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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pobby e Dingan

Sinopse:

"Livro recomendado no programa de português do 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade III
É a primeira obra de Ben Rice (n. 1972, Inglaterra), publicada inicialmente numa revista australiana, e que tem recebido as críticas mais elogiosas. A história passa-se numa pequena povoação mineira da Nova Gales do Sul, Austrália, e é contada por Ashmol, filho de um mineiro em busca de opalas, irmão de Kellyanne, que tem dois amigos imaginários, Pobby e Dingan, que dão o título ao livro. Kellyanne é, claro, a única que "vê" estes seus amigos imaginários, mas a família, e mais tarde toda a população, alimenta esta sua fantasia; a mãe chega a colocar mais dois pratos na mesa, para aqueles amigos "mais calmos e mais bem comportados que os filhos". Mas os problemas chegam quando os amigos imaginários se perdem e o pai é acusado de roubar. Então Ashmol coloca toda a sua força e inteligência para trazer Pobby e Dingan de volta e convence a população a ajudá-los."

"... um livro surpreendente, uma pequena jóia. Um daqueles livros que oferecemos às pessoas de quem gostamos, porque depois de lê-lo apetece partilhá-lo."
José Luís Peixoto, DNA
Apetece partilhá-lo (retomando as palavras de José luís Peixoto) ... pois foi o que fizeram as nossas queridas amigas do blogue Sombra dos Livros, a Alice e a Bailarina; às quais agradeço do fundo do coração, esta linda e maravilhosa oferta.
Sou sincera, não conhecia de todo o livro ou o autor, mas vindo de duas leitoras assíduas, só podia ser realmente bom.
Li o livro de uma só vez, é pequeno mas com uma escrita rica e envolvente, que nos leva para um mundo diferente que os adultos já há muito esqueceram ... o mundo da imaginação e da fantasia. Achei simplesmente divinal o facto do autor colocar uma aldeia inteira (e aqui falamos de adultos) a viver o sonho e a fantasia de uma pequena criança, Kellyanne, com o objectivo de a salvar.
Comovente, com um final fabuloso mas também bastante doloroso, é uma pequena GRANDE obra que nos relembra que um dia também já fomos crianças.
"Depois de muito pensar escolhemos este pequeno grande livro pois poderás lê-lo com as tuas pequenitas, coisa que sabemos que te dá muito prazer. Espero que gostes (e que seja uma novidade) e que te marque tanto como nos marcou a nós."
Dedicatória de Alice e de Bailarina
Muito obrigado às duas :O)

