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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Hoje estou a ler... A Declaração dos Direitos Humanos


Artigo 26.º

1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.

2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos.

sábado, 18 de julho de 2009

No Coração das Emoções das Crianças

Sinopse: "Na sociedade actual, e mais ainda na de amanhã, o caminho do sucesso passa pela confiança e pela sua facilidade relacional. As aptidões para comunicar e a capacidade de dominar as emoções tornaram-se pelo menos tão importantes quanto as competências técnicas. Para se ter êxito, quer na vida pessoal quer na profissional, possuir a inteligência do coração é mais fundamental do que nunca. Alimentar o quociente de inteligência das nossas crianças é insuficiente. Nós devemos preocupar-nos com o seu quociente emocional. E não nos podemos esquecer de que muitas das dificuldades intelectuais e escolares são provocadas por bloqueios emocionais. Eis um livro muito concreto que, indo buscar os seus exemplos ao quotidiano, ajudá-lo-á a acompanhar o seu filho em direcção à autonomia, a reencontrar a sua própria infância e a caminhar para uma maior harmonia familiar."
Adorei, adorei, adorei!

Não é nenhum romance.
Não tem receitas mágicas.
Não promete soluções fáceis.
Não apresenta ideias pré-concebidas sobre crianças e jovens!
De leitura fácil e rápida, visto ser ternamente envolvente, este livro que já existe traduzida na língua de Camões, na editora Pergaminho No Coração das Emoções das Crianças, é da autoria da psicoterapeuta Isabelle Filliozat.
O trabalho com as crianças, no dia-a-dia é complexo, ainda mais quando se trata dos nossos filhos; não existem remédios fáceis ou milagrosos para certos conflitos ou fracassos... isto já nós sabemos... e este livro confirma-o!
Cada criança é um caso, e cada situação deve ser tratada de forma única e resolvida pelos agentes /actores envolvidos (entenda-se por agentes /actores: as crianças, os jovens, os pais, os educadores ou os professores).
Não é um livro com respostas certas ou erradas... e muito menos concretas, é mais uma análise sobre possíveis caminhos a seguir segundo as diversas situações...
Uma obra de referência na área da psicologia e da educação; para todos os adultos, sejam eles pais, professores... e outros!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Menina que sorria a dormir

Vou falar-vos de um livro que me deixou fascinada: A menina que sorria a dormir, de Isabel Zambujal.

Comecei por ficar curiosa com o título. Sorria a dormir?! Porquê? Usei um dos direitos do leitor, prescritos por Daniel Pennac no seu livro “Como um romance”, e comecei a “debicar” o livro aqui e ali, encontrando passagens que me agradaram imenso e me impeliram à sua leitura completa. Conta-nos a história de uma menina, a Glória, que vivia numa aldeia pequena e com poucos habitantes. Era uma menina igual a tantas outras, mas tinha uma dificuldade: não conseguia dormir sem ser embalada por histórias. Quando alguém parava de contar a história, fosse a que horas fosse, a menina abria imediatamente os olhos e dizia, sorridente: “- E depois, e depois?”. Ora, apesar de amor de mãe ser infinito, não há mãe que aguente noites inteiras e seguidas a contar histórias. Então, todos os habitantes da aldeia, num verdadeiro espírito solidário, cooperativo e comunitário, contribuíram para que a Glória tivesse um sono feliz e descansado, ou seja, seguindo uma escala elaborada pela professora daquele local, cada habitante, várias vezes por mês, passava a noite acordado a contar histórias à menina.

