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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Biblioteca Digital Mundial

Foi aberta na passada terça-feira em Paris a Biblioteca Digital Mundial, sobre a égide da Unesco.


Para quem gosta da investigação, da literatura e história, de consultar e ler comentários e manuscritos raros, tem aqui um manancial de informação.
 
Visite e disfrute deste novo espaço...
 
Cortesia do blogue Cogitar - Via Manuel Afonso

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Obsessão do Fogo

"O e-book não matará o livro", "O livro não morrerá" são afirmações assertivas de dois amigos e homens que amam a cultura. Humberto Eco (um semiólogo e sociólogo) e Jean-Claude Carrière (argumentista de filmes) encetam uma verdadeira cruzada em torno dos livros e das bibliotecas ao longo de milhares de anos, cruzando pontos de vista, estórias e reflexões que os levam a reflectir sobra a idiotia e a imbecilidade do mundo, acabando por revelarem a eterna preocupação do Homem pelo fogo, principalmente em relação às bibliotecas. Todos sabemos que foi exactamente o fogo o grande responsável pelo desaparecimento de bibliotecas famosas e a perda incalculável de livros e incunábulos que testemunhavam a História da Humanidade.
É uma obra que proporciona cultura e nos desafia à reflexão sobre questões que nunca nos passaram pela ideia, mas que são reais, para se concluir que o livro é a nossa memória. Há, no entanto, uma passagem que não posso deixar de vos transcrever e que se relaciona com Portugal, contada por Humberto Eco, para mostrar o quanto se dá valor aos livros em determinadas sociedades (neste caso, a nossa). Conta ele:
"Vou contar-lhes uma história divertida. Visitei a biblioteca de Coimbra, em Portugal. As mesas estavam revestidas de um pano de feltro verde, um pouco como mesas de bilhar. Pergunto as razões dessa protecção. Respondem-me que é para proteger os livros dos excrementos dos morcegos. Porque não eliminá-los? Muito simplesmente porque eles comem os vermes que atacam os livros. Ao mesmo tempo, o verme não deve ser radicalmente proscrito e condenado. É a passagem do verme pelo interior do incunábulo que nos permite saber de que modo as folhas foram ligadas, se não há partes mais recentes que outras. As trajectórias dos vermes desenham, por vezes, estranhos padrões que emprestam um certo carácter a livros antigos. Nos manuais destinados a bibliófilos, encontramos todas as instruções necessárias para nos protegermos dos vermes. Um desses conselhos é utilizar o Zyklon B, a mesma substância usada pelos nazis nas câmaras de gás. É certo que mais vale empregá-la para matar insectos do que homens, mas faz uma certa impressão. Um outro método menos bárbaro consiste em colocar um despertador, daqueles que possuíam os nossos avós. Parece que o seu ruído regular e as vibrações que transmite à madeira dissuadem os vermes de sair dos seus esconderijos".

Responde Jean-Claude Carrière: "Por outras palavras, um despertador que adormece (pp. 281-282)".

Torna-se engraçado, mas aprendemos algo. Este diálogo, em jeito de reflexão, proporciona não só ideias como ferramentas culturais que nos enviam a uma aturada pesquisa sobre os livros e a cultura. E nesta época sitiada, incerta, em que o primeiro dever de cada um é, sem dúvida e quando possível, favorecer as trocas entre saberes, experiências, pontos de vista, projectos e esperanças, que todas estas tarefas serão possíveis com os livros e o diálogo entre culturas para que uma sociedade exista verdadeiramente.

Valorizemos o livro e as bibliotecas.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Biblioteca ao longo dos tempos