terça-feira, 30 de junho de 2009

O avô Augusto

Numa aldeia ribatejana, havia uma casa, situada perto da então designada escola primária, era a do avô Augusto, também conhecido pel’ O Pião. O avô Augusto era um homem alto, magro, com umas mãos enormes, muito dedicado ao trabalho e à família.
O avô Augusto era o sapateiro da aldeia, pelo que conhecia todas as pessoas e passava parte do seu tempo à conversa com elas. Pelas manhãs, vagueava pela aldeia para fazer a distribuição dos sapatos em busca do seu ganha-pão. Um dia convidou-me para o acompanhar. Agarrei a enorme mão do avô e parti com ele para mais um dia.
Chegámos perto de uma casa muito velhinha e o avô bateu à porta. Esperámos algum tempo e, de repente, a velha porta abriu-se:
-Bom dia Senhora Emília! Como tem passado? -disse o avô.
-Bom dia Senhor Augusto! O que o traz por cá hoje!
-Os sapatos, venho-lhe trazer os seus sapatos.
-Ah! Senhor Augusto a vida está tão má, eu não lhe posso pagar. Espero que compreenda, o meu marido está doente e…
Do interior da casa, ouviam-se gritos:
- Emília quem está aí? Oh mulher! quem é?
A Senhora Emília envergonhada respondeu:
-É o Senhor Augusto e a sua netinha.
-Quem?
-O Pião.
-Não… Nós não temos dinheiro. Guarda os tostões para o pão!
O avô Augusto percebeu que não havia dinheiro para pagar o conserto dos sapatos. Ficou sério, olhou para a senhora Emília e disse:
-Não se incomode, fique com os sapatos e pagará quando puder.
O Avô agarrou a minha mão e seguimos rumo a casa. Já estávamos longe, no entanto ainda se ouvia a senhora Emília a gritar “Bem-haja, Bem-haja Senhor Augusto”. Como não tinha percebido as palavras da senhora Emília, perguntei ao avô:
- O quer dizer Bem-haja?
- Obrigado. Explicou o avô.
- Avô…
- Diz Ana, o que é?
- Como é que vai comprar o nosso pão?
- Ana, ouve bem as palavras deste homem velho e cansado. Se ajudares os outros, serás sempre recompensada.
Após um momento de silêncio, o avô abraçou-me e retrucou:
- Não te preocupes, cá nos havemos de arranjar.
O avô Augusto era assim, sempre compreensível e amigo daqueles a quem a vida pouco deu.
Fiquei comovida, com uma lágrima no canto do olho, e disse:
-Avô, tu és amigo das pessoas…Gosto tanto de ti.
O avô apertou fortemente a minha mão e continuámos a árdua tarefa de entregar o calçado às pessoas de aldeia.
O dia chegava ao fim e eu já apresentava alguns sinais de cansaço. A noite estava a ficar escura e amedrontadora. Segurava-me cada vez mais àquela mão forte para me proteger dos meus fantasmas de criança…
Quando, de repente, balbuciei timidamente:
-Avô está…a… a escurecer.
-Não tenhas medo, Ana. À noite as estrelas brilham e indicam-nos o caminho a seguir. A estrelinha cintilante é o teu Anjo da Guarda.
Olhei para o Céu à procura da Estrela, do meu Anjo da Guarda… Porém, como não a encontrei, perguntei com alguma tristeza:
-Avô! não consigo ver o meu Anjo da Guarda?
-Olha para as estrelas e ouve o teu coração!
Cresci na esperança de encontrar aquela estrela… Esperei muitos anos. Só a encontrei mais tarde, no dia em que tive de explicar aos meus filhos, Rafael e Beatriz, que o avô Augusto vivia agora naquela estrelinha cintilante…
Ainda hoje me lembro das palavras do avô, apesar de não saber ler nem escrever, era um velho sábio porque a vida ensinara-lhe muito. Aquelas rugas personificavam as tristezas e as alegrias de uma longa caminhada.
Também escrevo... espero que gostem...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A nuvem ou o sonho de ser almofada

«O sol brilhava alto no céu quando as primeiras nuvens começaram a aparecer no horizonte. Cinzentas e brancas, rebolavam as nuvens, umas sobre as outras, brincando com o vento, com risinhos e gargalhadas. Oceana olhava para as suas irmãzinhas com carinho e doçura, mas já cansada da brincadeira.
Oceana era uma jovem nuvem, empenhada na escola “Nubelina”. Aprendera empenhadamente o ciclo da água, quais os dias em que deveria de pingar, chover ou fazer trovoada sobre a terra. Como qualquer outro trabalho escolar, Oceana ouvia tudo o que lhe era explicado com extrema paixão porque sabia o quanto a terra e os seus seres vivos dependiam dela, das suas irmãs, dos seus irmãos… e do resto de toda a sua família.
No entanto, Oceana não era totalmente feliz, no fundo do seu coração, a tristeza por vezes vencia; sempre achara que a sua missão não era só aquela, apesar de ser muito importante. Muitas das suas gotinhas caíam sobre a terra para alimentar o chão onde eram depositadas sementes pelos agricultores, para regar a relva e as flores dos jardins, para ajudar o pintassilgo a tomar o seu banho semanal. Muitas vezes, as suas gotinhas molharam homens e mulheres atarefados na sua vida rotineira, ensoparam crianças ao sair da escola ou encharcaram o cãozinho que dormia na soleira da porta da casa amarela.
A noite caía, Oceana continuava, como todas as noites, a vaguear pelo céu com a sua família; nómadas a percorrer o mundo em busca de terras secas para alimentarem. Quando a lua ia alta, descansavam aconchegadinhas umas às outras, muitas vezes sob o olhar dos astros, pedindo desejos às estrelas cadentes.
“Eu queria tanto ser uma almofada.” Desejava Oceana secretamente, na esperança de sentir a cabeça de uma criança no seu regaço.
O sono chegou. Oceana adormeceu, pingando devagarinho sobre as terras de Portugal.
O sol voltou a brilhar no céu. Oceana abriu os olhos, os seus pingos não caíam mais sobre a terra… assustou-se ao ver-se deitada em cima de uma relva verdinha de um lindo jardim florido com rosas vermelhas, jasmins brancos e tulipas amarelas. O latido de um cão, que mais se parecia com uma ovelhinha malhada, fê-la tremer de medo. Oceana olhou para o céu, não viu nenhuma das suas irmãs, nenhum dos seus irmãos ou parentes, tinham seguido caminho… sem ela. Oceana caíra na terra!
Aterrorizada e sem perceber o que pudera ter acontecido, Oceana ouviu passos… Uma linda criança morena, com caracóis rebeldes aproximava-se dela. Nunca tinha visto uma criança de tão perto, apesar de muitas vezes as ter visto a brincar e a saltar, diversas vezes sonhara com elas e como poderiam brincar todos juntos. A criança aproximou-se e abraçou a nuvem que tremia de medo.
- Pára de latir, Branquinha, é só uma almofada branca… que cheira a chuva e a terra molhada.
Serena agarrou em Oceana com extremo carinho e levou-a para dentro de casa. A Branquinha parou de ladrar e o coração de Oceana sentiu-se reconfortado, começando a bater mais devagar. O medo estava a desaparecer.
Ao entrar à porta do orfanato “Sorriso da Estrela Cadente”, Serena mostrou a sua nova aquisição às crianças pequenas, grandes, morenas, loiras… felizes por viveram num espaço tão acolhedor como aquele que as recolhia. Serena aconchegava a sua nova descoberta junto ao peito; a nuvem branca sentia-se valorizada e preciosa naqueles braços tão pequeninos.
- Vou ficar com esta nova almofada. A minha, que já foi da Maria e antes fora da Carolina, está cansada dos meus sonhos e dos meus pesadelos.
Subiu apressadamente as escadas, até ao segundo andar, entrou na bela camarata que partilhava com outras crianças pousou a linda almofada branca que cheirava a chuva em cima da sua cama. Pegou na sua antiga almofada e depositou-a ncesto da cadelinha, que logo se deitou e começou a dormir.
O cheiro a chuva pairava na camarata. Serena sorria de felicidade… foi então que Oceana percebeu: o seu desejo tinha-se cumprido; a nuvem branca era agora uma bela e fofinha almofada que caíra na relva daquele orfanato para ajudar Serena.
-Tenho uma nova almofada! - Murmurava Serena.
Todas as crianças estavam felizes e sorriram com a Serena.
Oceana sentiu uma gotinha a cair na cama.
“Nunca mais vais ter pesadelos, prometo-te Serena!”»