     O pai, que vivia muito longe, também lhe contava histórias, através de cartas, que a faziam viajar por terras distantes. Era o único que lhe contava histórias de viagens. Cada habitante tinha experiências de vida e gostos de leitura diferentes, portanto cada um tinha o seu tipo de histórias preferidas. Uns contavam fábulas, alguns, adivinhas, outros, histórias de reis e de princesas ou histórias doces…

     Só que esta situação estava a tornar-se insustentável para os habitantes da aldeia que, apesar de gostarem muito da menina, começavam a sentir o peso do cansaço acumulado de muitas noites em branco. Até que, um dia, Glória recebeu do pai um presente especial: uma caixinha e, no seu interior, uma menina que parecia uma princesa, deitada sobre um montinho de algodão branco e fofo como as nuvens. O bilhete que a acompanhava explicava que era uma “Fadinha de Olhos Fechados” e que a tinha descoberto num lugar onde as pessoas dormem a ouvir histórias, só que ninguém precisa de ficar acordado, pois todos os habitantes têm uma “Fadinha de Olhos Fechados a viver dentro da sua almofada. A Fadinha gosta de passar as noites a sussurrar histórias ao ouvido de quem dorme. A essas histórias chamam-lhes sonhos.” (p. 34).

     O que aconteceu em seguida? Ah, isso eu não conto! Leiam o livro e deliciem-se.

     Este livro fez-me lembrar um provérbio africano que diz o seguinte: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” Quanta verdade e sabedoria ele encerra! Não tenhamos dúvidas de que é preciso uma “aldeia inteira”, ou seja, toda a Comunidade, para educar uma criança: Família, Escola, Sociedade, devem congregar esforços e articular estratégias, em prol da educação dos seus jovens. O resultado será compensador, altamente gratificante, como espelha esta história.

     E, para finalizar, só queria expressar um desejo: Que nunca deixemos de ouvir o sussurrar da nossa “Fadinha de Olhos Fechados” e nunca percamos a capacidade de sonhar e, até, de envolver os outros nos nossos sonhos, pois se alguns são pessoais, muitos outros poderão ser colectivos e abranger a nossa “ALDEIA”.

     É evidente que este livro, lido por uma criança ou um jovem, pode ter outras leituras, cada leitor faz a sua, pois “Se o texto é obra do autor, a leitura é uma actividade de reconstrução da significação por um leitor que lê o texto à luz do seu universo de referências” (Fernando Azevedo, Formar Leitores). Contudo, apesar de diferentes, as suas leituras não serão menos válidas, nem menos interessantes.

Lídia Valadares

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

As férias do menino Nicolau

Sinopse: "Quando chegam ao fim das aulas, todos os meninos só pensam numa coisa: férias. O Nicolau não é excepção, mas vamos ver que as suas férias não foram muito sossegadas. Antes de mais nada, temos de ler o livro. Assim, ficaremos a saber como foram cheias de aventuras as férias do menino Nicolau."
in contra-capa do livro.

A minha filha recebeu este livro como presente de Natal, e quantas recordações não passaram logo pela minha mente. Quando eu tinha cerca de 11 ou 12 anos, li este livro Les vacances du petit Nicolas; escusado será dizer que na altura tinha adorado: um menino de férias a fazer imensas traquinices; fantástico e hilariante.

Hoje, passados alguns anos, e depois de ter sido lido pela Carol, e como gostamos de ler em família, discutir e reflectir sobre o que lemos, decidi voltar a ler este livro, agora em português. Várias vezes fiz figura "triste" ao sorrir sozinha enquanto estava a ler: "Mãe estás a rir porquê?"...

A verdade é que também me apercebi de muitas mensagens implícitas que não tinha captado aos 12 anos. Como mãe e professora, fui levada ao mundo da reflexão sobre a família, sobre o que fazemos quando estamos juntos, o impacto de determinadas atitudes sobre as crianças, as verdades que esquecemos de dizer aos que amamos, por vergonha ou falta de tempo!

Curiosidades:
Sabiam que o autor deste livro é Sempé, "pai" do menino Nicolau e que ele era um aluno "mal comportado"... tal como refere outro autor muito conhecido, Daniel Pennac.
Sabiam que todo o livro é feito em parceria nas ilustrações, com Goscinnny que teve como "filho ilustre", o famoso Astérix.

