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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Teatro de Rabiar, recomendado pelo Plano Nacional de Leitura

"No ano lectivo 2007/2008, a Direcção Pedagógica do Colégio da Imaculada Conceição decidiu abraçar um projecto de reescrita da história da carochinha; projecto que nos foi proposto pelo escritor lamecense Fernando Branco Marado.

Esta iniciativa envolveu a turma de 4º ano do Ensino Básico e o Professor Fernando Marado num trabalho moroso, mas cuidado, de reflexão e de ponderação sobre a língua portuguesa neste conto tradicional português. Após vários meses de trabalho, o resultado foi o livro Teatro de Rabiar todavia, o empenho destes alunos foi mais ambicioso e, com o apoio de vários professores do CIC, desde a professora titular, os professores de EVT e a professora de Língua Portuguesa do 2º e 3º ciclo do Ensino Básico, prepararam a dramatização “A Carochinha e o João Ratão”.

Foi com imenso prazer que os Alunos, Encarregados de Educação e Direcção do Colégio da Imaculada Conceição receberam a notícia que o livro Teatro de Rabiar, que tinham realizado com o Professor Fernando Marado, é um dos livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura para os 3ºano, 4ºano, 5ºano e 6º ano do Ensino Básico.

A notícia foi dada aos alunos, agora no 6º ano no Colégio da Imaculada Conceição com alegria e recebida com euforia pelos mesmos, no dia em que foi divulgada no site da Papiro Editora, no dia 10 de Novembro com a seguinte recomendação: Teatro de Rabiar «Duas histórias, A Carochinha e o João Ratão e a Velha da Cabaça, adaptadas para teatro. Uma forma ainda mais divertida de as crianças conhecerem estes dois clássicos da literatura infantil». Um livro recomendado para apoio a projectos relacionados com Música e Artes em geral.

Assim, pelo prestígio e valorização do trabalho dos nossos alunos, a Direcção Pedagógica do Colégio da Imaculada Conceição agradece o convite feito pelo Professor Fernando Marado (com quem desenvolvemos, no ano transacto, o projecto Ardínia e Tedo) para a colaboração no livro Teatro de Rabiar.

Queremos ainda, em nome de toda a comunidade educativa do CIC, dar os parabéns aos nossos alunos que no ano lectivo 2007/2008, tanto se empenharam e se dedicaram neste projecto. Esta recompensa é bem merecida pelos nossos discentes, porque tudo o que se faz no âmbito da Educação no Colégio da Imaculada Conceição, é em prol da qualidade do processo ensino-aprendizagem dos mesmos."

sábado, 19 de setembro de 2009

O Plano Nacional Leitura e a Gripe A

O Plano Nacional de Leitura publicou um livro para os mais novos sobre a gripe A. Tem imagens sugestivas e uma linguagem muito acessível sobre os cuidados de higiene a adoptar no sentido de prevenir contágio e evitar contrair a doença.
Nesta época de mudança de estação e com a chegada do frio será de todo o interesse que o mesmo seja trabalhado quer em casa pelos pais, quer nos jardins de infância e pelas educadoras... e não só.
«O Projecto «Ler +, agir contra a Gripe» visa melhorar a informação das crianças e dos jovens que frequentam as escolas e, através deles, das suas famílias e das suas comunidades sobre as formas de prevenir a Gripe A, no quadro estratégico de acção global contra a pandemia.
Conceptualmente, com este Projecto, pretendemos desenvolver um conjunto de iniciativas relacionadas com a leitura e a escrita, que contribuam para melhorar os níveis de literacia em saúde e a prevenção das doenças transmissíveis, em especial da Gripe. Atendendo a que o principal local de intervenção do Projecto é a Escola, as actividades serão centradas na comunidade educativa, sem perder de vista o potencial de divulgação das instituições envolvidas, tais como, as bibliotecas escolares e públicas. A operacionalização deste projecto passa pela utilização da rede digital do Plano Nacional de Leitura (PNL), através de actividades para serem desenvolvidas nos seus quatro eixos: «Ler + nas escolas», «Ler + nas bibliotecas», «Ler + em família» e «Ler+ em todo o lado».
As actividades previstas propõem a adopção de comportamentos inteligentes, que dificultem a transmissão do vírus, através de medidas de protecção da saúde individual e da saúde da comunidade, com o reforço da importância da lavagem frequente dasmãos e da protecção da boca e do nariz ao tossir ou espirrar, por forma a diminuir eatrasar o mais possível a propagação do vírus. A sustentabilidade do Projecto decorrerá da sua adaptabilidade às diferentes fases da pandemia.

