes.
E quem fala do Planeta, fala de outros aspectos. Fala, por exemplo, da Economia, da Educação… Cada vez mais, no mundo actual, é preciso trabalhar em conjunto, em equipa, em parceria, e isso só funciona quando cada um de nós tomar a verdadeira consciência de que é parte integrante e fundamental de uma engrenagem, na qual desempenha um papel insubstituível, e que só funciona quando todos, isto é, cada um de nós não se demitir das suas funções. Quando cada um de nós estiver disposto e tiver a humildade (ou a inteligência) de aprender com os outros, por exemplo, com os seus pares, com as crianças…
Às vezes, cometemos o erro de pensar que precisamos de fazer coisas geniais, extraordinariamente abrangentes, para salvar o mundo e logo desanimamos ao pensar que isso está fora do nosso alcance (as inovações são para os génios!). Pois eu penso que não é esse o caminho certo. Creio que as grandes obras resultam do somatório articulado, persistente e sistemático de coisas simples, de pequenos gestos e atitudes do dia-a-dia, bem à nossa dimensão, à nossa pequenez, e resultantes da nossa convicção, empenho e criatividade, que cada um procura desenvolver ao máximo para criar um futuro mais risonho, não apenas o seu, mas o de uma sociedade na qual está inserido.
E, nesta linha de pensamento, surgiu na vitrina da minha memória um livro que já li há algum tempo, mas que fui buscar à estante para reler. Bom sinal, pois muitos livros se lêem, mas poucos se relêem, na minha opinião. Eu reli: A Maior Flor do Mundo, de José Saramago. E confesso que o achei ainda mais delicioso, desta vez. Talvez porque já conhecia a história e fiquei mais disponível e atenta a outros pormenores. Talvez porque tive hipótese de estabelecer novos diálogos com o texto, de preencher mais espaços em branco… Ou, talvez, porque, como diz André Maurois, “A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” E a minha alma respondia a cada passagem, a cada palavra, a cada espaço em branco. Achei o livro fantástico!
Começa, assim, o autor: “As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar…”. Pois eu acho que Saramago escolheu, com mestria, as palavras e deu provas de um jeito fascinante de contar essas histórias.
Fala de um menino que salta de “árvore em árvore como um pintassilgo” e se dedica “à vagarosa brincadeira que o tempo alto, longo e profundo da infância a todos nós permitiu…” E eu habitei, por momentos, a minha infância…
E, nesta inebriante felicidade e liberdade, o menino andou, andou, por caminhos sem fim, até que chegou ao cimo de uma imensa encosta, onde só havia uma flor. “Mas tão caída, tão murcha, que o menino se achegou de cansado.”
Bem, o que se passa daqui para a frente eu não vou contar, até porque perderia toda a beleza, só lendo… O autor passa da prosa à prosa poética, de novo volta à prosa, mas cada palavra, cada expressão desperta múltiplas sensações, emoções, e dá provas de uma singular arte de escrever. A história é muito curta, mas a lição é GRANDE.
E termina desta forma: “Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...”
Não resisto em citar o que está na contra-capa do livro e que achei provocatório (bem ao jeito de Saramago), mas fantástico: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”
Mas, afinal, o que tem a ver este livro com o assunto inicial? Por que razão apareceu ele no fio da meu pensamento?
Leiam-no e descobrirão facilmente porquê.

Lídia Valadares

8 comentários:

Cristina Bernardes disse...

Obrigado Lídia pelo seu contributo.
Beijinhos!

isilda disse...

Salut, Lídia!

Tinha de ser. Eu já conheço a obra e por isso tenho de te dizer que o teu bom gosto continua operacional. Nem podia deixar de ser. O Saramago tem histórias bem interessantes para os jovens e devem ser divulgadas na hora.

Isilda Lourenço Afonso

Mónica disse...

Desconhecia por completo esta obra. Muito obrigada pela divulgação de mais uma obra fantástica de Saramago.

Joana Pinto disse...

Eu já a li e é absolutamente maravilhosa!
Sigam o link e ouçam o próprio autor a narrar a estória:

http://devaneiosdulcissimosamarissimos.blogspot.com/2008/07/la-flor-ms-grande-del-mundo-jos.html

Beijo*
Joana Pinto

Livros e Outras Coisas disse...

Deixei duas flores no LOC para a floresta mágica. :)

anareis disse...

Estou fazendo uma campanha de doações para criar uma minibiblioteca comunitaria na minha comunidade carente aqui no Rio de Janeiro,preciso da ajuda de todos.Doações no Banco do Brasil agencia 3082-1 conta 9.799-3 Que DEUS abençõe todos nos.Meu e-mail asilvareis10@gmail.com

Cristina Bernardes disse...

Obrigado Joana pela dica...
Loc, agradecemos os prémios!

Eu... disse...

Obrigada Cristina pela Dica de mais esta informação sobre este livro! Muito interessante este post! Beijos