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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Nuvem ou o Sonho de ser Almofada



«O sol brilhava alto no céu quando as primeiras nuvens começaram a aparecer no horizonte. Cinzentas e brancas, rebolavam as nuvens, umas sobre as outras, brincando com o vento, com risinhos e gargalhadas. Oceana olhava para as suas irmãzinhas com carinho e doçura, mas já cansada da brincadeira...»


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Mistério da Estrelinha Curiosa

Sinopse: "Mas afinal, que mistério é esse que a estrelinha curiosa guarda consigo? será que mais alguém sabe? Bem, para o descobrires, basta leres este livro e tenho a certeza que vais gostar de saber. Depois, se ela permitir, podes também contar aos teus amigos mas... shiu..., muito baixinho, comop se devem contar os segredos mais bonitos!"

Adquiri este livro através do blogue da Leonor: Era uma vez, conta outra vez...

Sabem que gosto muito de ler livros infantis, não tivesse eu duas crianças em casa... E sou bastante exigente nesta vertente da literatura. Gostei mesmo muito do estilo de escrita desta autora de Leiria: rica mas acessível, interessante e cativante. Neste Ano Internacional da Astronomia, é bom verificar que existe uma autora, a Leonor Lourenço que alia a ciência ao conto infantil...
Este livro reteve ainda a minha atenção pelas ilustrações... está excelentemente ilustrado, adorei os recortes... diferentes e irreverentes.
Aguardamos pelo próximo...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A nuvem ou o sonho de ser almofada

«O sol brilhava alto no céu quando as primeiras nuvens começaram a aparecer no horizonte. Cinzentas e brancas, rebolavam as nuvens, umas sobre as outras, brincando com o vento, com risinhos e gargalhadas. Oceana olhava para as suas irmãzinhas com carinho e doçura, mas já cansada da brincadeira.
Oceana era uma jovem nuvem, empenhada na escola “Nubelina”. Aprendera empenhadamente o ciclo da água, quais os dias em que deveria de pingar, chover ou fazer trovoada sobre a terra. Como qualquer outro trabalho escolar, Oceana ouvia tudo o que lhe era explicado com extrema paixão porque sabia o quanto a terra e os seus seres vivos dependiam dela, das suas irmãs, dos seus irmãos… e do resto de toda a sua família.
No entanto, Oceana não era totalmente feliz, no fundo do seu coração, a tristeza por vezes vencia; sempre achara que a sua missão não era só aquela, apesar de ser muito importante. Muitas das suas gotinhas caíam sobre a terra para alimentar o chão onde eram depositadas sementes pelos agricultores, para regar a relva e as flores dos jardins, para ajudar o pintassilgo a tomar o seu banho semanal. Muitas vezes, as suas gotinhas molharam homens e mulheres atarefados na sua vida rotineira, ensoparam crianças ao sair da escola ou encharcaram o cãozinho que dormia na soleira da porta da casa amarela.
A noite caía, Oceana continuava, como todas as noites, a vaguear pelo céu com a sua família; nómadas a percorrer o mundo em busca de terras secas para alimentarem. Quando a lua ia alta, descansavam aconchegadinhas umas às outras, muitas vezes sob o olhar dos astros, pedindo desejos às estrelas cadentes.
“Eu queria tanto ser uma almofada.” Desejava Oceana secretamente, na esperança de sentir a cabeça de uma criança no seu regaço.
O sono chegou. Oceana adormeceu, pingando devagarinho sobre as terras de Portugal.
O sol voltou a brilhar no céu. Oceana abriu os olhos, os seus pingos não caíam mais sobre a terra… assustou-se ao ver-se deitada em cima de uma relva verdinha de um lindo jardim florido com rosas vermelhas, jasmins brancos e tulipas amarelas. O latido de um cão, que mais se parecia com uma ovelhinha malhada, fê-la tremer de medo. Oceana olhou para o céu, não viu nenhuma das suas irmãs, nenhum dos seus irmãos ou parentes, tinham seguido caminho… sem ela. Oceana caíra na terra!
Aterrorizada e sem perceber o que pudera ter acontecido, Oceana ouviu passos… Uma linda criança morena, com caracóis rebeldes aproximava-se dela. Nunca tinha visto uma criança de tão perto, apesar de muitas vezes as ter visto a brincar e a saltar, diversas vezes sonhara com elas e como poderiam brincar todos juntos. A criança aproximou-se e abraçou a nuvem que tremia de medo.
- Pára de latir, Branquinha, é só uma almofada branca… que cheira a chuva e a terra molhada.
Serena agarrou em Oceana com extremo carinho e levou-a para dentro de casa. A Branquinha parou de ladrar e o coração de Oceana sentiu-se reconfortado, começando a bater mais devagar. O medo estava a desaparecer.
Ao entrar à porta do orfanato “Sorriso da Estrela Cadente”, Serena mostrou a sua nova aquisição às crianças pequenas, grandes, morenas, loiras… felizes por viveram num espaço tão acolhedor como aquele que as recolhia. Serena aconchegava a sua nova descoberta junto ao peito; a nuvem branca sentia-se valorizada e preciosa naqueles braços tão pequeninos.
- Vou ficar com esta nova almofada. A minha, que já foi da Maria e antes fora da Carolina, está cansada dos meus sonhos e dos meus pesadelos.
Subiu apressadamente as escadas, até ao segundo andar, entrou na bela camarata que partilhava com outras crianças pousou a linda almofada branca que cheirava a chuva em cima da sua cama. Pegou na sua antiga almofada e depositou-a ncesto da cadelinha, que logo se deitou e começou a dormir.
O cheiro a chuva pairava na camarata. Serena sorria de felicidade… foi então que Oceana percebeu: o seu desejo tinha-se cumprido; a nuvem branca era agora uma bela e fofinha almofada que caíra na relva daquele orfanato para ajudar Serena.
-Tenho uma nova almofada! - Murmurava Serena.
Todas as crianças estavam felizes e sorriram com a Serena.
Oceana sentiu uma gotinha a cair na cama.
“Nunca mais vais ter pesadelos, prometo-te Serena!”»