E porque eu também gosto de escrever... da minha autoria... espero que gostem!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Rato de Alexandria - O livro que falava com o vento e outros contos

Enquanto fazia o percurso das bibliotecas ao longo dos tempos, veio-me à memória “O Rato de Alexandria”, um dos contos de O livro que falava com o vento e outros contos,de José Jorge Letria. Esta história trata de um rato que morava num sítio especial: a Biblioteca de Alexandria, onde havia milhares de pergaminhos e papiros, contendo todos os conhecimentos que os homens tinham até então conseguido acumular e passar para a escrita. Sentiu curiosidade por desvendar os segredos guardados naqueles documentos e transformou-se no primeiro rato a saber ler, descobrindo imediatamente o prazer da leitura. Assistia às animadas discussões que ocupavam durante vários dias os cientistas e os filósofos de Alexandria. “Conhecia todos os grandes sábios do seu tempo e, à medida que os ia conhecendo, ganhava admiração por eles e ficava com pouca paciência para ouvir as deslavadas conversas dos ratos seus irmãos.”
De leitura em leitura, foi ficando cada vez mais sábio e, ao mesmo tempo, envelhecendo.

Alexandria também envelhecia. Um dia, um grande fogo começou a alastrar dentro da biblioteca e o rato, antes da fuga, conseguiu juntar alguns pergaminhos e levou-os para longe do incêndio. Nos anos seguintes, num templo dos arredores da cidade, o rato de Alexandria não esqueceu nada do que tinha aprendido e conseguiu transmitir os seus conhecimentos aos ratos mais novos.

Um dia o rato morreu… Contudo, “muitos anos depois, todos os ratos dessa terra sabiam ler e veneravam uma estrela estranha e longínqua chamada Alexandria.

Do mesmo livro, também vou destacar o conto “O Sábio, o Califa e o Saber”, onde um califa ordena ao homem mais sábio da corte que organize e resuma todas as formas de saber que, durante séculos, foram armazenadas pelos sábios, pelos cientistas e pelos poetas do seu reino. Tinham sido feitas grandes descobertas, mas o califa temia que se perdessem, pois andavam só de boca em boca…

Esta passagem ilustra o reconhecimento da importância da palavra escrita. De facto, já na Antiguidade, os governantes se preocupavam em mandar escrever os documentos mais relevantes. Um bom exemplo disso é o Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis escritas, elaborado por volta de 1700 a.C.