Recomendo aos mais jovens pelo ritmo acelerado de peripécias e pelas ilustrações hilariantes, recomendo a todos os outros pelo divertimento como pelas lições.

Nota:8/10

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Maria, a maior educadora da História

Dez princípios que Maria utilizou para educar o menino Jesus

"Educar é viajar no mundo do outro sem nunca penetrar nele. É usar o que pensamos para nos transformar no que somos. O maior educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a reflectir. Não é o que observa apenas o que é tangível aos olhos, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste facilmente, mas o que estimula sempre a começar de novo.

Um bom educador abraça quando os outros todos rejeitam; anima quando todos condenam, aplaude os que nunca subiram ao pódio; vibra com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o seu próprio brilho, mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes.
Que educador daria conta dessa missão?"
in badana do livro
É tão difícil ser pai, ser mãe nos dias que correm.
Mais uma vez, Augusto Cury abre-nos a mente e questiona-nos sobre a educação. Quem terá sido a criança mais difícil de educar? O menino Jesus? E a sua mãe não terá sido o maior e melhor exemplo, de como agir e reagir perante os nossos filhos, sobrinhos, alunos...
"Uma visão da psicologia, psiquiatria e pedagogia sobre a mulher mais famosa e desconhecida da História."
Recomendo, adorei tudo!
Como sempre as mensagens de Augusto Cury estão cheias de sabedoria.
Nota: 9/10

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Semear para Colher!


"Como todos sabem, a educação é, sobretudo, uma sementeira." (Agustina Bessa-Luís)


Folheando o jornal Douro Hoje, de 29/01/2009, fui directa à página onde se pode ler algo que todas as semanas é transmitido com todo o saber académico, ponderação e, acima de tudo, sabedoria e conhecimento no terreno de tudo o que se relaciona com escola, alunos, educação - o artigo do Senhor Professor José Esteves Rei, da UTAD (p. 19).

Desta vez, dá-nos a conhecer algo de pertinente sobre educação. A propósito da intervenção da escritora transmontana Agustina Bessa-Luís, dedicada à educação e à função do texto e da escrita no sucesso educativo, coloca a tónica nos textos; claro que todo o tipo de textos, mas para Agustina, o texto literário é, sem dúvida, a pedra basilar para o conhecimento de um povo e da sua identidade.

Concordo plenamente com ela. Todos os outros textos são essenciais e todos nós devemos preocupar-nos com a literacia funcional que os alunos devem possuir (também se pode designar de multiliteracia) para sobreviverem no mudo competitivo em que vivemos. Contudo, nunca poderemos esquecer a literatura, que tem andado arredada da escola. Por isso, e para quem já leu a proposta dos novos programas de Português para o Ensino Básico, deu conta que o texto literário vai regressar em força, desde os primeiros anos, com as devidas adaptações, segundo as faixas etárias. Nem queria acreditar! O Professor Carlos Reis tem ali o seu dedo de homem de literatura e teço-lhe rasgado elogio e coragem na elaboração deste documento agora em estudo. Felizmente alguém nos ouviu!

Ao ler este artigo de Esteves Rei, que aborda a temática da importância dos textos no ensino, apoiando-se em Agustina, fiz uma ponte com o que agora se deseja para o Português e textos a inserir nas aulas. E mais uma vez não posso deixar de afirmar que não se pode ler (ou fazer) nas aulas apenas aquilo que os alunos gostam. Assim, não há progresso, não há cultura. Diz Esteves Rei, citando Agustina, que para que a educação seja uma sementeira tem de "se incutir o gosto que muitas vezes não vai a par do gosto pessoal de cada um". Mas há que adequar o gosto e os desejos de cada um ao "estilo de uma educação" e ao "estilo de uma cultura". Diversificar é preciso; usar e abusar de uma diversidade de textos, mas para se poder diversificar a oferta de valores e atitudes, não podemos, jamais, descurar a nossa boa LITERATURA.