1. Chegar a um elevado número de professores /educadores que utiliza a rede digitaldo Plano Nacional de Leitura na preparação das suas aulas, para a divulgação dasformas de prevenir a Gripe, de uma forma lúdico‐pedagógica, adequada às crianças de diferentes grupos etários, através de histórias e canções feitas por autores portugueses;
2. Contribuir para a leitura, a escrita e a redução da iliteracia em saúde;
3. Fazer uma abordagem lúdico‐pedagógico‐educativa da prevenção da Gripe A;
4. Envolver na resposta social contra a Gripe, escritores, músicos, poetas, actores efiguras públicas portuguesas que facilitem o combate à pandemia, em todas assuas fases evolutivas.»

Plano Nacional de Leitura / Biblioteca Digital

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pobby e Dingan

Sinopse:

"Livro recomendado no programa de português do 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade III
É a primeira obra de Ben Rice (n. 1972, Inglaterra), publicada inicialmente numa revista australiana, e que tem recebido as críticas mais elogiosas. A história passa-se numa pequena povoação mineira da Nova Gales do Sul, Austrália, e é contada por Ashmol, filho de um mineiro em busca de opalas, irmão de Kellyanne, que tem dois amigos imaginários, Pobby e Dingan, que dão o título ao livro. Kellyanne é, claro, a única que "vê" estes seus amigos imaginários, mas a família, e mais tarde toda a população, alimenta esta sua fantasia; a mãe chega a colocar mais dois pratos na mesa, para aqueles amigos "mais calmos e mais bem comportados que os filhos". Mas os problemas chegam quando os amigos imaginários se perdem e o pai é acusado de roubar. Então Ashmol coloca toda a sua força e inteligência para trazer Pobby e Dingan de volta e convence a população a ajudá-los."

"... um livro surpreendente, uma pequena jóia. Um daqueles livros que oferecemos às pessoas de quem gostamos, porque depois de lê-lo apetece partilhá-lo."
José Luís Peixoto, DNA
Apetece partilhá-lo (retomando as palavras de José luís Peixoto) ... pois foi o que fizeram as nossas queridas amigas do blogue Sombra dos Livros, a Alice e a Bailarina; às quais agradeço do fundo do coração, esta linda e maravilhosa oferta.
Sou sincera, não conhecia de todo o livro ou o autor, mas vindo de duas leitoras assíduas, só podia ser realmente bom.
Li o livro de uma só vez, é pequeno mas com uma escrita rica e envolvente, que nos leva para um mundo diferente que os adultos já há muito esqueceram ... o mundo da imaginação e da fantasia. Achei simplesmente divinal o facto do autor colocar uma aldeia inteira (e aqui falamos de adultos) a viver o sonho e a fantasia de uma pequena criança, Kellyanne, com o objectivo de a salvar.
Comovente, com um final fabuloso mas também bastante doloroso, é uma pequena GRANDE obra que nos relembra que um dia também já fomos crianças.
"Depois de muito pensar escolhemos este pequeno grande livro pois poderás lê-lo com as tuas pequenitas, coisa que sabemos que te dá muito prazer. Espero que gostes (e que seja uma novidade) e que te marque tanto como nos marcou a nós."
Dedicatória de Alice e de Bailarina
Muito obrigado às duas :O)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ler Não Custa. O que custa é começar a Ler…

Deixem-me dar-vos o meu testemunho sobre leituras que eu fazia durante a minha fase de adolescente. Ah, pois! Nessa altura, lia-se muito, não só em casa, como no Jardim do Campo, em frente à Câmara Municipal de Lamego (principalmente na Primavera e Verão), na Alameda (agora Parque Isidoro Guedes) e na biblioteca do liceu Latino Coelho.

E o que é que lia? Exactamente aquilo que os outros adolescentes liam: livros de aventuras, em banda desenhada, revistas e, sobretudo, livros dos nossos escritores (literatura). Nessa altura, a revista que eu mais gostava de ler era A Fagulha, porque o liceu a proporcionava na biblioteca. Lia as fotonovelas do Corin Tellado e Capricho (romances em B.D., do género das telenovelas, mas em suporte papel); bandas desenhadas do Popeye, Lucky Luke e o Príncipe Valente (em francês Prince Valiant). Não me posso esquecer da Crónica Feminina, que algumas colegas compravam ou até mesmo a minha mãe. Existia uma revista francesa que todos adorávamos ler por causa de cantores, actores e artes do espectáculo “Salut les copains”. Era o “máximo”, devido às novidades, mas, essencialmente por causa das canções francesas. Aprendi muito com todas estas publicações.

