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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O CASTELO DOS LIVROS


Neste livro de Teresa Maia Gonzalez (crianças dos 7 aos 10 anos), abordam-se duas temáticas: o valor dos livros e da biblioteca e os maus tratos a uma criança, tão frequentes na nossa sociedade (a propósito da história do dragão).

Havia um castelo numa montanha azul, constituído por 4 torres, onde vivia um marquês (biblionário - aquele que era muito rico em livros) com os seus criados. Essas torres eram autênticas bibliotecas: a Torre dos Arrepios (para livros de romAnce de aventuras), a Torre das Asas (para livros de poesia), a Torre do Céu (para livros de religião) e a Torre Dourada (livros para crianças e jovens).
Já muito velhinho, o marquês decidiu convidar as pessoas da cidade para visitarem o seu castelo e poderem admirar a sua biblioteca. Ficou amargurado por ninguém apreciar tamanho tesouro. Eis senão quando, vê a Inês de 8 anos que lia um livro nas escadas, muito concentrada.

Assim tudo começou. Inês leu, leu, leu... pela vida fora até que um dia decide tornar-se contadora de histórias para crianças, principalmente para aquelas que tinham deixado de ler ou que nunca tinham ido à escola. Foi ela quem ficou com o castelo, após a morte do marquês, tornando-se uma sábia. Conheceu, entretanto, uma menina, a Teresa que, tal como ela, se apaixonou pela leitura e pela escrita. Até escreveu uma história sobre um dragão. Inês desconfiou do assunto e da forma como estava abordado e acabou por descobrir um problema pessoal da pobre Teresa.

Foi muito importante ter tido conhecimento da história e, após uma longa conversa com a sua amiga de leitura, o gravíssimo problema foi resolvido.

A amizade nascida da paixão pelos livros serviu para combater algo que molestava a Teresa e uma verdadeira amizade nasceu e consolidou-se. É assim que Teresa Gonzalez termina na p. 62: "Porque quem conta histórias, falando ou escrevendo, acaba por fazer amigos (se calhar, ainda não tinhas pensado nisto...)!

É uma mensagem que nos faz pensar e, sobretudo, nos mostra como através dos livros se descobrem grandes mistérios. E não é verdade? Nós, professores sabemos isso muito bem...

Agora deixem-me transcrever as passagens deliciosas deste livro para vos aguçar o apetite.

"Ao abrir a janela de um livro, entra às vezes uma corrente de ar mágica que nos dá o alento e a coragem necessários para pedir ajuda e seguir em frente, com confiança, rumo à Alegria para a qual Deus nos criou a todos" (2007, p. 4)

"Quem escreve um livro, constrói um castelo, e quem o lê passa a habitá-lo" (2007, p. 6)

"...uma biblioteca onde vivem muitos livros deve ser um lugar sempre bem organizado, assim como a nossa cabeça, onde vivem muitas ideias, deve estar organizada." (2007, p. 31)

"Convém lembrar que um sábio não é apenas alguém que sabe muitas coisas, mas também alguém que consegue realizar algo importante para si e para os outros, de modo a que a vida fique mais bonita de viver!" (2007, p. 34)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Semear para Colher!


"Como todos sabem, a educação é, sobretudo, uma sementeira." (Agustina Bessa-Luís)


Folheando o jornal Douro Hoje, de 29/01/2009, fui directa à página onde se pode ler algo que todas as semanas é transmitido com todo o saber académico, ponderação e, acima de tudo, sabedoria e conhecimento no terreno de tudo o que se relaciona com escola, alunos, educação - o artigo do Senhor Professor José Esteves Rei, da UTAD (p. 19).

Desta vez, dá-nos a conhecer algo de pertinente sobre educação. A propósito da intervenção da escritora transmontana Agustina Bessa-Luís, dedicada à educação e à função do texto e da escrita no sucesso educativo, coloca a tónica nos textos; claro que todo o tipo de textos, mas para Agustina, o texto literário é, sem dúvida, a pedra basilar para o conhecimento de um povo e da sua identidade.

Concordo plenamente com ela. Todos os outros textos são essenciais e todos nós devemos preocupar-nos com a literacia funcional que os alunos devem possuir (também se pode designar de multiliteracia) para sobreviverem no mudo competitivo em que vivemos. Contudo, nunca poderemos esquecer a literatura, que tem andado arredada da escola. Por isso, e para quem já leu a proposta dos novos programas de Português para o Ensino Básico, deu conta que o texto literário vai regressar em força, desde os primeiros anos, com as devidas adaptações, segundo as faixas etárias. Nem queria acreditar! O Professor Carlos Reis tem ali o seu dedo de homem de literatura e teço-lhe rasgado elogio e coragem na elaboração deste documento agora em estudo. Felizmente alguém nos ouviu!

Ao ler este artigo de Esteves Rei, que aborda a temática da importância dos textos no ensino, apoiando-se em Agustina, fiz uma ponte com o que agora se deseja para o Português e textos a inserir nas aulas. E mais uma vez não posso deixar de afirmar que não se pode ler (ou fazer) nas aulas apenas aquilo que os alunos gostam. Assim, não há progresso, não há cultura. Diz Esteves Rei, citando Agustina, que para que a educação seja uma sementeira tem de "se incutir o gosto que muitas vezes não vai a par do gosto pessoal de cada um". Mas há que adequar o gosto e os desejos de cada um ao "estilo de uma educação" e ao "estilo de uma cultura". Diversificar é preciso; usar e abusar de uma diversidade de textos, mas para se poder diversificar a oferta de valores e atitudes, não podemos, jamais, descurar a nossa boa LITERATURA.

Eu disse boa literatura! Há que saber seleccionar, adequando-a à escolha e ao background de cada aluno/educando. Daí que o Professor Catedrático, José Esteves Rei, conclui o seu artigo dizendo:"...urge alargar formas, modelos, textos e métodos de educação" para que a unidade se faça a partir da diversidade e se construa a nossa verdadeira identidade. Jorge Luís Borges dizia, e não posso deixar de o citar, a propósito dos valores, que tão esquecidos andam, que "o maior luxo de uma sociedade são as relações humanas". Professores, pais e alunos, vamos à descoberta da verdadeira literatura, do verdadeiro texto! Vamos à procura da boa literatura, da boa escrita! Pouco mais necessitaremos...