Eu disse boa literatura! Há que saber seleccionar, adequando-a à escolha e ao background de cada aluno/educando. Daí que o Professor Catedrático, José Esteves Rei, conclui o seu artigo dizendo:"...urge alargar formas, modelos, textos e métodos de educação" para que a unidade se faça a partir da diversidade e se construa a nossa verdadeira identidade. Jorge Luís Borges dizia, e não posso deixar de o citar, a propósito dos valores, que tão esquecidos andam, que "o maior luxo de uma sociedade são as relações humanas". Professores, pais e alunos, vamos à descoberta da verdadeira literatura, do verdadeiro texto! Vamos à procura da boa literatura, da boa escrita! Pouco mais necessitaremos...

domingo, 25 de janeiro de 2009

O VALOR ACTUAL DA NOSSA LÍNGUA

Eureka!... Até que enfim há uma notícia que nos alegre. Ufa!
Nestes dia sombrios, chuvosos, melancólicos e nada risonhos, tudo nos angustia e tudo o que há de mau na sociedade, ou na nossa vida, aparece de uma forma inesperada.
Ora, decidi iniciar a leitura do jornal Expresso, na esperança de ler algo que me alegrasse ou enriquecesse a minha culturazita. E não é que aconteceu? Tenho de partilhar convosco. Na página 23 do caderno principal (Expresso, 24/01/2009), o título e os bonequinhos coloridos obrigaram o meu "olho clínico" a ler, observar e até a reler. Nem queria acreditar. O título é: "Português, Quanto vale a língua?". Até a própria página está engraçada e bem concebida.
Nem tudo vai mal. Resulta esta notícia de um estudo europeu que conclui que "11% das pequenas e médias empresas na União Europeia perdem contratos em resultado directo da escassez de competências linguísticas...". E mais adiante continua: "O português já não é só uma língua de negócios. Está em expansão mundial...". Agora aprendi algo. Reparem: "Os especialistas chamam-lhe a língua megacentral (como o espanhol e o francês), logo a seguir ao inglês (hipercentral). Já somos 244 milhões e muitos querem aprendê-la, porque acham que vão necessitar dela no futuro: para trabalhar, viajar e comunicar (estudo divulgado pelo Instituto Camões). Até já adquiriu o direito a ser usada nos diálogos e instituições internacionais!
Adorei tudo isto! Como professora e cidadã do mundo da lusofonia, deu-me outro ânimo para o ensino (já que as competências que os nossos alunos apresentam deixam-nos de rastos e a família desatenta e inculta não se preocupa). Até vou falar neste estudo aos meus alunos. É que as 10 figuras mais famosas como falantes da língua lusa misturam actividades como o futebol (e não é a maior parte), a política, a música e a literatura (são 5, cerca de 50% da lista). Vou nomear por ordem crescente de importância, tal como são apresentados os resultados do estudo: Lula da Silva, Ronaldinho Gaúcho, Figo, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, José Saramago, Fernando Pessoa, Camões, Cesária Évora e Mia Couto. Claro que o maior número de falantes está no nosso querido Brasil (191,6 milhões), a seguir vem Moçambique (21,4), Angola (17), Portugal (10,6) e depois Guiné-Bissau, Timor Leste, Cabo Verde e São Tomé. O estudo ainda conclui que entre 2000 e 2008, o português foi a segunda língua que mais cresceu, depois do árabe, nos utilizadores da Net.
Como professora e formadora, fiquei radiante com o facto de haver 5 escritores na lista e 3 deles contemporâneos. Os esforços dos professores têm sido reconhecidos, suponho eu, com estes resultados. Não é só a nossa influência enquanto transmissores do saber, mas também pelo facto de conseguirmos o gosto pela literatura. Com tudo isto, já me passou a melancolia. E como eu adoro Mia Couto, um dos laureados da lista e que, na minha opinião, será num futuro muito próximo um ícone da literatura de expressão africana, tenho de partilhar com esta comunidade de leitores (isto já vai sendo um vício) um poema que me veio às mãos da sua autoria. Espero que gostem, porqe ilustra o que está subjacente a este estudo, agora publicado. Além disso, eu sou moçambicana, amante das histórias de cunho oral de África e das palavras.
Tropecei no alfabeto logo ao nascer,
caí no verbo.
Invejei poetas, dizeres ímpares
Palavras seculares, versos românticos.
Invoquei-os.
Não ouvi respostas
Apenas o eco do silêncio.
Percebi então que faço melhor do que eles.
Aprendi a florir flores
A salgar o sal e a adoçar o doce com a entrega de palavras
Que ainda não nasceram,
As mesmas que me habitam a alma.
Aplaudi-me.
Percebi que melhor que ser poeta,
É ser palavra.
Mia Couto
O estudo pode ser complementado com a consulta ao Instituto Camões. Aí existem outras informações preciosas sobre a nossa língua, literatura e eventos da lusofonia. Espero que vos tenha dito algo de útil e que vos faça pensar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Conviver com os adolescentes