E porque eu também gosto de escrever... da minha autoria... espero que gostem!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Beijinhos Beijinhos

Recebi mais um presente, e tenho de partilhar com todos... porque é uma doçura, um algodão doce de carinho e amizade.
A Susana deixou-me este presentão, Beijinhos Beijinhos de Selma Mandine; é verdade é um livro para crianças, e depois... é lindo, fantástico, explica ao pormenor o que são os beijinhos das pessoas que nos rodeiam e que nós amamos.
As ilustrações são divinais, muito fofinhas; o texto é fenomenal dedicado às crianças do mundo inteiro mas neste caso, à criança que existe dentro de todos nós.
OBRIGADO e BEIJINHOS para a Susana.


«-Como é um beijinho? (...)

-Hmmmm... é doce, suave, fresquinho...

É delicioso!

Podes dar-me mais? Muitos mais?

- Claro, porque gosto muito de ti...»

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ler e cruzar leituras é divertido!

São dois os livros que vos apresento, mas mais destinados aos nossos petizes! No entanto, os mais crescidos poderão lê-los, porque são histórias actualíssimas: uma que nos leva ao mundo da literacia (o que é preciso é começar a ler) e a outra, um pouco relacionada (à primeira vista não parece) com a primeira, pois sem informação, formação e reflexão que existem nos livros, o mundo irá perder-se, esgotar-se e não poderemos sobreviver no nosso planeta.