A história de José Jorge Letria continua, mas deixo-vos o grato prazer de a descobrirem, bem como aos outros contos que fazem parte deste livro fantástico.

Lídia Valadares

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ardínia e Tedo e outras Lendas de Lamego

Finalmente, o trabalho de escrita do livro Ardínia e Tedo e outras Lendas de Lamego já está concluído e vai ser publicado esta semana.
Muitas horas de trabalho por parte de alunos desde os 11 anos até aos 14 anos. O livro está muito bem escrito... e não foi fácil... Tenho a certeza de que vão gostar.

"O fascínio das palavras, no sortilégio de lendas, narradas numa linguagem tão rica, cuidada e exigente,quanto repleta de sonoridades, imagens e sugestões."

Papiro Editora

Nota Introdutória: "A promoção de hábitos de leitura regulares estimula e consolida o processo de aprendizagem que, desde tenra idade, as crianças e jovens devem desenvolver. Na realidade, um livro pode proporcionar um mundo de experiências. Ao virar de cada página, a aventura, o drama, a comédia, o romance e muitos outros géneros, permitem aos mais novos abordar novas áreas do saber e satisfazer a sua aguçada curiosidade com conhecimentos e novas sensações. Por tudo isto, o livro e a leitura constituem um sólido contributo para o sucesso do sistema educativo e dos seus agentes. Por vezes, professores e alunos vão mais longe e tornam-se agentes activos do processo de criação de livros. Em boa hora, os alunos do segundo e terceiro ciclos do ensino básico do Colégio da Imaculada Conceição, respeitada instituição de ensino da cidade de Lamego, propuseram-se participar na reescrita de Ardínia e Tedo, uma história milenar associada à génese do Município de Lamego, de O Sino Dourado, e de outras lendas que, segundo a tradição, estiveram na origem do nome de alguns lugares, e de um rio, que nos são bem familiares (Britiande, Penajóia, Balsemão e Rio Douro). O resultado final é um livro muito interessante e didáctico. Estou certo que ajudará as gerações mais novas a descobrir um dos mais singulares e antigos exemplos do nosso valioso património cultural que povoa o imaginário histórico dos lamecenses.
Quero, em nome da Câmara Municipal de Lamego, felicitar o Prof. Fernando Marado, que mais uma vez se empenhou no trabalho activo com jovens com o intuito de fomentar a leitura, e todas as pessoas envolvidas na elaboração desta obra, professores e alunos, que, com mestria e entusiasmo, conseguiram rejuvenescer o espírito das lendas que estiveram na origem do Município de Lamego, e que até hoje sobrevivem ao esquecimento."
Presidente da Câmara de Lamego, Eng. Francisco Lopes

Exemplo a seguir: "Ao ler Ardínia e Tedo e Outras Lendas de Lamego, de autoria de Fernando Branco Marado e Jovens, lembrei um soneto que, em 2001, compus e lhe dediquei, e do qual me apraz transcrever a quadra: Caminheiro das grandes altitudes/Não se cansa nunca de subir/Exemplo vivo de sábias virtudes/Que não podemos deixar de o seguir… Desta feita, seguiram-no, uma vez mais, professores e alunos de uma das mais emblemáticas e conceituadas instituições educacionais de Lamego – o Colégio da Imaculada Conceição – a deixar patentear a altíssima qualidade no desempenho das suas funções e todo o amor e expectativa que deposita nos educandos e consecução dos objectivos. Neste caso, a arte de bem escrever e bem contar. Possuem, estas lendas reiventadas, enredos tão bem urdidos e conseguidos, que mais parecem realidades tangíveis e actuais, narradas numa linguagem tão rica, cuidada e exigente, quanto repleta de sonoridades, imagens e sugestões. Por isso, e olhando ao seu aspecto didáctico/pedagógico, fácil é de concluir que este Livro poderá transformar-se num excelente auxiliar de motivação e preparação para o estudo dos textos de autores do programa oficial e num bom exemplo de leituras complementares e paralelas. É também de salientar o rigor e a beleza das ilustrações de Jorge Vieira.
Que Lamego e o País saibam, pois, apreciar devidamente uma obra que é, simultaneamente, testemunho, cartaz e hino da ancestralidade e do valor histórico/patrimonial de uma Cidade, elevando-a e projectando-a."
Macário Ribeiro de Almeida