Recebi este livro como presente de natal, um presentinho de uma colega, digo Amiga. Li o título “Conviver com os adolescentes”, folheei-o e percebi que se tratava de um minilivro de auto-ajuda para pais, professores e educadores, motivo pelo qual quis partilhá-lo com outros leitores.

Citando Jim Auer:
“Quando o teu filho se aproximar dos treze anos, vais notar que a criança que criaste ou educaste é agora um estranho -um adolescente. Este pequeno manual ensinar-te-á a arte e as estratégias que precisas para ultrapassar esta fase – assim como sugestões para melhorar a tua relação com o teu filho adolescente. Poderás sobreviver e até gostar desta fase. Deixa que os duendes deste livro te mostrem como!”

A todos os pais, futuros pais de adolescentes ou professores deixo-vos um conselho que me tocou especialmente:
“Tu tens o direito de querer que o teu filho” ou aluno “se torne um jovem bom e honrado… Contudo, não é realista esperares que ele se torne uma cópia tua…” ou de outra pessoa.
Cada ser é único e não deve ser comparado mas sim compreendido, aceite e ensinado a caminhar, da melhor forma, na longa estrada da vida.
Nota: 7/10

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Écrire

"J'ai toujours fui l'écriture dans le dessin"
Daniel Pennac

Daniel Pennac é um amante da escrita (como já foi referido no outro post sobre o livro Chagrin d'école). Neste livro Écrire, através de desenhos, ele fala-nos sempre e ainda, da escrita e dos escritores.
A personagem principal é uma caneta de tinta permanente preta, que suponho eu, deve ser a sua eterna companheira na escrita; apresentada cheia de poder, de criatividade, de libertação, de tortura para quem a possui... UM LIVRO INTRIGANTE!


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Chagrin d'école - Daniel Pennac


"Sempre disse que a escola são os professores. Quem me salvou foram três ou quatro professores" (D. Pennac, 2007, p.57)