“A Menina que Detestava Livros”, era alguém que vivia numa casa riquíssima e bem recheada de livros, o que não era motivação para a leitura (nem sempre a abundância faz o leitor).
Em casa de Mina existiam pilhas e pilhas dos nossos maiores amigos. Tal como a menina, também o seu gato Max parecia detestar esses objectos que lhes ocupavam o espaço, a si e à sua dona.
Certo dia, Max subiu para um armário completamente atulhado de livros e Mina, na tentativa de o ajudar, trepou e, escorregando, caiu no meio de uma confusão de livros, livros e livros.
O espanto da menina foi imenso porque de dentro desses livros começaram a sair todas as personagens que compunham as histórias. Como não conhecia o conteúdo dos livros, Mina não era capaz de fazer com que ocupassem os seus lugares dentro dos livros.
Tendo como solução a leitura de cada livro, foi lendo e, em simultâneo, as personagens, voltaram aos seus lugares e tudo ficou arrumado como dantes.
Quando os pais voltaram, ficaram espantados, pois encontraram uma menina leitora.

E a outra história? Valéria é alguém (outra menina) que regressa ao seu vale, que era verde e, de repente, todos os seres aparecem a lamentar-se da sua triste e sufocante vida, devido aos maus tratos que os homens têm feito à água, ao ar, ao solo… Valéria decide que há que tomar medidas: escrever para todas as crianças de todos os países no sentido de estas se recusarem a tomarem determinadas atitudes e até ensinarem os seus pais a não cometerem erros que prejudiquem o mundo, ou seja, o planeta, onde eles querem viver no futuro.
Foi uma caminhada longa, mas que resultou. Quem dera que na realidade assim tudo se passasse! Contudo, não podemos cruzar os braços. Sem tomar atitudes drásticas, nada se consegue. “Valéria e a Vida” está actualíssima e nunca irá deixar de ser uma referência para os nossos filhos e professores. Dá-nos um “clic” para que possamos prevenir malefícios que poderão ser irreversíveis.

Por que motivo se podem relacionar? Enquanto a primeira nos quer incentivar de uma forma engraçada e divertida à leitura, a segunda mostra o poder da escrita, mesmo sendo de crianças. São elas que nos ensinam a ver o que não queremos ver muitas vezes. Foi devido às cartas escritas por todos que os problemas se resolveram (apesar da fantasia, do idealismo, acho que ainda é possível salvar a Terra).

A LEITURA E A ESCRITA SÃO ARMAS PODEROSAS.
Estes dois livros cruzam-se e completam uma díade tão necessária nos nossos dias: o poder das palavras e o que elas podem fazer por um planeta melhor, nem que seja, para já, um sonho.

Isilda Lourenço Afonso

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Menina que sorria a dormir

Vou falar-vos de um livro que me deixou fascinada: A menina que sorria a dormir, de Isabel Zambujal.

Comecei por ficar curiosa com o título. Sorria a dormir?! Porquê? Usei um dos direitos do leitor, prescritos por Daniel Pennac no seu livro “Como um romance”, e comecei a “debicar” o livro aqui e ali, encontrando passagens que me agradaram imenso e me impeliram à sua leitura completa. Conta-nos a história de uma menina, a Glória, que vivia numa aldeia pequena e com poucos habitantes. Era uma menina igual a tantas outras, mas tinha uma dificuldade: não conseguia dormir sem ser embalada por histórias. Quando alguém parava de contar a história, fosse a que horas fosse, a menina abria imediatamente os olhos e dizia, sorridente: “- E depois, e depois?”. Ora, apesar de amor de mãe ser infinito, não há mãe que aguente noites inteiras e seguidas a contar histórias. Então, todos os habitantes da aldeia, num verdadeiro espírito solidário, cooperativo e comunitário, contribuíram para que a Glória tivesse um sono feliz e descansado, ou seja, seguindo uma escala elaborada pela professora daquele local, cada habitante, várias vezes por mês, passava a noite acordado a contar histórias à menina.