Nota Final: "Saber ler e escrever é interpretar a palavra. Quando cultivamos a palavra, estamos a formar algo que é mais que "saber", é "ser", na medida em que a palavra não vem do exterior; esta brota do interior das raízes humanas e corresponde a um desenvolvimento e amadurecimento interior. É pelo cultivo da palavra que se criam, no ser humano, as condições necessárias e favoráveis à compreensão e expressão que a mente abarca.
Orientar quem inicia estas lides do "obscuro mar" da palavra é o propósito do ensino da língua portuguesa e da literatura, e foi o propósito do Prof. Fernando Marado e da Prof. Ana Lúcia Baptista ao lançar mais um desafio aos nossos alunos do 2° e 3° ciclo do Ensino Básico, com a reescrita e a dramatização de Ardínia e Tedo e de outras lendas de Lamego.
“Na lenda de Ardínia e Tedo persiste a força mágica da memória e da imaginação de um povo, libertas num poetar congénito, à procura de uma consciência, de uma plenitude, em que o amor prevalecendo sobre a morte não aceita estar na imobilidade e no silêncio desta o nada de tudo, o nada absoluto”*. Em nome do Colégio da Imaculada Conceição de Lamego, quero agradecer profundamente o convite feito pelo Prof. Fernando Marado com quem é um prazer colaborar; congratular a Prof. Ana Lúcia Baptista e todos os professores envolvidos pelo o empenho e dedicação; felicitar os alunos das turmas de 5°, 6°, 7° e 8° anos do ensino básico pelo trabalho rigoroso e sério que desempenharam ao longo deste projecto; agradecer à Câmara Municipal de Lamego por participar nesta iniciativa; por fim congratular os pais e encarregados de educação por estarem sempre presentes na nossa instituição."
*Fernando Marado
Cristina Bernardes

segunda-feira, 16 de março de 2009

História de uma Gaivota e de um Gato que a ensinou a voar

Este livro, de Luís Sepúlveda, conta-nos uma emocionante história que se desenrola à volta de um gato, Zorbas, que se vê envolvido numa situação dramática, quando uma gaivota, apanhada por uma maré negra, foi parar junto dele e, após um curto e emocionante diálogo, lhe fez prometer que tomaria conta do seu ovo, criaria a sua gaivotinha e a ensinaria a voar. Zorbas, comovido e aflito com o estado lastimoso e o desespero da gaivota, prometeu cumprir estas promessas. Mas, como irá ele cumpri-las? Um gato a ensinar uma gaivota a voar?!

O livro começa com uma passagem fantástica que eu não resisto em transcrever: “Kengah, uma gaivota de penas cor de prata, gostava especialmente de observar as bandeiras dos barcos, pois sabia que cada uma delas representava uma forma de falar, de dar nome às mesmas coisas com palavras diferentes.

- As dificuldades que os humanos têm! Nós, gaivotas, ao menos grasnamos o mesmo em todo o mundo – comentou uma vez Kengah para uma das suas companheiras de voo.” (Será destas dificuldades de linguagem dos humanos que resultam a incomunicação e a falta de entendimento? Ou será a cultura do eu?...). A este propósito, é de salientar o espírito comunitário das gaivotas, a solidariedade dos gatos ao ajudarem Zorbas no cumprimento da sua palavra, pois “os problemas de um gato de porto eram os problemas de todos”; a forte amizade estabelecida entre seres de raças diferentes: gatos e gaivotas (uma relação impensável); o respeito pela diferença, o valor do cumprimento da palavra, a generosidade, o espírito de sacrifício, a força de vontade… Que bonitas lições para os humanos!...

Quando Kengah foi apanhada pela peste negra e esperava o fatal desenlace, amaldiçoou os humanos: “ – Mas não todos. Nada de injustiças – grasnou ela debilmente!” Que apurado sentido de justiça!

É impossível não nos envolvermos num turbilhão de emoções, reflexões e sentimentos quando mergulhamos nesta fábula bem estruturada, em que coabitam situações cómicas, dramáticas, revoltantes, de rara sensibilidade e extremo carinho, num texto onde ressalta a beleza literária e a riqueza da mensagem.

Depois de Zorbas ter passado longos e incómodos dias no choco, um dia, a gaivotinha nasceu e “olhando para o gato, grasnou, na sua fragilidade: Mamã!” Quem fica insensível a este singular espírito de sacrifício do gato e a este momento de ternura?