No entanto, a literatura era um fascínio. Li as obras de Júlio Dinis (As Pupilas do Senhor Reitor, A Morgadinha dos Canaviais…); de Victor Hugo, Os Miseráveis; O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas e quase todas as obras de Júlio Verne (Miguel Strogoff, A Ilha Misteriosa…). Claro que tudo isto era lido porque os nossos professores nos aguçavam a curiosidade e o gosto por conhecer os heróis, os enredos e a leitura doce do discurso dos nossos escritores. Ma havia uma obra proibida, de Eça de Queiroz: O Crime do Padre Amaro. E como o fruto proibido é o mais apetecido, eu fiz como os outros: às escondidas, também o li. Não achei nada de especial!
Naquela época não lia jornais, mas nem dava conta da sua falta. As outras leituras preenchiam o meu imaginário. Primeiro fui legente (lia para mim, apenas); agora, sou leitora. Sigam o meu exemplo. Tudo vai do começar…

E como as férias estão aí, decidi sugerir-vos algumas obras que fazem parte do Plano Nacional de Leitura para os 5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos. Espero que não se esqueçam de ler e recomendar a leitura àqueles que acham que não presta para nada. É só começar!

5º ano
Pedro e o Papa – Maria Teresa Maia Gonzalez – Verbo
O Clube das Chaves Agarra o Fantasma – Maria Teresa Maia Gonzalez – Verbo
O Enigma da Atlântida – Edgar P. Jacobs – Merbérica-Liber
Hipopótimos- uma História de Amor – Álvaro Magalhães – ASA
De que Cor é o desejo? – João Pedro Mésseder – Caminho
O Agosto que Nunca Esqueci – António Mota – Gailivro
O Olho do Lobo – Daniel Pennac et al. – Terramar
O Dragão – Luísa Ducla Soares – Civilização
A Ilha do Tesouro – Robert Louis Stevenson – Porto Editora
O Príncipe e o Pobre – Mark Twain – Nova Vega
A Jangada – Júlio Verne – Verbo
Flor de Mel – Alice Vieira – Caminho
Uma Jogada com Cabeça – Nuno Magalhães Guedes

6º ano
Estrela à Chuva – Maria Teresa Maia Gonzalez – Difel
Noites no Sótão – Maria Teresa Maia Gonzalez – Difel
A Família que não Cabia Dentro de Casa – Alexandre Honrado – Âmbar
Os Miseráveis – Victor Hugo – Porto Editora
O Olhar do Dragão – Álvaro Magalhães – ASA
As botas do Sargento – Vasco Graça Moura – Quetzal
Nem Pato Nem Cisne – Ana Saldanha – Caminho
Crime no Expresso do Tempo – Luísa Ducla Soares – Nova Veja
Aventuras de Huckleberry Finn – Mark Twain – Nova Vega
Tom Sawyer – Mark Twain – Nova Vega
Vinte Mil Léguas Submarinas – Júlio Verne – Livros do Brasil
Há Monstros Debaixo da Cama? – Bill Waterson – Gradiva
A Incrível Viagem ao Princípio do Tempo – Nicholas Harris et al. - Verbo

7º ano
Os Sonhos de Einstein – Alan Lightman – ASA
OMundo Em que Vivi – Ilse Losa – Afrontamento
História Breve da Lua – António Gedeão – Livraria Sá da Costa
Lobos do Mar – Rudyard Kipling – Nova Vega
Momentos de Aqui: contos – Ondjaki – Caminho
Romeu e Julieta – William Shakespeare – Oficina do Livro
Os Meus Amores – Trindade Coelho – Europa-América

8º ano
Águas de Verão – Alice Vieira – Caminho
Sonho de Uma Noite de Verão – Hélia Correia – Relógio de Água
As Minas de Salomão – Rider Haggard/versão de Eça de Queiroz – Verbo
O Malhadinhas – Aquilino Ribeiro – Bertrand
História Trágico-Marítima – António Sérgio – Livraria Sá da Costa
Romance de Amadis – Afonso Lopes Vieira – Porto Editora

9º ano
Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (Aventura) – Aquilino Ribeiro – Livraria Sá da Costa
Novos Contos da Montanha – Miguel Torga – Dom Quixote
Livro do Português Errante – Manuel Alegre – Dom Quixote
Contos – Vergílio Ferreira – Bertrand
Crónica de Uma Morte Anunciada – Gabriel Garcia Marquez – Dom Quixote
O Velho que Lia Romances de Amor – Luís Sepúlveda – ASA
Estórias Abensonhadas – Mia Couto – Caminho
O Mandarim – Eça de Queiroz – Livros do Brasil
O Triunfo dos Porcos – George Orwell – Europa-América

Divirtam-se, leiam e desafiem os outros a ler!