     O pai, que vivia muito longe, também lhe contava histórias, através de cartas, que a faziam viajar por terras distantes. Era o único que lhe contava histórias de viagens. Cada habitante tinha experiências de vida e gostos de leitura diferentes, portanto cada um tinha o seu tipo de histórias preferidas. Uns contavam fábulas, alguns, adivinhas, outros, histórias de reis e de princesas ou histórias doces…

     Só que esta situação estava a tornar-se insustentável para os habitantes da aldeia que, apesar de gostarem muito da menina, começavam a sentir o peso do cansaço acumulado de muitas noites em branco. Até que, um dia, Glória recebeu do pai um presente especial: uma caixinha e, no seu interior, uma menina que parecia uma princesa, deitada sobre um montinho de algodão branco e fofo como as nuvens. O bilhete que a acompanhava explicava que era uma “Fadinha de Olhos Fechados” e que a tinha descoberto num lugar onde as pessoas dormem a ouvir histórias, só que ninguém precisa de ficar acordado, pois todos os habitantes têm uma “Fadinha de Olhos Fechados a viver dentro da sua almofada. A Fadinha gosta de passar as noites a sussurrar histórias ao ouvido de quem dorme. A essas histórias chamam-lhes sonhos.” (p. 34).

     O que aconteceu em seguida? Ah, isso eu não conto! Leiam o livro e deliciem-se.

     Este livro fez-me lembrar um provérbio africano que diz o seguinte: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” Quanta verdade e sabedoria ele encerra! Não tenhamos dúvidas de que é preciso uma “aldeia inteira”, ou seja, toda a Comunidade, para educar uma criança: Família, Escola, Sociedade, devem congregar esforços e articular estratégias, em prol da educação dos seus jovens. O resultado será compensador, altamente gratificante, como espelha esta história.

     E, para finalizar, só queria expressar um desejo: Que nunca deixemos de ouvir o sussurrar da nossa “Fadinha de Olhos Fechados” e nunca percamos a capacidade de sonhar e, até, de envolver os outros nos nossos sonhos, pois se alguns são pessoais, muitos outros poderão ser colectivos e abranger a nossa “ALDEIA”.

     É evidente que este livro, lido por uma criança ou um jovem, pode ter outras leituras, cada leitor faz a sua, pois “Se o texto é obra do autor, a leitura é uma actividade de reconstrução da significação por um leitor que lê o texto à luz do seu universo de referências” (Fernando Azevedo, Formar Leitores). Contudo, apesar de diferentes, as suas leituras não serão menos válidas, nem menos interessantes.

Lídia Valadares

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Salta Folhinhas...

A nossa Kris vai lá estar... a contar histórias...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Antecipando o "Dia da Mãe"

Comprei este livro com as minhas filhas, já há duas semanas...

Olhamos para ele religiosamente todos os dias... à espera do dia da Mãe.

Vai ser a nossa leitura nesse dia; antevejo interessantes conversas e cumplicidades.

Todos os dias são "dia da mãe" quando leio à noite com elas mas neste dia, vai ser ainda mais especial.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Histórias escritas na cara - Cada avó é um livro de contos

Este é um livro que nos fala de histórias de vida que o tempo vai deixando gravadas nos rostos de cada um, das valiosas bibliotecas que são as avós, tantos são os livros que as páginas das suas vidas já escreveram e que estão prontos para ser lidos, contados, ouvidos…
Começa por nos contar que, duas vezes por ano, Clara e os pais iam para casa da avó materna, no Sul do país, num lugar com o nome curioso de Suspiros. “Clara mal conseguia controlar a emoção, sabia que quando regressasse de Suspiros ia sentir-se como se tivesse uma biblioteca dentro da cabeça, tantas eram as páginas da vida que a avó lhe contava”(p. 12).

Uma das histórias que Clara nunca se cansava de ouvir era a do nome da aldeia, para a qual havia duas versões. “Mas as histórias que Clara mais gostava de ouvir eram daquelas que estavam escritas no rosto da avó: por curtas ou compridas linhas junto aos olhos, perto da boca ou na testa…” (p.16) Gostava de ouvir a origem daquelas marcas que falavam de emoções, sentimentos, memórias agradáveis ou desagradáveis, alegres ou tristes…