Zorbas e os seus amigos deram o nome de Ditosa à gaivotinha, tendo em conta a dita de ficar sob a sua protecção. Ditosa cresceu depressa, rodeada de carinhos e tornou-se uma jovem e esbelta gaivota. Zorbas queria que Ditosa aprendesse a voar, mas esta queria ser gato como eles e miar. Os felinos ensinavam-lhe, com empenho, as técnicas de voo, depois de sucessivas pesquisas na enciclopédia. Mas Ditosa resistia… tinha medo.

Terão conseguido que a gaivota voasse? Deixo este ponto para descobrirem, quando lerem o livro. E, para finalizar, vou deixar aqui uma expressão retirada da última página, para reflectirmos: “… só voa quem se atreve a fazê-lo – miou Zorbas.”

Lídia Valadares

sábado, 7 de março de 2009

Ninguém perguntou por mim

Como não podia deixar de ser, depois de conhecer em pessoa o escritor António Mota, li o livro que ele me autografou no passado Sábado: Ninguém Perguntou po Mim; 12º romance da Colecção Livros de António Mota, que tem todos os títulos incluídos no Plano Nacional de Leitura.

Sinopse: "A vida em Montepó continua a decorrer ao ritmo das estações do ano. Os gémeos já cresceram e são rapazinhos traquinas com comportamentos próprios da idade deles. Abílio e Ana Teresa sonham com vidas diferentes. Descobrem rapidamente que a vida nem sempre é fácil… Mas embora haja decisões difíceis de tomar, todos os sonhos continuam a ser possíveis. Abílio aprende também que “o conhecimento é a melhor ferramenta que podemos arranjar para sairmos airosamente da mediocridade”.
É uma história simples sobre a vida rural de uma família numa aldeia do Norte de Portugal, nos meados dos anos 60 do século XX. A escrita deste autor é comovente, na medida em que está habituado a escrever para jovens.
Nesta obra, reflectimos sobre a emigração dos anos 60 para países europeus... Ponderamos sobre o valor do amor entre jovens, do amor entre marido e mulher, do amor entre as pessoas de uma mesma família. Que importância tinha naquela época a família nuclear? Que papel tinham os avós sobre os filhos e netos? E hoje?
Achei muito interessante ser um romance que continua a história de outro livro já publicado Filhos de Montepó; e que tem como início, um e-mail de uma jovem que quer saber o resto da história...
Será isto verdade ou apenas mais um artífice da fantástica imaginação de António Mota?
Nota: 7/10

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

António Mota

O Colégio da Imaculada Conceição irá receber o escritor / autor / professor António Mota, no dia 28 de Fevereiro de 2009, pelas 14h30m, no Salão do Colégio. Convida-se toda a comunidade educativa, familiares e amigos para assistir à sessão. Neste dia, far-se-á também a abertura da Feira do Livro com o apoio de Plano Nacional de Leitura.

"António Mota nasceu em Vilarelho, Ovil, concelho de Baião, em 16 de Julho de 1957. É professor do Ensino Básico. Publicou o seu primeiro livro, A Aldeia das Flores, em 1979. Com a obra O Rapaz de Louredo (1983) ganhou um prémio da Associação Portuguesa de Escritores.Em 1990, recebeu o Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens pelo seu romance Pedro Alecrim. Em 1996, ganhou o Prémio António Botto com A Casa das Bengalas.Em 2003, a obra O Sonho de Mariana, ganhou o Prémio Nacional de Ilustração, com ilustrações de Danuta Wojciechowska. Esta obra foi escolhida pela Associação de Professores de Português e Associação de Profissionais de Educação de Infância para o projecto "O meu brinquedo é um livro". Em 2004, recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, na modalidade de livro ilustrado, pela obra Se eu fosse muito Magrinho com ilustrações de André Letria.

Desde 1980 tem sido solicitado a visitar escolas do Ensino Básico e Secundário, assim como bibliotecas públicas, em Portugal e outros países, fomentando deste modo o gosto pela leitura entre crianças e jovens.Colaborou com vários jornais e participou em diversas acções organizadas por Bibliotecas e Escolas Superiores de Educação.Os seus livros estão antologiados em volumes de ensino do Português e tem obras traduzidas em Espanha e Alemanha. Tem trinta e seis obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura.Em 2008 foi agraciado com a Ordem da Instrução Pública.Prémios e distinções:· 1983 - Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, com O Rapaz de Louredo.· 1990 - Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil com Pedro Alecrim.· 1996 - Prémio António Botto, com A Casa das Bengalas.· 2004 - Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura Infantil, modalidade ilustração, com Se eu fosse muito magrinho.· 2008 - Agraciado com o grau de oficial da Ordem da Instrução Pública.

