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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Estimular a Leitura... inovações do PLN

O Plano Nacional de Leitura e o Observatório da Língua Portuguesa vão desenvolver um projecto de voluntariado para estimular a leitura em parceria entre adultos e crianças, em instituições como escolas e bibliotecas.
A medida foi anunciada hoje no âmbito da assinatura de um protocolo entre o Plano Nacional de Leitura (PNL) e o Observatório da Língua Portuguesa (OLP), com vista a promover iniciativas para a promoção do livro e da leitura em Portugal e restantes países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
"É uma área importante de cidadania em que as pessoas podem ajudar os outros a ler mais e melhor", explica Isabel Alçada, comissária do PNL, realçando que já existem no nosso país diversos projectos de voluntariado de leitura em várias áreas, nomeadamente o apoio à leitura junto de pessoas, crianças e adultos, hospitalizadas.

De acordo com a responsável, o voluntariado será organizado pelo OLP e cabe ao PNL "ajudar os profissionais a gerir o acolhimento do voluntariado pelas instituições com que trabalha - jardins-de-infância, escolas e bibliotecas -, de forma que as pessoas sejam incentivadas a ir".
"Nesta situação dos voluntários irem às escolas ler com as turmas, o que o PNL pode fazer é ajudar a organizar esse acolhimento, enquanto o Observatório ajuda a encontrar pessoas responsáveis e idóneas que queiram ir ler", destaca Isabel Alçada.
A responsável salienta que cabe ao PNL dar formação aos voluntários, o que não considera difícil. "Haverá uma pequena formação, mas, na verdade, para ler com crianças basta pegar num livro e ler a história, estar atenta à criança, ver se ela está a aderir e mostrar-lhe os desenhos, pô-la ao colo quando ela é pequenina, tê-la ao lado quando é maior, basta que a pessoa goste de ler, goste de livros e acima de tudo que goste de crianças", considera.

No âmbito deste projecto, os voluntários poderão também ir a escolas e bibliotecas fazer sessões de leitura em voz alta.
"A leitura em voz alta para grupos também é muito favorável, porque está demonstrado que a oralidade é um factor de domínio da linguagem. A leitura, em grande medida, assenta no domínio que as pessoas têm da linguagem oral: quanto mais se fala bem melhor se lê, quanto melhor se lê mais se fala bem", realça.
O PNL apresenta hoje e sexta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, um balanço de três anos de actividade, salientando alguns dos vários projectos desenvolvidos a nível nacional para a promoção da leitura.
Entre estes, Isabel Alçada destaca o projecto Crescer a Ler, em colaboração com a Associação Portuguesa de Educadores de Infância, que aderiu ao Programa Start Book e vai dar um livro a cada criança portuguesa, "porque está demonstrado que receber livros gratuitamente em determinado ponto da vida estimula a leitura em família e incentiva o gosto pelo livro".
Destacou também um programa que permite às pessoas em formação nas Novas Oportunidades requisitarem livros que podem ler em casa com os filhos e o Ler + Dá Saúde, projecto desenvolvido por médicos pediatras e de clínica geral junto das famílias, assente no princípio de que ter hábitos de leitura promove o desenvolvimento infantil.
"Quando uma pessoa lê com uma criança, a criança sente que está no foco da atenção do adulto e isso dá uma paz interior muito favorável em todos os domínios do desenvolvimento", sublinha Isabel Alçada.
In Educare

quinta-feira, 26 de março de 2009

Plano Nacional de Leitura e o Dia Mundial da Poesia


É com imensa felicidade que recebi hoje a informação que o blogue Fascínio das Palavras está na página do
Plano Nacional de Leitura
com as actividades do Dia Mundial da Poesia.


(para aceder seguir os seguintes passos: clicar em Plano Nacional de Leitura - programas e iniciativas - para todos os grupos - Dia Mundial da Poesia 2009 - actividades de escolas - blogue)

Mais uma pequena Vitória para todos os que amam e colaboram de corpo e alma no Colégio da Imaculada Conceição.

Bem-Haja a todos por todo o trabalho e dedicação.

Tinha que partilhar este momento também com os nossos amigos da Floresta das Leituras. Espero que gostem da exposição.

:o) Boas Leituras

quinta-feira, 19 de março de 2009

A Fonte dos Segredos


Esta obra, recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, da autoria de Maria Teresa Maia Gonzalez, é ao mesmo tempo divertida e um espelho de sentimentos e afectos que dizem respeito não só às crianças como aos jovens.
O Gustavo (a quem o pai chamava o Gafanhoto) era um menino que amava a Natureza, tinha muitos amigos (o Conta-Gotas, o Litos, o Dentes-de-Aço, o Badalo, o Pelé), para além da paixão pelos animais (o Baltazar – porquinho-da-índia; o Queijo Fresco, o hamster; dois periquitos – o Simão e o Brasileiro; um melro – o Bezerrão; três grilos – os Três Mosqueteiros e os bichos-da-seda) e possuía o seu laboratório onde fazia as suas experiências (frascos com álcool que continham vários espécimes de animais e de vegetais). Queria ser veterinário, tal como o seu pai.
Conta-nos um lindo Verão passado numa vila perto de Viseu, quando conheceu a Joaninha (uma menina de Lisboa) que passou a ser sua amiga e por quem se apaixonou. Ensinou-a a andar de bicicleta e acabou por adorar a vida livre e alegre de todos aqueles meninos. Já não queria voltar para Lisboa, onde iria ter de decidir se ficaria com o pai ou com a mãe, pois estes iriam divorciar-se. O Gustavo ficou preocupadíssimo, mas nada pôde fazer.
É uma história que revela as descobertas que a personagem fez acerca da família, do mundo e do amor. As pessoas de quem ele gostava eram a sua avó e o seu pai. Os seus meio-irmãos gémeos só o importunavam (andavam já na faculdade) e ele acabava por se refugiar nos seus animaizinhos, nos passeios à montanha, ao rio e suas grutas e nos longos diálogos com a avó.

A leitura é fácil e descontraída à mistura com momentos de humor que nos deixam um pouco ansiosos por descobrir ascendentes daquela família, mas que a narradora não desvenda. Seremos nós a fazê-lo e a reflectir. Continua a ser tónica desta autora a preocupação pelos problemas sociais e familiares, mas não esquecendo de valorizar o amor.
Ora reparem no poema que o Gustavo escreve à menina da escola por quem ele se apaixonou (uma grande desilusão, um amor não correspondido), pela primeira vez, e que o seu professor da escola primária elogiou na turma, depois de ter pedido que escrevessem um poema.

Lá no alto da montanha
Vive a menina do véu.
Eu ofereci-lhe uma aranha
E ela nem me agradeceu!

Era uma aranha diferente,
Sem veneno e bem bonita.
E em vez de ficar contente
Ela fez logo uma fita!

Não sei que mal lhe fiz eu
Para ela ficar assim,
Pois a menina do véu,
Nunca mais olhou para mim!

Não volto a dar-lhe uma aranha,
Nem lhe espreito à janela
Que fique lá na montanha
Que eu não olho mais para ela!

No entanto, não queria deixar de vos mostrar um dos segmentos do texto que me tocou e que o Gustavo transmite à Joaninha, dizendo-lhe que fora a sua avó quem lho ensinara:

“…quem voa, escusa de se preocupar com ninharias; e não precisa de ter medo, porque pode sempre fugir, de um momento para o outro, vum!, sem ser perseguido. A vida dos pássaros é a melhor que há. Excepto os pavões… (p. 92)”