A palavra “Biblioteca” vem do grego, bibliothéKe (biblio - livros + théKe - armazém), significando armazém de livros. A origem das bibliotecas remonta a tempos longínquos, sendo a sua existência milenar, contudo a sua função e utilização tem sido muito diversa através das épocas.
Há cinco mil anos, os Sumérios já dispunham de bibliotecas, onde existiam obras escritas em placas de barro, cuidadosamente catalogadas. Na Antiguidade, várias bibliotecas deixaram uma marca indelével na História, pela sua grandiosidade e valor do acervo, salientando-se as de Alexandria, de Pérgamo, de Atenas, de Constantinopla, entre outras. Na Idade Média, as bibliotecas estavam confinadas aos conventos e deve-se aos monges a preservação de grandes obras, muitas das quais copiaram. No entanto, também mantinham em segredo ou destruíam obras que não eram aceites pela Igreja Cristã. (Recorde-se, a este propósito, “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, que ilustra esta situação.) Nessa época, os livros estavam presos às estantes, para evitar o seu furto e a utilização das bibliotecas era muito restrita, pois a sua localização tornava-as pouco acessíveis e a maioria da população era analfabeta.
Vários foram os materiais usados para a escrita, pela humanidade, durante séculos: cascas de árvore, placas de barro, papiro, pergaminho, cânhamo, trapos velhos… Mas só a partir da fabricação do papel, no século XII, e da invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, se verificou uma crescente difusão do livro e surgiu uma nova época para a difusão da cultura.
No decorrer dos séculos XVI e XVII, a arte de ilustrar livros foi alvo de consideráveis progressos e os governantes empenharam-se em tornar as bibliotecas acessíveis ao público. O século XVIII caracterizou-se pelo gosto dos conhecimentos e estes locais registaram um número crescente de leitores. Em Portugal, são dignas de destaque as Bibliotecas de Coimbra e de Mafra, no reinado de D. João V. Nos séculos XIX e XX, verificou-se um incremento da produção literária e todos os países civilizados desenvolveram imenso a criação e a organização de bibliotecas, destacando-se a preocupação de não as limitar apenas aos grandes centros, mas de as levar, também, aos sítios rurais. Surgiram, assim, as primeiras bibliotecas itinerantes, criadas pela Fundação Calouste GulbenKian, que descentralizaram o conhecimento, tornando o acesso aos livros possível nos locais mais recônditos.
Em pleno século XXI, assistimos a uma nova metamorfose da biblioteca, que se nos apresenta numa forma híbrida, isto é, com espaços, serviços e colecções simultaneamente físicos e virtuais, em que as novas tecnologias da informação e da comunicação, em parceria com o material livro/documentos escritos, procuram dar resposta às solicitações e expectativas diversificadas dos nossos dias.
A expansão das bibliotecas tem acompanhado o desenvolvimento da civilização e estas instituições afirmam-se como um agente imprescindível na execução da política educacional de um país.
Na sociedade actual, caracterizada por rápidas mutações e pela constante desactualização dos conhecimentos, a escola tem de desenvolver nos jovens novas competências que lhes permitam fazer face a estes desafios. Emerge, deste modo, a necessidade de modificar os paradigmas do ensino e de atribuir um maior reconhecimento ao papel das bibliotecas escolares, enquanto centros de recursos e espaços inovadores de aprendizagem e de desenvolvimento da autonomia no interior dos estabelecimentos de ensino. A criação de uma Rede de Bibliotecas Escolares constituiu uma das medidas da política educacional nacional destinada a optimizar as mais-valias das B. E., consideradas pedras basilares na construção de uma escola mais adaptada às exigências da sociedade em que vivemos e “retaguardas que contrariam os factores de exclusão” (Calçada, Teresa, in Jornal Público, 05/12/2004).
Podemos facilmente constatar que o conceito de bibliotecas se foi alterando ao longo dos tempos. Deixaram de ser “depósitos de livros” religiosamente guardados e rigidamente protegidos, para se tornarem um espaço plural, aberto ao maior número de pessoas. E um bom exemplo dessa transformação radical (eu diria, mesmo, revolução da divulgação cultural) é a Biblioteca Digital Mundial, que se encontra disponível on line, a partir do dia 21 de Abril de 2009, colocando à disposição de qualquer pessoa alguns tesouros da Humanidade.
E, citando Umberto Eco, “se a biblioteca é, como pretende Borges,, um modelo do Universo, tentemos transformá-la num Universo à medida do homem” (Eco, Umberto, 1991, A Biblioteca, p. 44).

“O ensino das escolas tem de ser completado pelo ensino das bibliotecas. Escutar um mestre, mesmo excelente, não basta para formar um espírito. O papel do mestre é fornecer o recipiente que o aluno encherá com a leitura, a reflexão, a meditação.”

André Maurois, “Le Courrier de L’Unesco”
Lídia Valadares

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa

Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois milhões de obras.

"A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível desde terça-feira 24 de Março ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia.
Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias, documentos dearquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costado Brasil, um mapa de 1784.

Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço http://www.europeana.eu/, a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é "apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê acesso a pelo menos dez milhões de obras"representativas da riqueza da diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas,nomeadamente para comunidades com interesses especiais".

"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da ComissãoEuropeia, Durão Barroso.
Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os Meios deComunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais, editoras e empresas detecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formatodigital".

Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, hoje de manhã, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo para duplicar a capacidade do "site."
in Lusa

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Biblioteca

«... Um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós.

... A função ideal de uma biblioteca é de ser um pouco como a loja de um alfarrabista, algo onde se podem fazer verdadeiros achados e esta função só pode ser permitida por meio do livre acesso aos corredores das estantes.

... Se a biblioteca é, como pretende Borges, um modelo do Universo, tentemos transformá-la num universo à medida do homem e, volto a recordar, à medida do homem quer também dizer alegre, com a possibilidade de se tomar um café, com a possibilidade de dois estudantes numa tarde se sentarem numa maple e, não digo de se entregarem a um amplexo indecente, mas de consumarem parte do seu flirt na biblioteca, enquanto retiram ou voltam a pôr nas estantes alguns livros de interesse científico, isto é, uma biblioteca onde apeteça ir e que se vá transformando gradualmente numa grande máquina de tempos livres...».
na badana do livro Biblioteca de Umberto Eco.


Moderna biblioteca de Alexandria

A nossa biblioteca é o nosso santuário... não é? Protegemos os nossos livros como se fossem relíquias, tesouros magníficos que não queremos perder! Cada livro é fonte de sonhos, de olhares, de inteligência e até de cobiça!!! Queremos ler tudo o que nos aparece à frente para construir o nosso mundo intelectual. O instinto de proteger e o prazer da descoberta em cada página... em cada linha... em cada letra. A partilha na blogosfera é um pouco isso, descobrir o que outros andam a ler, colaborar com opiniões, descobrir o prazer talvez, de poder ler algo que não estava previsto.

Neste pequeno livro de Umberto Eco, temos umas pequenas reflexões sobre as bibliotecas: como organizar a nossa biblioteca pessoal... o que vamos ler daqui a uns anos, o futuro das fotocópias dos livros (não para mim). Com ironia mordaz, Umberto Eco, em poucas páginas partilha connosco a paixão do LIVRO e dos espaços BIBLIOTECA.