OBRAS de LITERATURA INFANTO-JUVENIL:
A Aldeia das Flores /Andarilhos em Baião /A casa das bengalas /A Terra do anjo azul /A Viagem do Espanholito /Abada de Histórias/Andarilhos em Baião /As andanças do senhor Fortes /Lá de cima, cá de baixo /Cartas da Serra /Cortei as tranças /Filhos de Montepó /Jaleco /Fora de Serviço /Lá de Cima, Cá de Baixo /O Agosto que nunca esqueci /O Coelho Branco /O Galo da Velha Luciana /O Grilo Verde /O lambão, o teimoso e o senhor Veloso /O Livro das Letras /O Lobisomem/O Nabo Gigante /O pombo-correio /O Rapaz de Louredo /O Rebanho Perdeu as Asas /O Rei, o Sábio e os Ratos /O Sonho de Mariana /O Velho e os Pássaros /Onde Tudo Aconteceu /Os Heróis do6º F /Os Sonhadores /Pardinhas /Pedro Alecrim /Romeu e as rosas de gelo /Sal, Sapo, Sardinha /Se eu fosse muito alto /Se eu fosse muito pequenino /Se eu fosse muito magrinho /Se eu fosse muito forte /Se eu fosse mágico /Se tu visses o que eu vi /Segredos /Sonhos de Natal /Uma Tarde no Circo /Lamas de Olo-Avenida da Europa /A Aldeia do Bem-me-quer /Ninguém perguntou por mim.

OUTRAS:
O Príncipe com cabeça de cavalo /A Gaita Maravilhosa /A Galinha Medrosa /O sapateiro e os anões /Pedro Malasartes /A Princesa e a Serpente /Maria Pandorca /Os negócios do macaco /Trocas e baldrocas /O livro das Adivinhas 1 /O Livro das Adivinhas 2 /O Livro das Adivinhas 3 /O Livro dos Provérbios 1 /O Livro dos Provérbios 2 /O Livro dos Provérbios 3 /O Livro das Lengalengas 1 /O Livro das Lengalengas 2 /O Livro dos Trava-línguas 1 /O Livro dos Trava-línguas 2 /O Livro dos exageros /Fábulas de Esopo -Recontadas /Lamas de Olo-Avenida da Europa /Tenente Coronel José Agostinho.

PARA ADULTOS:
Outros Tempos/Em obras colectivas/ De que são Feitos os Sonhos /Contos da Cidade das Pontes /Conto Estrelas em Ti: Dezassete Poetas Escrevem para a Infância/Árvores Pombos Limões e Tropelias."

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Lenda de Despereaux

Sinopse:

"Despereaux Tilling é o único sobrevivente de uma ninhada de pequenos ratinhos, nascidos de um pai inglês e de uma mãe francesa, nos locais mais secretos de um castelo de contos de fadas. Nascido com umas orelhas desmesuradamente grandes, de olhos abertos e uma estranha capacidade de abstracção, poucos são os que acreditam que sobreviverá. Mas sobrevive e revela ter uma sensibilidade muito particular para a música e a leitura, actividades que privilegia em detrimento das ditas “actividades de ratos”, como buscar comida, mordiscar as folhas dos livros e mastigar a sua cola. Certo dia, atraído pela música que lhe soa a mel, aproxima-se do rei e da princesa que habitam o castelo e apaixona-se…"
Ir ao cinema é divertido, descontrai... mas porque não juntar o ingrediente da leitura. Podemos neste momento desfrutar em qualquer sala de cinema o desenho animado A Lenda de Despereaux.
Bem feito, desenhos atraentes, mensagens extremamente relevantes nos dias que correm... Reforça-se os valores da coragem, da amizade, da verdade, da sinceridade. Gostei e acho que se deve ler o livro para aprofundar e reconhecer estes valores. Aconselho a ir ao cinema mas também a ler o livro... eu vou!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Adivinha Quanto Gosto de Ti

Sinopse:

“Às vezes, quando gostamos muito, muito de alguém, queremos encontrar uma maneira de descrever como os nossos sentimentos são grandes. Mas, como descobrem a Pequena Lebre Castanha e Grande Lebre Castanha, o amor não é coisa fácil de medir!” in contra-capa de "Adivinha Quanto Gosto de Ti".