Isilda Lourenço Afonso

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Gaspar e Mariana

Esta obra de Maria Teresa Maia Gonzalez retrata, como é seu hábito (e quem já a lê há uns anos habituou-se a ver para lá das palavras), o valor da amizade, da solidariedade, do companheirismo, da compreensão, da esperança, da inocência, da simplicidade. Por outro lado, autora não se esquece de, sorrateiramente, abordar situações do quotidiano onde as problemáticas do alcoolismo, da falsa religião, do ensino sem significado, da família desestruturada e da falsidade nas relações humanas coexistem, por muito que queiramos esconder com os valores humanos que aí sobressaem.

Mariana é uma menina cega, que não sai de casa, não conhece o mundo, não percebe o significado das palavras, dos sentimentos. A sua mãe trabalhava durante o dia numa fábrica, o seu pai “que gostava do mar, não o temia e até ficou lá, quando era pequenina…foi e não voltou mais…porque gostava muito dele e quis lá ficar (p. 80)”. Só Gaspar lhe fazia companhia e tudo lhe explicava, com a maior simplicidade, com a compreensão de um autêntico irmão. É ele quem lhe oferece um cãozito, o Camisolinha, que irá ser o seu companheiro quando Gaspar desaparece da sua vida.

Não irei desvendar mais sobre este livro, recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. É uma obra que merece ser lida e bem reflectida, pois as palavras e as situações aí retratadas deixam-nos a pensar e a imaginar o que será o mundo às escuras e como se consegue explicar a alguém conceitos e ideias tão abstractos, quando não se possui visão. Há um encontro entre dois mundos: o do Gaspar e o da Mariana. Muitas pessoas deveriam conhecê-lo e aprenderiam a entender as vivências, dificuldades e agruras da sociedade, através de belos diálogos entre duas crianças.
Reparem neste segmento do texto:

“- Ouve lá, Gaspar, como é que é o azul?
-O azul?
- Sim, a cor do céu. Como é?
- Bom, o azul…é fofo, assim como o tapete que está ao pé da tua cama; parece que sopra e voa; o azul está no ar, quando faz sol, no Verão…
- Ah… estou a perceber. O azul é levezinho.
- É, é muito leve, assim como se eu soprar devagarinho na tua mão… (p. 51).”

domingo, 11 de janeiro de 2009

Tobias e o Anjo

Li este livro e fiquei seduzida pela mensagem que nos transmite e pelo jeito, ilusoriamente simples, de lidar com as palavras, seleccionando-as, acomodando-as em frases/textos transbordantes de beleza.
É um livro que nos faz reflectir sobre as relações familiares, o impacto que elas podem ter nas crianças, o papel da escola, a importância da comunicação, o poder das palavras… E que nos obriga a deter em algumas frases ou expressões para apreciar a riqueza do seu conteúdo e a sua expressividade semântica, provenientes de uma evidente capacidade analítica e de uma fascinante criatividade da sua autora.
Conta-nos a história de uma menina que morava, com seus pais, num grande prédio nos arredores de uma cidade. Não tinha irmãos e os seus pais estavam sempre ocupados a berrar um com o outro. Por sorte, tinha o avô.
Os seus pais, nas fotografias do casamento, “tinham um brilho extraordinário nos olhos, como se uma fada tivesse deitado lá dentro lantejoulas”. Depois, este brilho desapareceu… A menina estranhava. “Os sonhos são como bolhas. De repente explodem e não fica nada. Com o nada também a luz se afasta.”- explicava o avô.
As contínuas discussões dos pais eram formadas por “palavras-térmitas”, “palavras-aranhas”, “palavras-escorpiões”… As palavras do avô eram muito diferentes. Não eram “palavras-pedrada-na-cara”. Em vez de fecharem as portas, abriam-nas. Eram “palavras-chave” e “palavras-manta”, “palavras-tépidas”, que aconchegam.
As”palavras-lixo” deixavam-na indiferente como uma pedra no meio do deserto.
As palavras da escola eram “palavras-confusão”, pois não respondiam a nenhuma das perguntas que enchiam a sua cabeça.
Quando o avô não estava, a menina sentia-se só. Ouvia a linguagem das coisas, mas não a das pessoas. Com as coisas, ela comunicava, falava sem abrir a boca, mas com as pessoas isso não era possível.
A menina tinha a sensação de que ninguém gostava dela, sentia-se um nada de que todos queriam ver-se livres.
E, um dia, saiu de casa e desapareceu…
O que lhe teria acontecido? Como teriam reagido os pais? Quem seria Tobias? E o Anjo?
Leia este livro e descubra as respostas a estas perguntas.

Às vezes, é preciso perder as coisas, para perceber a sua importância…

Lídia Valadares