Eu também gostei! São episódios breves, mas fascinantes. Daqueles que dizem mais pelas reflexões do que pelas palavras. Tocou-me, especialmente, o episódio associado à ruga na testa da avó. Porquê? Talvez porque, como disse Stendhal, “Um romance é como o arco de um violino, a caixa de ressonância é a alma do leitor.” E esta ruga fez vibrar intensamente a minha caixa de ressonância. Aquela ruga chamava-se Ernesto e falava de um terramoto que tinha havido no dia em que a avó fazia doze anos e a família, em vez da festa de “Parabéns”, começara a organizar meios para ajudar os mais afectados. A avó e as primas gémeas tinham ficado responsáveis por arranjar roupa, muitos tinham ficado, apenas, com a que traziam no corpo. “O frio estava a chegar e depois de o chão ter tremido iam tremer muitos dentes.” (p.23). O ajudante deste grupo era o Ernesto, um rapaz de nove anos, extremamente pobre. Incansável, sem nunca desistir, batia à porta das casas que ainda existiam e pedia mantas, casacos, calças, sapatos… (Quanta persistência, força, sensibilidade e solidariedade se descobre nos menos favorecidos!) Mas não havia roupa nem calçado suficiente para tanta gente, porém Ernesto não desanimava e dizia: “Menina, pé de pobre não tem número. E pobre não troca de roupa, a roupa é que troca de pobre. Vai primeiro para o irmão pobre, depois para o primo pobre, depois para o neto pobre, e assim por diante, até a roupa já não perceber se nasceu camisola ou cachecol”. E no meio daquela pobreza, o franzino Ernesto, sem nunca saber, ensinou-me uma lição valiosa: nós temos quase sempre mais do que aquilo de que precisamos.” E este excerto provocou em mim uma ressonância tão aguda que quase me magoava a alma, tal era a verdade que ecoava em vibrações prolongadas.

Mais à frente, uma expressão deixou-me deliciada pela criatividade e beleza estilística, fiquei a saboreá-la durante muito tempo e não resisto em partilhá-la convosco: “A Antonieta devia ter uns cinco anos, ainda não era cega e nunca mais me esqueço do seu comentário, um dia enquanto o Sol se punha: Já viste, mana, o Sol adormece no mar e as ondas são os cobertores.”

Outras rugas contaram as suas histórias e, no final, depois de fechar o livro, já sem palavras à frente dos olhos, continuei a ler histórias, aquelas cujo enredo brota das nossas meditações, das nossas vivências, das nossas conclusões, das nossas próprias rugas…

É um livro pequeno, escrito numa linguagem singela, mas bonita, que nos conta episódios curtos, de absorção fácil e rápida, contudo deixa-nos muito tempo a prolongar a leitura, a ouvir o eco, as vibrações das suas palavras…

Vou deixar-vos com um desses ecos.
“Cada avó é um livro de contos”.
Lídia Valadares

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Urso Branco e Urso Castanho

Sinopse: "Alice recebeu dois ursinhos como prendas das suas duas avós. São iguaizinhos, só diferem na cor. Um é branco e o outro é castanho. Com ciúmes um do outro, os ursinhos começam a discutir e a brigar. Farta de tantas asneiras, Alice diz aos ursinhos: "Já não vos consigo aturar", e coloca-os de castigo. O Ursinho Castanho fica no alto de uma prateleira e o Ursinho Branco fica trancado no armário. Estão sozinhos e assustados. Será que esta história tem um final feliz?"

Li este livro com as minhas filhas ainda há dias... e como hoje é o Dia Internacional do Livro Infantil, achei por bem fazer referência este pequeno livro.

A história é deveras interessante, basea-se nos amigos imaginários das crianças; neste caso, Alice recebe um urso branco e um urso castanho: prendas das avós. No entanto, existem ciúmes entre as duas avós que são transmitidos aos dois ursinhos... E estes vão entrar em pequenos conflitos para serem O Melhor Amigo de Alice...