É o que sinto em relação ao meu filhote Miguel, pois tenho, toda a hora, todo o instante, …. a necessidade de ouvir e sentir o quanto eu gosto dele. De como é IMENSO o meu amor pelo meu filhote.
Estou constantemente a verbalizar o meu amor por ele. Todos os dias e em todos os momentos que estou com ele o “encharco” de beijos e não me canso de dizer, esteja onde estiver, esteja com quem estiver, que "Amo-te muito, muito, muito".
Mas as palavras parecem pouco, quando existe sentimento tão grande, puro, bonito… É difícil de quantificar esse amor, mas com toda a certeza não é impossível.
Por isso, filhote lindo, não me canso de dizer “ AMO-TE MUITO, MUITO, MUITO…”
Na verdade os livros infantis, apesar de, por vezes, dizerem coisas diferentes, falam tanto às crianças como aos adultos! É lindo e interessante podermos perceber isso!
Sara Pereira, Mãe do Miguel Sardão (3 anos), Sala Aquário Colégio Imaculada Conceição.
Nota: 9/10

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Cão Mal Desenhado

Sinopse:

"O Cão Mal Desenhado estava farto de ser assim tão mal desenhado: cheio de rabiscos, com os olhos redondos e mal acabados. Mais parecia uma mancha de fuligem. Por isso, certo dia foi visitar um pintor e pediu-lhe para o desenhar de um modo diferente. Mas mudar de estilo tem muito que se lhe diga..."
in contra-capa de O Cão Mal Desenhado
Gostei imenso deste livro logo pelo título. Estudei e estruturei toda a história para depois poder contá-la. Uma vez que tinha como destinatário o público infantil, elaborei alguns objectos com materiais e utensílios de cozinha para dar vida às principais personagens. O resultado foi interessantíssimo de se ver e ouvir. Foi apresentado no Workshop A Arte de Contar Histórias Módulo II nos dias 7 e 8 de Dezembro na Livraria Salta Folhinhas no Porto, sob a orientação da Contadora de Histórias Clara Haddad. Esta história coloca-nos frente a frente a nós próprios. Aquilo que somos e aquilo que pensamos acerca de como somos. Vale a pena querermos ser diferentes daquilo que é a nossa essência? Vale a pena fugirmos do que nós somos? Vale mesmo a pena ler este livro, sozinho, acompanhado... senti-lo para depois poder contá-lo ;)
Nota: 8/10

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Le Petit Prince d' Antoine de Saint Exupéry


"Antoine de Saint-Exupéry publicou pela primeira vez «O Principezinho» em 1943 nos Estados Unidos, quando recuperava de ferimentos de guerra em Nova Iorque, um ano antes do seu avião Lockheed P-38 ter sido dado como desaparecido sobre o Mar Mediterrâneo, durante uma missão de reconhecimento.
Mais de meio século depois, a sua fábula sobre o amor e a solidão não perdeu nenhuma da sua força, muito pelo contrário: este livro que se transformou numa das obras mais amadas e admiradas do nosso tempo, é na verdade de alcance intemporal, podendo ser inspirador para leitores de todas as idades e de todas as culturas. O narrador da obra é um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara, que, tenta desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. Perante um domínio tão misterioso, o piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça - a mais de mil milhas das próximas regiões habitadas e correndo perigo de vida - pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido. E assim tem início um diálogo que expande a imaginação do narrador para todo o género de infantis e surpreendentes direcções. «O Principezinho» conta a sua viagem de planeta em planeta, cada um sendo um pequeno mundo povoado com um único adulto. Esta maravilhosa sequência criativa evoca não apenas os grandes contos de fadas de todos os tempos, como também o extravagante «Cidades Invisíveis» de Ítalo Calvino. Uma história terna que apresenta uma exposição sentida sobre a tristeza e a solidão, dotada de uma filosofia ansiosa e poética, que revela algumas reflexões sobre o que de facto são os valores da vida." in Site da Bertrand

Quando li este livro era criança, e li-o em francês na altura; não passou de uma história fantástica sobre uma criança lúnática.
Passados anos, li e reli em português. A minha visão do mundo mudou... Adoro esta obra intemporal para todas as idades e para todos os momentos. Recomendo para ler sozinho ou em família. Divirtam-se e sonhem com O Principezinho.

Nota: 8/10