Ainda não está traduzido em português, mas podíamos traduzi-lo por “Insucesso na escola”. Foi uma obra que descobri por acaso, numa citação, e que logo me impeliu para a pesquisa. Como professora, educadora e formadora não o poderia perder. Enfim, depois de muito “bater à porta” de tantas editoras, uma possuía mesmo o original, em língua francesa.
Li, reflecti e fiz a ponte com a nossa realidade. Nada mais parecida. Afinal o que afecta a educação em França é, certamente, o que temos no nosso país. Daniel Pennac dá-nos a verdade nua e crua da realidade escolar e o porquê do insucesso. Ele, o grande pedagogo, pensador, sociólogo e homem de literatura. Com o seu exemplo (ele era um mau aluno, mas daqueles que todos nós conhecemos, um agitador, um desinteressado, um preguiçoso, “un cancre” como se diz em francês, para designar de forma grosseira aquilo que vulgarmente se diz “burro”), qualquer um que leia o livro chega à conclusão que não há alunos bons nem maus. Há alunos que se encontram perdidos, sem saberem o seu rumo. É necessário que alguém lhes indique o caminho.
Fala-nos dos problemas sociais da actualidade, indicando algumas chaves pedagógicas para pais e professores. Tudo o que ele é o deve a três professores – os seus salvadores. O primeiro de todos, um professor de Língua Materna (para ele o francês), teve a feliz ideia de acabar com as suas desculpas e dissertações para se desculpar da falta de estudo e dos deveres de aluno, pedindo-lhe que escrevesse um romance. Foi este o clic que o chamou à realidade, introduzindo-o no mundo da literatura. Nunca mais deixou o dicionário, os bons escritores e a leitura. É um auto-retrato, cheio de humor e de factos reais, mas saborosos. Fascina-nos com o seu talento e a sua capacidade de contador de histórias.
Só para professores? Não. Essencialmente para pais, tal como ele teve o grande apoio familiar, apesar de todos os insucessos escolares que ia revelando. O suporte familiar nunca falhou. Depois, bastou o feeling de alguns professores para o fazerem despertar. Palmas para Daniel Pennac e para todos os professores que, tal como aqueles que descobriram este prodígio, tanto fazem pelo ensino e pela educação.
A propósito, também descobri um poema de Jacques Prévert que nos fala dos chamados alunos a quem apelidam de “cancres” e que não queria deixar de vos dar a conhecer, pois está na linha do discurso da obra aqui referenciada. É ao mesmo tempo real e cruel.
Vão as duas versões, sendo a portuguesa traduzida e adaptada por mim, para que todos compreendam.


“Le cancre”

Il dit non avec la tête
Il dit oui avec le coeur
Mais il dit oui à ce qu’il aime
Il dit non au professeur.
Il est debout
On le questionne
Et tous les problèmes sont posés.
Soudain le fou rire le prend
Et il efface tous les chiffres et les mots,
Les dates et les noms,
Les phrases et les pièges.
Et malgré les menaces du maître,
Sous les huees des enfants prodiges
Avec des craies de toutes les couleurs
Sur le tableau noir du malheur
Il dessine le visage du bonheur.

Jacques Prévert


“O mau aluno”

Ele diz não com a cabeça
Ele diz sim com o coração
Mas diz sim àquilo de que gosta
Ele diz não ao professor.
Ele está de pé
Alguém o questiona
E todos os problemas se colocam.
De repente, desata a rir-se
E apaga todos os números e palavras,
As datas e os nomes,
As frases e as ciladas.
E apesar das ameaças do mestre,
Sob os apupos dos meninos-prodígio,
Ele desenha o rosto da felicidade
Com o giz de várias cores
No quadro negro da infelicidade.

Isilda Lourenço Afonso

Nota: 10/10

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A razão dos avós


"Quanto maior é a dúvida sobre o passado, mais perguntas surgem a questionar o presente" in contra-capa.


Mais uma vez Daniel Sampaio surpreende com este livro. Qual o papel dos avós na nossa sociedade? Que relevância têm exactamente na educação dos seus netos? Que magia transportam eles para o seio do imaginário das crianças? Que lugar lhes dão os pais, seus filhos? Que valores transmitimos no século XXI?
Tantas perguntas... algumas com respostas, outras só nós sabemos como lhe responder.
É essencialmente um bom motivo para nós adultos, filhos de alguém e pais de crianças e jovens, reflectirmos sobre a importância das várias gerações na família.
Não é um romance para ler de fio a pavio. É um livro para ler calmamente, sem atropelos para interiorizar o que está escrito mas sobretudo para pensar e reflectir sobre a educação dos nossos filhos.
Nota: 8/10