O que acontece?... Leiam para descobrir.
A relevância da Amizade, da Reconciliação, da Ajuda estão patentes neste pequeno livro, cheio de ensinamentos.
Nota: 9/10

quinta-feira, 26 de março de 2009

Histórias para meninos sem juízo

Perdi-me um pouco na leitura do romance que estou a ler... isto porque comprei outros livros aos quais não consegui resistir! Histórias para meninos sem juízo de Jacques Prévert foi comprado a pensar na minha Amiga Isilda...
Estamos as duas a ficar apaixonadas por este poeta/escritor: eu porque marcou a minha infância, a Isilda porque adora desafios, novas leituras e novas aprendizagens.
Este pequeno livro de bolso, da edições Teorema, lê-se em pouco mais de meia hora, é essencialmente um livro para crianças com letra tamanho XXL, com ilustrações divertidíssimas e histórias mirabolantes.

A avestruz, os antílopes, o dromedário, o elefante-do-mar, as girafas, o cavalo, o leão e os burros são as personagens principais deste pequeno livro dedicado a crianças "sem juízo"... e para adultos também "sem juízo"; será que temos algo a aprender com os animais?
Recomendo a história do dromedário descontente... ou será antes camelo!!!!

Para quem quiser ler os contos em francês: Contes pour enfants pas sages

Nota: 8/10

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Livros com cheiro

Neste fim de semana prolongado, dei prioridade às leituras com as minhas filhas. Depois de ler e de adorarmos o livro de Alice Vieira com cheiro a morango, fomos à procura e à descoberta de novos "cheiros".
As ilustrações destes novos livros são apelativas e originais; as histórias são divertidas com mensagens que transmitem valores e ensinamentos.
Mas o que nós achamos mais original, é o facto de passar a mão pela capa interior do livro e esta ficar a cheirar a baunilha, a caramelo ou mesmo a chocolate.

Pais, filhos, irmãos, famílias, leiam em conjunto e desfrutem dos sentidos e do prazer de estarem juntos.

"Isabel estranhou. A mãe respondia sempre a tudo, e quase sempre por três vezes.
- Chama o pai... - disse então a mãe, que tinha ficado branca de repente. (Branca, muito branca, branquíssima, diria ela.)
E só murmurava:
- O bébé vai nascer!
E, ao telefone, era agora Isabel que repetia:
- Ó pai, venha rápido, muito rápido, rapidíssimo!"
Nota: 9/10

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A maior flor do Mundo

É Preciso Inovar
A Comissão Europeia propõe que 2009 seja o “Ano Europeu da Criatividade e Inovação”.
John MacDonald, porta-voz da Comissão Europeia, responsável pela Educação, Formação, Cultura e Juventude, considera ser de extrema importância a promoção da criatividade e inovação para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais pela vida fora, para a globalização e para a própria economia, e encoraja os Estados-membros a trabalharem juntos neste projecto.
Perfilho e aplaudo esta proposta. Sim, creio que, muitas vezes, a solução para graves problemas reside numa combinação talentosa de criatividade e inovação. Mas eu penso que é preciso, sobretudo, inovar mentalidades, percepções, posturas, atitudes… É urgente criarmos novos hábitos, novas práticas de pôr em acção o que julgamos indispensável.
De facto, consideramos que é absolutamente imprescindível cuidar do nosso planeta (da nossa casa, afinal!) e que isso é responsabilidade de TODOS NÓS. Aprovado por unanimidade. Disto ninguém tem dúvidas! Mas, na verdade, esta convicção inabalável é desgastada pela correria do dia-a-dia e, quando damos conta, “TODOS” passam a ser OS OUTROS e tranquilizamo-nos, pensando: “Afinal, mais um, menos um, não faz diferença nenhuma!”, esquecendo uma regra elementar: o todo é a soma de todas as partes.
E quem fala do Planeta, fala de outros aspectos. Fala, por exemplo, da Economia, da Educação… Cada vez mais, no mundo actual, é preciso trabalhar em conjunto, em equipa, em parceria, e isso só funciona quando cada um de nós tomar a verdadeira consciência de que é parte integrante e fundamental de uma engrenagem, na qual desempenha um papel insubstituível, e que só funciona quando todos, isto é, cada um de nós não se demitir das suas funções. Quando cada um de nós estiver disposto e tiver a humildade (ou a inteligência) de aprender com os outros, por exemplo, com os seus pares, com as crianças…
Às vezes, cometemos o erro de pensar que precisamos de fazer coisas geniais, extraordinariamente abrangentes, para salvar o mundo e logo desanimamos ao pensar que isso está fora do nosso alcance (as inovações são para os génios!). Pois eu penso que não é esse o caminho certo. Creio que as grandes obras resultam do somatório articulado, persistente e sistemático de coisas simples, de pequenos gestos e atitudes do dia-a-dia, bem à nossa dimensão, à nossa pequenez, e resultantes da nossa convicção, empenho e criatividade, que cada um procura desenvolver ao máximo para criar um futuro mais risonho, não apenas o seu, mas o de uma sociedade na qual está inserido.
E, nesta linha de pensamento, surgiu na vitrina da minha memória um livro que já li há algum tempo, mas que fui buscar à estante para reler. Bom sinal, pois muitos livros se lêem, mas poucos se relêem, na minha opinião. Eu reli: A Maior Flor do Mundo, de José Saramago. E confesso que o achei ainda mais delicioso, desta vez. Talvez porque já conhecia a história e fiquei mais disponível e atenta a outros pormenores. Talvez porque tive hipótese de estabelecer novos diálogos com o texto, de preencher mais espaços em branco… Ou, talvez, porque, como diz André Maurois, “A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” E a minha alma respondia a cada passagem, a cada palavra, a cada espaço em branco. Achei o livro fantástico!
Começa, assim, o autor: “As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar…”. Pois eu acho que Saramago escolheu, com mestria, as palavras e deu provas de um jeito fascinante de contar essas histórias.
Fala de um menino que salta de “árvore em árvore como um pintassilgo” e se dedica “à vagarosa brincadeira que o tempo alto, longo e profundo da infância a todos nós permitiu…” E eu habitei, por momentos, a minha infância…
E, nesta inebriante felicidade e liberdade, o menino andou, andou, por caminhos sem fim, até que chegou ao cimo de uma imensa encosta, onde só havia uma flor. “Mas tão caída, tão murcha, que o menino se achegou de cansado.”
Bem, o que se passa daqui para a frente eu não vou contar, até porque perderia toda a beleza, só lendo… O autor passa da prosa à prosa poética, de novo volta à prosa, mas cada palavra, cada expressão desperta múltiplas sensações, emoções, e dá provas de uma singular arte de escrever. A história é muito curta, mas a lição é GRANDE.
E termina desta forma: “Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita?...”
Não resisto em citar o que está na contra-capa do livro e que achei provocatório (bem ao jeito de Saramago), mas fantástico: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”
Mas, afinal, o que tem a ver este livro com o assunto inicial? Por que razão apareceu ele no fio da meu pensamento?
Leiam-no e descobrirão facilmente porquê.

Lídia Valadares

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Livro com Cheiro a Morango

É uma obra lúdica com grande cariz pedagógica, são quinze pequenos contos; uma agradável companhia para crianças e adultos, seja numa tarde de chuva passada em casa, seja na hora em que as crianças vão para cama, este livro permitirá momentos inesquecíveis de leitura, aprendizagem e troca de experiências...

São histórias verdadeiramente deliciosas quer pelo que contam, quer pelo irresistível aroma de morango que as perfuma. Este livro, com cheiro a morango despertará o interesse dos mais pequenos e serve de moldura aromática à prosa incomparável de Alice Vieira, autora que dispensa apresentações e que, nestes contos didácticos, com a mestria que lhe é conhecida, vai conduzir as crianças no caminho da leitura, apresentando-lhes vocabulário, jogando com as palavras e brincando com a gramática e acentuação.
Fiz a leitura com a minha filha mais pequena: com jogos de entoação sonora, o sorriso era inevitável, o cheiro adorável e as ilustrações divertidas:)
Nota: 8/10